Ana Paula

Opinião não é ciência

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) brasileiro, que completou 50 anos em 2023, é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como referência internacional. Graças a ele, que oferece cerca de 45 diferentes imunobiológicos para toda a população, dos recém-nascidos à terceira idade, o país conseguiu erradicar a poliomielite e controlar doenças imunopreveníveis como difteria, coqueluche, sarampo, caxumba, rubéola, varicela, tétano, hepatite, meningites, febre amarela, formas graves de tuberculose, entre outras. Desde 2016, porém, o Ministério da Saúde vem registrando sucessivas quedas na cobertura vacinal, principalmente de crianças.

Em 2015, o PNI atingiu 97% de cobertura. Já em 2020, primeiro ano da pandemia da Covid-19, esse percentual caiu para 75% e, em 2021, foi para 52,1%, ou seja, a menor cobertura vacinal das duas décadas anteriores. Se analisados os dados por Estados ou regiões, o problema ganha proporção ainda maior. Na Região Norte, por exemplo, dos sete Estados, quatro registraram cobertura vacinal na faixa dos 30% em 2021. Os dados são do Observatório da Atenção Primária à Saúde. Os motivos para essa queda, apontados por especialistas, vão do desconhecimento da população sobre a gravidade de algumas doenças, da necessidade de longos deslocamentos e da insegurança causada por notícias falsas (fake news), propagadas principalmente pelas redes sociais.

Dados preliminares do Ministério da Saúde, porém, trazem um alento: entre 2022 e 2023, oito vacinas do calendário infantil apresentaram aumento nas coberturas. Para crianças com um ano de idade, a cobertura vacinal de hepatite A passou de 73% para 79,5% no período; o primeiro reforço da pneumocócica foi de 71,5% para 78%; e a poliomielite alcançou 74,6% de cobertura, ante os 67,1% de 2022. Apesar da melhora, os percentuais ainda estão distantes da meta estipulada pelo Ministério da Saúde, de 95%.

Quando profissionais da saúde, autoridades e sociedade deveriam se unir para melhorar esse quadro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) resolve lançar uma pesquisa para conhecer a opinião dos cerca de 560 mil médicos sobre a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19 em crianças de 6 meses a 4 anos e 11 meses, que foi incluída no calendário oficial de vacinação. Sem um propósito “claro” sobre os objetivos da sondagem, um órgão de classe que deveria primar pela ciência e tem como missão “promover o bem-estar da sociedade”, adota um posicionamento político-ideológico e acaba prestando um enorme desserviço ao país, ao ir na contramão desse esforço nacional para impulsionar as campanhas de vacinação. Lamentavelmente, o CFM parece ignorar que os imunizantes passam por rígidos estudos clínicos, critérios técnicos e são embasados em dados científicos que comprovam sua segurança e eficácia.

Várias sociedades médicas, instituições de saúde e profissionais vieram a público se posicionar contra ações que levem a população a ter dúvidas sobre os benefícios da vacinação. Além disso, se vacinar é um direito garantido pela Constituição a toda criança e adolescente, portanto, não deveria ser objeto de questionamento por nenhum órgão de classe. Ciência não é questão de opinião, mas de fatos e evidências.

Francisco Balestrin

Presidente do SindHosp

Artigo publicado na edição de Janeiro de 2024 da revista LaborNews. Clique aqui e acesse a íntegra da publicação

Sindhosp completa 86 anos

12 de fevereiro de 2024 marca os 86 anos do maior Sindicato patronal da saúde na América Latina, o SindHosp

Fundado em 1938 por sete hospitais paulistas, a história do Sindicato de Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Estabelecimentos de Saúde no Estado de São Paulo (SindHosp) se enreda pela evolução da medicina e pela concepção do Sistema Único de Saúde (SUS). Nascido, na ocasião, com o propósito de auxiliar os empresários e gestores dos hospitais privados no relacionamento com os trabalhadores, que se organizavam em movimentos isolados de paralisação (as greves na época eram proibidas), e a participar mais ativamente das decisões governamentais, o SindHosp acompanhou todas as transformações políticas, econômicas, sociais e científicas ocorridas ao longo das décadas.

