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Eduardo Leite defende reformas estruturais e novo modelo de financiamento da saúde no Diálogos da Saúde

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Governador do Rio Grande do Sul apresenta diagnóstico fiscal, critica distorções no SUS e aponta necessidade de mudanças institucionais para garantir sustentabilidade do sistema

O SindHosp, com apoio institucional da FESÁUDE, recebeu, em São Paulo, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para mais uma edição do Diálogos da Saúde | Eleições 2026, série de encontros com pré-candidatos à Presidência da República que busca aproximar lideranças políticas do setor e discutir propostas para o país.

Na abertura, o presidente do SindHosp, Francisco Balestrin, destacou o caráter do encontro como espaço de escuta e construção conjunta. “O governador vai entender melhor o setor de saúde e o que é que a gente pode fazer por ele. E nós vamos conhecer melhor o nosso governador e entender o que ele pode fazer por nós”, afirmou.

Ao iniciar sua fala, Eduardo Leite indicou que buscaria objetividade para priorizar o diálogo com a plateia, mas apresentou um panorama detalhado do cenário que encontrou ao assumir o governo do Rio Grande do Sul. Segundo ele, o Estado enfrentava uma crise fiscal severa, com atraso sistemático de salários e impactos diretos sobre fornecedores e prestadores de serviço, incluindo hospitais. “Os hospitais estavam parando procedimentos porque não havia remuneração adequada do Estado”, disse.

O governador descreveu um modelo de gestão que partiu de reformas estruturais e reorganização fiscal para recuperar a capacidade do Estado de investir e prestar serviços. “Política é missão, não é procurar zona de conforto”, afirmou, ao justificar a decisão de assumir o desafio mesmo diante de um cenário considerado crítico.

Na área da saúde, Leite detalhou um passivo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão em dívidas acumuladas com municípios, hospitais e fornecedores. A estratégia adotada, segundo ele, foi priorizar a regularização desses pagamentos e fortalecer a rede já existente, especialmente os hospitais filantrópicos, em vez de expandir estruturas públicas. “Se eu tenho uma rede que já presta o serviço, faz mais sentido fortalecê-la do que criar novas estruturas.”

O governador também defendeu uma revisão do modelo de financiamento do sistema de saúde, com foco em critérios objetivos e incentivo à performance. De acordo com ele, havia distorções relevantes na distribuição de recursos, com unidades menos produtivas recebendo mais do que outras com maior volume de atendimento. “Não basta colocar mais dinheiro, é preciso reorganizar a forma como esse dinheiro é distribuído.”

Ao longo da exposição, Leite destacou ainda a importância da atenção primária como eixo estruturante do sistema, especialmente diante do envelhecimento da população e do aumento das doenças crônicas. Segundo ele, a ampliação de ações de promoção da saúde pode reduzir a pressão sobre serviços de maior complexidade e melhorar a eficiência do sistema como um todo.

Durante o debate, provocado por questionamento de Balestrin sobre os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul, o governador classificou o episódio como o maior desastre do país em extensão territorial e população afetada. Relatou situações críticas enfrentadas durante a crise, incluindo risco de interrupção de serviços hospitalares, e afirmou que o evento reforçou a necessidade de investimentos em resiliência. “Vamos continuar vendo eventos extremos. Precisamos preparar nossas estruturas para isso.”

Ao abordar o cenário nacional, Leite fez uma leitura crítica da situação fiscal e institucional do país, alertando para o risco de comprometimento total do orçamento com despesas obrigatórias nos próximos anos. Defendeu a necessidade de reformas estruturais, incluindo mudanças no sistema político, na administração pública e no modelo previdenciário.

O governador também destacou a importância da construção de uma agenda clara de governo como base para a relação com o Congresso. “Não é sustentar o governo. É sustentar a agenda do governo”, afirmou.

Na área da segurança pública, defendeu maior coordenação nacional, integração de dados e atuação baseada em inteligência, além de reforçar a importância de políticas preventivas e presença do Estado em territórios mais vulneráveis.

Encerrando sua participação, Leite reforçou a necessidade de visão de longo prazo e fortalecimento institucional. “Não acredito em salvador da pátria. O que resolve o Brasil é melhorar as instituições”, afirmou.

Assista o Diálogos da Saúde completo:

 

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