No quarto encontro do programa, a comunicação foi apresentada como ferramenta para transformar indicadores e relatórios em apresentações capazes de apoiar decisões estratégicas na saúde
A comunicação de indicadores de desempenho e resultados foi o tema do quarto encontro da Jornada SIGA (Sistema de Indicadores para Gestão de Alto Desempenho), iniciativa desenvolvida pelo SindHosp e pela FESAÚDE – com apoio da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) – para estimular o uso de indicadores como ferramenta de gestão nas instituições de saúde.
O encontro reuniu gestores e lideranças para discutir um desafio comum nas organizações: transformar dados, indicadores e relatórios em apresentações capazes de orientar decisões e marcou a fase “Sustentar”, etapa final da Jornada SIGA. O foco foi discutir como utilizar os indicadores produzidos ao longo do programa para apoiar decisões estratégicas e acompanhar resultados de forma contínua.
Convidado para conduzir a atividade, Eduardo Adas, fundador da SOAP Apresentações Profissionais, abordou o papel da comunicação na apresentação de resultados, na defesa de projetos e na condução de mudanças dentro das instituições.
Indicadores de desempenho são métricas utilizadas para acompanhar resultados, identificar oportunidades de melhoria e apoiar a gestão. A partir desse contexto, o especialista conduziu uma discussão sobre a forma como dados e informações costumam ser apresentados dentro das organizações.
Na avaliação do palestrante, muitas apresentações acabam reproduzindo relatórios extensos, carregados de números, gráficos e textos, sem necessariamente facilitar a compreensão do público. O resultado é que informações relevantes perdem força justamente quando deveriam contribuir para a tomada de decisões.
Habilidade de comunicação pode ser desenvolvida

Logo no início da apresentação, Adas compartilhou parte de sua trajetória profissional. Ele contou que enfrentou dificuldades para falar em público durante a adolescência e que desenvolveu suas habilidades de comunicação por meio de estudo e treinamento. Ao recordar esse processo de aprendizado, afirmou: “Comunicação não é um dom. É uma competência que você desenvolve.”
Para o especialista, a comunicação acontece no espaço entre a intenção de quem transmite uma mensagem e a percepção de quem a recebe. Por isso, uma apresentação eficiente exige mais do que conhecimento técnico. Também depende da compreensão do perfil, das necessidades e das expectativas do público.
Ele destacou que a credibilidade influencia a forma como propostas, projetos e recomendações são recebidos. Em sua avaliação, a confiança favorece a compreensão da mensagem e contribui para uma comunicação mais efetiva.
Um dos conceitos centrais do encontro foi a diferença entre relatório e apresentação. Na visão de Adas, relatórios têm a função de organizar e disponibilizar informações. Já uma apresentação deve partir de uma conclusão clara e utilizar dados, evidências e indicadores para sustentá-la. Ele também criticou o uso excessivo de textos nos slides. Quando a tela reproduz integralmente o conteúdo que está sendo falado, passa a disputar a atenção do público e reduz a efetividade da comunicação.
O foco, acrescentou, deve estar na construção de uma linha de raciocínio capaz de conduzir o público até a conclusão pretendida.
Narrativas ajudam a comunicar resultados

Boa parte da atividade foi dedicada ao storytelling, técnica que utiliza narrativas para organizar e comunicar informações. Segundo Adas, histórias têm a capacidade de gerar identificação, estimular reflexão e facilitar a compreensão de temas complexos. Por isso, podem ser utilizadas para apresentar projetos, defender investimentos, justificar mudanças de processo e apoiar decisões de gestão.
Uma narrativa bem construída, explicou, permite que o público compreenda não apenas os números apresentados, mas também o contexto e as consequências associadas a eles. Nesse modelo, os dados continuam sendo fundamentais. A diferença é que passam a funcionar como sustentação dos argumentos, em vez de ocupar o papel principal da apresentação.
A eficácia de uma apresentação, defendeu o palestrante, depende da capacidade de compreender quem está do outro lado da mesa. Gestores diferentes possuem expectativas, preocupações e prioridades distintas, o que exige abordagens específicas para cada contexto.
Por isso, a construção de uma narrativa deve considerar fatores como perfil profissional, objetivos da audiência e tipo de decisão que se pretende influenciar. Uma mesma apresentação pode produzir resultados diferentes dependendo de quem a recebe.
Inteligência artificial como ferramenta de apoio
O avanço da inteligência artificial na preparação de apresentações e análises também foi tema da discussão. Essas ferramentas, segundo o especialista, podem acelerar pesquisas, organizar informações, auxiliar na criação de conteúdos visuais e reduzir o tempo gasto em etapas operacionais do trabalho. No entanto, não substituem a capacidade humana de interpretar dados, compreender contextos e definir estratégias de comunicação.