            Hoje, o SindHosp é o maior sindicato patronal da saúde na América Latina e representa cerca de 51 mil prestadores de serviços de saúde no Estado de São Paulo. Há cerca de dois anos, iniciou um processo de governança corporativa que culminou com a modernização do seu estatuto social e a adoção de um novo modelo de gestão, já adotado pela diretoria eleita em 2023. Um conjunto de boas práticas de administração foi implantado para assegurar a eficiência e o cumprimento das metas traçadas em planejamento estratégico, além de levar para os representados o conceito do sindicalismo associativo, embasado em valores como colaboração, empatia, união e credibilidade.

            O mercado representado pelo SindHosp movimenta cerca de R$ 60 bilhões anualmente e responde pela geração de 1,8 milhão de postos de trabalho diretos. A representatividade deste importante segmento econômico e social é realizada através de um intenso relacionamento com todo o ecossistema da saúde, ou seja, entidades governamentais, agências reguladoras, conselhos de classe e integrantes da cadeia produtiva.

            Além das cerca de 50 negociações coletivas realizadas todos os anos, o SindHosp tem um leque de produtos e serviços voltados ao segmento. Conheça um pouco cada um deles:

– SindEduca: plataforma de conteúdo online para os profissionais da saúde. Clique aqui

–  SindClub: descontos exclusivos em diversas empresas parceiras. Acesse

– SindInfo: informação é poder. Conheça as pesquisas do SindHosp

– SindMais: Projetos personalizados

– SindConecta: Eventos, conexão e networking. Acesse e participe do próximo evento

            Conheça um pouco da história do SindHosp

            Um ano após a sua fundação, em 1939, as clínicas de saúde foram incorporadas à representatividade do SindHosp. Na década de 40, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi concluída e o Ministério da Saúde, criado. Em 50 e 60, São Paulo cresce exponencialmente e o setor privado de saúde acompanha esse crescimento. Surgem os primeiros planos de saúde e, junto com eles, um novo desenho assistencial e de relacionamento comercial no setor. Os laboratórios de pesquisas e análises clínicas passam a ser representados pelo Sindicato na década de 70.

            Nos anos 80, a ideologia da estatização ameaçava os estabelecimentos de saúde privados. Graças à atuação do SindHosp, em conjunto com outras entidades representativas, a iniciativa privada é contemplada na Constituição de 1988. A atuação política que o SindHosp desempenhou, na época, foi fundamental para que o setor privado existisse como se apresenta atualmente: como espaços focados na inovação, pesquisa e de instituições renomadas internacionalmente pela qualidade dos seus serviços. No mesmo período, a proliferação do vírus da Aids provoca a falta de leitos para doentes no Estado. O SindHosp se reúne com o Governo do Estado e se engaja fortemente em uma campanha de prevenção e conscientização da doença.

            A partir de 90, o SindHosp começa a promover cursos, treinamentos e eventos para o setor e amplia sua representatividade no Interior. A crise do SUS nesse período é acompanhada de perto pelo Sindicato, que se envolve em um movimento por reajuste nas tabelas. A promulgação da Lei 9656, em 1998, muda o cenário do setor suplementar. A saúde incorpora novas tecnologias, procedimentos e registra uma das décadas mais produtivas da sua história.

            A partir dos anos 2000, após a criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o SindHosp foca suas atividades no relacionamento entre prestadores de serviços e operadoras de planos de saúde. Três pesquisas com os Institutos DataFolha e Vox Populi, com o objetivo de mostrar as dificuldades comerciais enfrentadas pelos profissionais e estabelecimentos, são realizadas. Os levantamentos têm repercussão em todo o país. Paralelamente, e nos anos seguintes, cresce significativamente o número de cursos e eventos.       .

