Encontro do SindHosp falou sobre o lançamento do CLACS, única metodologia internacional de acreditação criada para a América Latina e aplicada exclusivamente no Brasil pela QGA – Quality Global Alliance
Qualidade e segurança do paciente precisam fazer parte das decisões de quem lidera uma organização de saúde. Esse foi um dos eixos do Workshop da Saúde “Qualidade em evolução: a acreditação na transformação das organizações de saúde latino-americanas”, realizado pelo SindHosp em 22 de setembro. O encontro também marcou o lançamento no Brasil do CLACS, uma metodologia de acreditação voltada a hospitais, clínicas e laboratórios.
Participaram da conversa Camilla Covello, cofundadora e chief growth Officer da QGA, e Zeus Tristão, coordenador de Relações Institucionais e Governamentais do SindHosp, responsável pela moderação. O debate passou pelo cenário brasileiro da acreditação, cultura de segurança, desperdícios, governança e incorporação da qualidade à gestão dos serviços de saúde.
Segundo Covello, menos de 10% dos hospitais brasileiros são acreditados, percentual que pouco tem avançado ao longo dos anos. A subnotificação de eventos adversos também entrou no debate. Ela apresentou a estimativa de que, para cada evento notificado, outros 15 deixariam de ser registrados. Entre as razões citadas estão medo, cultura punitiva e resistência em comunicar falhas. “Não pode haver uma cultura punitiva. A liderança não pode deixar a qualidade ser responsabilidade só de quem está na ponta”, afirmou.

Acreditação em saúde: da conformidade à estratégia
Para Camila Covello, a mudança de cultura passa por colocar a qualidade dentro da gestão e das decisões da organização. “Todo mundo aqui é da qualidade”, afirmou ao lembrar que, em muitos eventos, apenas profissionais de determinadas áreas se identificam como responsáveis pelo tema. Em organizações com maior maturidade, os indicadores de risco chegam à liderança e ajudam a orientar decisões antes que uma falha gere consequências assistenciais ou operacionais.
Tristão relacionou essa lógica à medicina preventiva. Assim como a assistência procura identificar riscos antes do agravamento de uma condição clínica, processos estruturados de qualidade ajudam a reconhecer fragilidades antes que resultem em problemas maiores.
O impacto financeiro das falhas de processo entrou na discussão a partir de outro dado apresentado por Covello. Segundo ela, são R$ 10,6 bilhões em desperdícios anuais no sistema privado, associados a problemas de gestão e de processos. Falhas de qualidade podem aumentar riscos regulatórios e jurídicos, afetar a reputação das organizações e dificultar a atração e a permanência de profissionais.
Tristão relacionou a discussão aos 5 Inegociáveis da Saúde defendidos pelo SindHosp e pela FESAÚDE: Paciente Único, Dados Estruturados, Acesso Qualificado, Cuidado Padronizado e Desperdício Contido.
Questionada sobre a relação entre o processo de acreditação e a estratégia de gestão, Covello reforçou que o envolvimento da alta liderança precisa acompanhar todas as etapas. “Tem que começar com o líder, tem que terminar com o líder e tem que estar na agenda da governança e da liderança”, afirmou.
A conversa avançou para a integração entre indicadores, dados, tecnologia e avaliação da qualidade. Na visão de Covello, essas frentes precisam ser acompanhadas em conjunto pela alta gestão. Quando cada área trabalha isoladamente, fica mais difícil transformar informação em decisão.
A acreditação envolve avaliação externa, educação e acompanhamento contínuo da evolução da instituição. Sobre o risco de burocratização, Covello resumiu: “A acreditação boa para determinada instituição é a acreditação que faz sentido. Senão ela vai se tornar burocrática e não vai virar cultura”.
CLACS chega ao Brasil
O workshop também marcou o lançamento do CLACS no Brasil. A metodologia internacional de acreditação foi desenvolvida para instituições de saúde da América Latina, considerando diferentes níveis de maturidade e características da região.
Criado em conjunto com um consórcio mexicano de hospitais, o modelo já está em operação no México. Segundo Covello, a metodologia trabalha com 30 padrões, organizados em três níveis de maturidade, permitindo acompanhar a evolução das instituições ao longo do processo.
O CLACS pode ser aplicado a diferentes serviços de saúde. Entre os exemplos citados estão hospitais, clínicas que realizam procedimentos, laboratórios de análises clínicas e anatomia patológica, serviços de diagnóstico por imagem e clínicas de endoscopia.No Brasil, o lançamento reúne QGA, SindHosp, Instituto de Ensino e Pesquisa da Saúde (IEPAS) e FESAÚDE.
Com o objetivo de disseminar a cultura da qualidade para um maior número de estabelecimentos de saúde, associados do SindHosp têm 25% de desconto na acreditação CLACS. Clique aqui e saiba mais.
Assista ao workshop na íntegra:





