Sindhosp

28 de março de 2016

Técnica menos invasiva detecta tumor infantil

Um grupo de cientistas do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está introduzindo no Brasil uma técnica inovadora, desenvolvida nos Estados Unidos, para detectar células cerebrais com câncer durante cirurgias.
 
O método, que usa um espectrômetro de massas para fazer o diagnóstico molecular do câncer, será aplicado em um hospital de Campinas para detectar as células cancerosas durante cirurgias no cérebro de crianças.
"A técnica deverá aumentar a precisão nas cirurgias e reduzir o risco de mortes e sequelas, além de acelerar o processo de recuperação dos pacientes", disse Marcos Eberlin, do Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas, da Unicamp.
 
O procedimento convencional para operar câncer no cérebro consiste em retirar amostras de tecido (biópsia) e analisar sua morfologia no microscópio, para verificar se há tumor. "Mas, muitas vezes, a forma e aparência do tecido geram dúvidas, o que em geral leva o cirurgião a remover fragmentos que não precisavam ser retirados."
 
Com a nova técnica, o tecido colhido na biópsia é analisado em um espectrômetro de massas, identificando quimicamente as células cancerosas. Esse diagnóstico molecular funciona como um "escaneamento químico". "Passando uma sonda sobre os fragmentos de tecido, obtemos na tela do computador uma imagem colorida que mostra com nitidez a superfície exata a ser removida."
 
Aplicação
 
Os pesquisadores testaram a técnica no Centro Infantil Boldrini, de Campinas, e conseguiram classificar e mapear tumores cerebrais em amostras de tecidos de crianças e adolescentes. Depois de verificar o sucesso da técnica, o centro adquiriu um espectrômetro de massas que será usado para o diagnóstico molecular em tempo real durante as cirurgias.
 
A nova técnica começou a ser elaborada há quatro anos, quando a filha de Eberlin, a química Lívia Eberlin, fazia seu doutorado na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, no laboratório de Graham Cooks, considerado um dos maiores especialistas do mundo em espectrometria de massas. A pesquisadora testou o método pela primeira vez em um laboratório da Escola de Medicina da Universidade Harvard.
 
"Ela foi a primeira pessoa a levar um espectrômetro de massas para dentro de uma sala de cirurgia", disse Eberlin.
 
Segundo o cientista, o espectrômetro de massas que será adquirido para o Centro Infantil Boldrini será comprado com recursos do Ministério da Saúde. "Não estamos descartando o patologista. Não é o químico que faz o diagnóstico. Só estamos dando a eles uma nova ferramenta", afirmou Eberlin.

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Zika está chegando com mais força no Sudeste; pico deve ser em abril

O nascimento de crianças com microcefalia no Sudeste do Brasil já é uma grande preocupação de médicos e do governo com o aumento de casos suspeitos de infecção por vírus da zika na região. Somados, os quatro Estados registraram cerca de 6.500 casos suspeitos de zika até agora.
 
Em São Paulo, há ao menos 37 casos de crianças com microcefalia com características de associação ao vírus e 900 grávidas com suspeita de zika. No Rio de Janeiro, nove casos de má-formação no sistema nervoso de bebês foram confirmados; no Espírito Santo, há outros quatro casos confirmados; e em Minas Gerais, mais dois. 
 
O pico de contágio em São Paulo e Rio de Janeiro, porém, ainda é esperado para abril e maio, épocas de elevação histórica da dengue, também transmitida pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes Aegypti. No Espírito Santo, espera-se o pico para este mês. 
 
O aumento de casos no Sudeste preocupa pois a região concentra 42% da população brasileira, o que poderia multiplicar os casos de microcefalia no país. O Ministério da Saúde já alertou para a expansão da epidemia em outras regiões do país. "Estamos prevendo uma expansão [do surto de zika e dos casos de microcefalia] nas regiões Sudeste e Centro-Oeste", explicou Claudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do ministério.
 
Uma pesquisa da Fiocruz estima que o percentual de fetos com lesões neurológicas entre grávidas diagnosticadas com zika pode chegar a 29% — no entanto, o número ainda é controverso. Um estudo restrospectivo feito na Polinésia Francesa apontou que a proporção seria de 1 para 100.
 
Se o combate ao mosquito Aedes aegypti –ou novos remédios– não impedirem a epidemia de zika de se alastrar em áreas mais populosas do Brasil, Timerman estima que possam nascer de 50 mil a 70 mil crianças com lesões neurológicas ou microcefalia até 2020. O Ministério da Saúde, questionado sobre previsões, informou que não faz ou comenta projeções.
 
Até o momento, o país tem 907 casos de microcefalia confirmados e mais de 4.200 em investigação. A OMS calcula que o número de casos confirmados deve chegar a 2.500 ainda este ano. 
 
Sabe-se, até o momento, que o vírus da zika circula em 22 Estados e no Distrito Federal.
 