            Além da forte atuação no campo do conhecimento, o Sindicato luta pelo fim da prorrogação da CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, já que o dinheiro arrecadado não estava vindo para a Saúde, e por redução da carga tributária. Sua atuação política nas três esferas governamentais é ampliada.

            Durante a pandemia de Covid-19, que expôs as fragilidades do SUS e do sistema de tomada de decisão governamental, o SindHosp teve papel crucial no auxílio aos estabelecimentos e profissionais da saúde. As mais de 30 pesquisas realizadas junto aos hospitais para levantar as dificuldades enfrentadas no combate ao coronavírus, além de terem ampla repercussão na mídia nacional, ajudaram a solucionar os problemas com maior rapidez. Além disso, informações em tempo real foram disponibilizadas aos contribuintes sobre normas, portarias e outras decisões emitidas pelos órgãos governamentais, como Anvisa, Ministério da Saúde, Secretaria de Estado da Saúde, entre outros.

            Em 2022, o SindHosp, para qualificar o debate político e contribuir para a construção de uma agenda avançada e positiva para a saúde paulista, idealiza a Proposta Saúde São Paulo. A iniciativa nasceu com os objetivos de garantir o acesso sustentável dos paulistas ao SUS, a qualidade assistencial, a sustentabilidade do complexo econômico-financeiro do setor e incentivar São Paulo a produzir uma política de Estado capaz de inserir a saúde como base de uma agenda de desenvolvimento econômico e social. Clique aqui e conheça a Proposta na íntegra

            Somente uma instituição atenta à realidade e aos desafios do setor consegue chegar aos 85 anos como o maior sindicato patronal da saúde na América Latina. Com o planejamento traçado para os próximos anos e os novos projetos e serviços que em breve serão anunciados não é exagero afirmar que o SindHosp terá um futuro ainda mais promissor. Com isso, ganham os estabelecimentos de saúde paulistas, a população, que continuará a receber serviços de qualidade, e o exercício da democracia, já que o SindHosp é uma entidade representativa de um dos setores mais importantes para o desenvolvimento socioeconômico do país: a Saúde. 

ATENÇÃO: STF altera regras para aplicação do piso da enfermagem

No último dia 19 de dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria de votos (6 a 4), que as negociações entre os representantes dos enfermeiros e dos empregadores devem ser feitas regionalmente. Caso a partes não cheguem a um acordo nas negociações coletivas deverá ser instaurado dissídio coletivo junto à Justiça do Trabalho. Os ministros também decidiram manter os pisos determinados em lei para jornada de 44 horas semanais.

Trata-se de uma conquista importante para todo o segmento da saúde. Essa decisão da magna Corte acolhe os argumentos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) impetrada pela Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) que, entre outros tópicos, apontava que a grande maioria dos sindicatos de empregados ou se negava a negociar com os representantes dos empregadores ou conduzia as negociações morosamente, para que o prazo antes estabelecido pelo STF para implementação dos pisos, caso as negociaçõs não fossem produtivas (60 dias), expirasse. O SindHosp sempre ressaltou a importância do trabalho realizado pelos profissionais da enfermagem, mas, por conhecer a realidade dos estabelecimentos que representa e de outros tantos pelo país, se preocupava com a solvência das empresas e das possíveis demissões que certamente ocorreriam.

Entenda a decisão

No início de julho, como não houve maioria de votos, o ministro Luís Roberto Barroso, relator da ação, entendeu que  o voto médio deveria predominar sobre os demais. Assim, para o setor privado, a decisão do STF exigia negociação sindical coletiva no prazo de 60 dias como requisito procedimental obrigatório para implementação dos pisos salariais dos profissionais de enfermagem. Expirado esse prazo e caso as negociações se mostrassem infrutíferas, os pisos deveriam ser adotados. Com as dificuldades encontradas em todo o país na condução de negociações substantivas entre as partes, a CNSaúde ingressou, em 1º de agosto, com Questão de Ordem (QO) junto ao Supremo, questionando a adoção do voto médio e mostrando as dificuldades enfrentadas no processo de negociação.

A Lei 14.434 estabeleceu pisos salariais nacionais para os profissionais da enfermagem, sendo de R$ 4.750 para os enfermeiros; de R$ 3.325 para técnicos de enfermagem; e de R$ 2.375 para auxiliares e parteiras. Logo após ser promulgada, em agoso de 2022, a CNSaúde ingressou com a ADI 7222, questionando sua constitucionalidade e advertindo que, entre outros argumentos, a lei poderia resultar no fechamento de milhares de estabelecimentos de saúde no país, principalmente de pequeno e médio portes, o que geraria alto número de demissões. O SindHosp é representado em âmbito nacional pela CNSaúde e sempre alertou que, em um país com as dimensões territoriais do Brasil e com realidades tão distintas entre suas regiões, era inconcebível a prática de piso salarial único para uma determinada profissão, seja ela qual for.

O SindHosp orienta a categoria patronal para que mantenha o cumprimento do que está previsto nas convenções coletivas vigentes (quando for o caso). As negociações do SindHosp com as diversas categorias de empregados do setor da saúde devem recomeçar em janeiro de 2024.

Clique aqui e tenha acesso a detalhes do processo

Crime cibernético se torna um tema crítico para a saúde

Dando sequência ao programa Workshop da Saúde, o SindConecta, área de eventos do SindHosp, em parceria com a VipRede, empresa especializada em soluções de Tecnologia da Informação (TI), promoveu no dia 17 de agosto, na sede do Sindicato, em São Paulo, o seminário “Cibersegurança: desafios e soluções para a área da saúde”. O evento híbrido, que contou com a audiência de cerca de 250 participantes entre presenças físicas e remotas, está disponível no canal do SindHosp no YouTube. Para acessá-lo na íntegra clique aqui

“Clínicas, laboratórios e hospitais precisam se mobilizar para enfrentar os desafios em torno do crime cibernético, que se tornou um dos temas mais críticos no ambiente corporativo”, destacou a diretora Executiva do SindHosp e mediadora do workshop, Larissa Eloi.

Participaram do evento Guilherme Iglesias, sócio e chief Security Officer (CSO) da VipRede; Diogo Manfré, líder de Resposta a Incidentes da VipRede; Carlos Baleeiro Jr., head of Enterprise Brazil da Kaspersky; e Alex Julian, diretor Executivo de TI da Kora Saúde. “A gestão de riscos faz parte da rotina de gestores, administradores e do cidadão em geral, seja no trânsito, no trabalho ou no ambiente doméstico. Os riscos cibernéticos se somam aos demais riscos, com uma diferença: são ataques que a gente não vê”, pontuou Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, na abertura do evento.

Extorsão e resgate

De acordo com Carlos Baleeiro, da Kaspersky, o setor hospitalar é o terceiro com maior número de ataques cibernéticos no âmbito global, com um aumento de 74% no número de violações de 2021 para 2022. “No Brasil, o segmento que engloba convênios e hospitais teve uma média de mais de 1.600 ataques cibernéticos entre abril e setembro de 2022. O setor de saúde responde por 35% dos casos de ciberataques no país”, revela Baleeiro. “E o setor hospitalar é o que mais paga resgate, o que acontece em 61% dos casos”.

Uma das ameaças mais temidas pelas corporações é um software malicioso (malwere) chamado ransomware, com nome derivado da palavra inglesa “ramsom”, que significa resgate. Trata-se de um software de extorsão usado por criminosos para invadir seu sistema e depois exigir um resgate em dinheiro para liberá-lo. Eles se tornaram famosos em 2017, quando um ransomware batizado WannaCry foi utilizado para atacar computadores com sistema operacional Microsoft Windows. Os criminosos criptografavam os dados e exigiam um pagamento em criptomoedas Bitcoin para fazer a devolução. Desde então, o tema ganhou relevância nos centros de decisões das principais organizações do mundo.