Dificuldade para diagnosticar o vírus
Timerman explica que o grande problema é diagnosticar a zika. A primeira dificuldade é que o teste disponível até o momento só funciona se aplicado na fase aguda da doença –e só a menor parte dos infectados apresentam sintomas– e a segunda, mais grave, é que os convênios não pagam pelo exame genético de PCR, que é caro, e, na rede pública, não há testes suficientes nem mesmo para diagnosticar dengue.
 
"Sem dúvida, é preocupação baseada em evidência. No meu hospital, estou esperando 9 resultados de exame de zika de pessoas que têm muita possibilidade de ter zika".
 
"O Brasil não tinha uma infraestrutura laboratorial para atender a essa demanda. Tem uns três ou quatro (laboratórios) que centralizaram os exames do Brasil inteiro" , diz Ricardo de Oliveira, secretário de Saúde do Espírito Santo. "Não é só Espírito Santo que está mandando para a Fiocruz, vários Estados estão mandando. Por isso que a confirmação demora". 
 
Até o momento, pouco mais de 20 laboratórios foram capacitados pelo Ministério da Saúde para realizar o exame genético (conhecido como PCR).
 
Oliveira destaca que, no Espírito Santo, as notificações de casos de dengue em 2016 já são dez vezes maiores do que em 2015. "Por trás disso, está uma proliferação muito grande de mosquito". Lá, são 2.642 os casos de suspeita de zika desde novembro até o dia 10 de março, e 90 bebês (a maioria ainda não nascidos) com suspeita de microcefalia.
 
Alexandre Chieppe, subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado do Rio de Janeiro, aponta que a maioria dos bebês de mães infectadas por zika que estão acompanhadas pela rede pública vai nascer em março e abril, quando devem começar os testes para microcefalia e associação à infecção.
 
No entanto, ele informa que nas últimas semanas houve uma redução do número de notificação de casos de infecção por zika em mulheres grávidas, apesar de uma expectativa contrária a isso. "Uma possibilidade é que haja maior prevenção individual das gestantes".

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Fórum discute gestão, fusão e aquisição de hospitais

A aprovação da Lei 13.097 que permitia a entrada de capital estrangeiro em hospitais, sancionada pela presidente Dilma Roussef, completou um ano em janeiro de 2016 ainda causando dúvidas no setor. Muito se especulou sobre o futuro dos pequenos hospitais, fusões e novas aquisições, mas até o momento, o cenário pouco mudou. Para desmistificar o tema e tirar dúvidas dos gestores, a Key Business realizou, em 22 de março, HospCapital – Fórum para Gestão, Fusão e Aquisição de Hospitais, em São Paulo.
 
Divido em seis painéis, o evento abordou fundos de investimentos e grupos estrangeiros que buscam oportunidades para negociar a aquisição de hospitais estruturados, com a finalidade de desenvolver um modelo para futuras fusões e aquisições. De acordo com a Federação Brasileira de Hospitais (FBH), o Brasil conta hoje com 6.465 hospitais, sendo 63,33% de controle privado e 36,67% sob controle Municipal, Estadual e Federal. 
 
Investidores fazem análises microrregionais ao investir num hospital, para entender os equilíbrios de ofertas e demandas de leitos, por exemplo, explicou Tracy Francis, diretora da McKinsey & Company. “Normalmente são feitas quatro perguntas iniciais que fazem um investidor optar por um determinado negócio. São elas: será que a macroeconomia e favorável? Quais as alavancas de crescimento? Quais os riscos? E por último, qual a sinergia com meu negócio atual?”. 
 
Oferecer o melhor sistema de governança foi apontado como um caminho que atrai investimentos por Frederico Turolla, sócio da Pezco Pesquisa e Consultoria. Ele apresentou os tipos de parceria atuais que são oferecidas às instituições de saúde, listando a parceria público-privada (PPP) como a mais rentável. “A PPP traz ao gestor maiores possibilidades e uma visão mais ampla de negócio”, mas pondera que ainda não é o sistema de negócio ideal. “Quem sabe no futuro pomos pensar num modelo mais amplo de rede, mais abrangente. Isso é um grande desafio na saúde não só do brasil, mas no mundo todo”.
 
Para Lauro Miquelin, sócio-diretor da L+M, a medicina suplementar e o Brasil vivem em 2016 um ciclo que pode ser aproveitado para melhorias e mudanças positivas no setor da saúde. “Uma das oportunidades é a implantação e operação de plataformas de atendimento de negócios sinérgicos de saúde, compostas de unidades já em operação e novas unidades para cuidados ao paciente e familiares em todo seu ciclo da vida”, explicou. “Estas plataformas são a evolução do modelo operado com eficácia e senso de oportunidade que resultou na Rede D'Or São Luiz, por exemplo. Além disso há também a geração de resultados através da escala de compras de materiais, medicamentos e OPME, que ainda são responsáveis por mais de 50% das Receitas dos Hospitais”, finalizou.
 
A cobertura completa você acompanha na edição de abril do Jornal do SINDHOSP.

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