“As soluções de segurança são diferentes conforme a necessidade das empresas. O simples e o básico bem-feitos são melhores do que o sofisticado malfeito”, explica Guilherme Iglesias, da VipRede. “Na área hospitalar, que trabalha em regime ininterrupto (24 por 7), com diferentes pessoas operando uma mesma máquina, os gestores precisam estar sempre atentos aos ataques de criptografia, fazendo um minucioso diagnóstico das suas proteções e investir em inteligência de ameaças”.

O cibercrime rende trilhões de dólares por ano, um mercado mais lucrativo do que o de drogas ilegais. Os ciberataques deixaram de ser um problema de TI para se tornarem um risco comercial. Para Alex Julian, da Kora Saúde, o maior erro do gestor é acreditar que sua organização está imune aos ataques. “Ninguém está imune. A questão não é se sua empresa sofrerá um ataque, mas quando isso vai acontecer”, argumenta o executivo. “É um trabalho contínuo, que nunca elimina o risco, mas faz diferença. Nesse processo, é muito importante trabalhar mudanças de cultura dentro da empresa, educando as pessoas. É muito importante também que a segurança da informação não barre o negócio, é preciso proteger e viabilizar”.

As estratégias de segurança vão dos antivírus das máquinas, passando por sistemas robustos de criação e verificação de senhas, até modelos personalizados de backup. Também fazem parte dessa estratégia as medidas de reação ao ciberataque, buscando diminuir o impacto de eventuais violações. “Os principais vetores de ataques são acessos à credencial de administradores do sistema e força bruta, com uso de robôs disparando milhares de senhas por minuto, além de eventual falta de proteção em uma ou outra máquina”, diz Guilherme Iglesias, da VipRede.

Segundo Diogo Manfré, também da VipRede, o primeiro passo para incrementar um sistema de segurança da informação é validar as ferramentas existentes e entender quais são suas necessidades específicas. “Está tudo bem configurado, os fatores de autenticação de senha são suficientes, o antivírus cumpre bem o seu papel? É importante que a empresa se faça essas perguntas para começar a avaliar se seus dados estão seguros”, acrescenta Manfré.

Grupo técnico

Um dos principais dilemas dos gestores de saúde é que as organizações têm em seu DNA a meta de salvar vidas e nem sempre estão prontas para proteger dados. Por isso, o SindHosp lançou durante o workShop um Grupo Técnico de Saúde Digital, coordenado por Marco Bego, diretor Executivo do INRAD (Instituto de Radiologia) e CEO do Centro de Inovação (InovaHC), ambos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).

Acompoanhe no site do SindHosp os encontros e discussões do Grupo.

Evento debate reforma tributária e seus reflexos na saúde

O SindHosp, a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Associação Paulista de Medicina (APM) realizaram, no dia 18 de agosto, o evento Saúde e Reforma Tributária no Brasil – Impactos e Próximos Passos. Realizado na sede na APM, na Capital paulista, o debate, que aconteceu de forma híbrida, reuniu cerca de 250 participantes, entre lideranças do setor, deputados, senadores, empresários, médicos e profissionais da saúde.

Apresentado pela diretora Executiva do SindHosp, Larissa Eloi, o evento foi aberto oficialmente pelos diretores de Defesa Profissional da AMB e da APM, José Fernando Macedo e Marun David Cury, respectivamente. “A reforma tributária preocupa os médicos porque pode trazer aumento de carga. Por isso é importante debatermos o assunto para que a reforma não onere o setor, levando à insolvência alguns estabelecimentos e sobrecarregando o Sistema Único de Saúde (SUS)”, frisou Marun Cury.

Dados apresentados pelos painelistas mostram a urgência e importância da aprovação da reforma tributária para o desenvolvimento do país. De acordo com o Doing Business 2020, documento do Banco Mundial, o Brasil está entre os dez piores países do mundo para pagar impostos. Em média, as empresas brasileiras gastam de 1.483 a 1.501 horas por ano com obrigações tributárias, contra uma média de 164 horas verificada nos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Desde a Constituição de 1988 foram editadas cerca de 450 mil normas tributárias no Brasil, nas três esferas de governo. Isso dá uma média de 35 novas normas por dia útil, provocando um cenário de enorme insegurança jurídica. Essa burocracia gera um custo anual estimado em R$ 430 bilhões, valor que é repassado a produtos e serviços e faz com que o Brasil fique também entre os piores lugares do mundo para se investir. Há dez anos, a indústria nacional era a nona mais importante do mundo. Atualmente ocupa a 15ª colocação, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse período o país perdeu 10% das suas indústrias.

Tudo isso mostra a relevância da reforma tributária que tem, segundo os painelistas, a missão de simplificar o sistema, de ser neutra, ou seja, não onerar a já pesada carga tributária existente, e beneficiar a camada menos favorecida da população, afinal, 90% dos brasileiros têm renda mensal de até três salários-mínimos. Reduzir o contencioso fiscal, valor que atualmente alcança 60% do Produto Interno Bruto (PIB), ou cerca de R$ 5,7 trilhões, também é um dos objetivos.

O que foi discutido

O evento foi dividido em três painéis de apresentações, mais um de debates. O de abertura trouxe um breve histórico e o contexto atual da reforma tributária, com as participações do empresário e ex-deputado federal, Alexis Fonteyne; do assessor Político e Econômico da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo; e moderação do presidente da AMB, César Eduardo Fernandes.

“Como empresário posso afirmar que temos um dos piores sistemas tributários do mundo e um péssimo ambiente de negócios. Estamos atrasados quando nos comparamos à maioria dos países e a PEC 45, aprovada pela Câmara dos Deputados, traz modernidade ao nosso sistema. Isso é salutar para a economia”, afirmou o ex-deputado federal, Alexis Fonteyne, acrescentando que vê a proposta aprovada como “a PEC do emprego no país”.

O representante da ACSP, porém, não se mostrou tão otimista com o texto-base da reforma aprovado pela Câmara. “Estamos nos baseando em experiências internacionais, mas nenhum país do mundo tem a nossa complexidade, com três níveis federativos. Na minha opinião, tínhamos que discutir a desoneração da folha de salários primeiro. Além disso, uma lei complementar vai regulamentar muitos pontos importantes e não sabemos o que poderá acontecer”, ponderou Marcel Solimeo. Para ele, o longo período de transição entre o atual e o novo sistema também pode causar uma desorganização no sistema de preços e na economia.

O fato é que a reforma tributária está em discussão há aproximadamente 30 anos no país e por nove vezes, desde a Constituição de 1988, o Congresso tentou aprovar mudanças no sistema, sem sucesso. Um pouco dessa história e de como ocorreram as negociações para que o texto da PEC 45 fosse, enfim, aprovado foi apresentado no segundo painel: a reforma tributária no âmbito da Câmara dos Deputados. Participaram das discussões os deputados federais Jonas Donizette, Vitor Lippi e Pedro Westphalen, moderados pelo presidente do SindHosp, Francisco Balestrin.

Todos acreditam que a proposta aprovada pela Câmara é a mais viável para o país. Lippi defendeu o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), proposto pela PEC 45. “Este modelo está presente em 89% dos países do mundo e é reconhecido pela OCDE”, lembrou. O deputado ressaltou, ainda, que a redução no número de indústrias nacionais ocorrida na última década contribuiu para o empobrecimento da população. “A indústria é um dos setores que mais emprega. Cada vaga na indústria gera três postos de trabalho em outros setores. Na saúde, dos R$ 150 bilhões em produtos e materiais consumidos anualmente no país, R$ 100 bi são importados”.

A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados pode não ser a melhor, mas é a factível, segundo o deputado Pedro Westphalen. “Grandes e pequenos municípios têm posições divergentes sobre a reforma. Imaginem a dificuldade para chegar a um meio termo”, sentenciou. Jonas Donizette afirmou que é impossível querer resolver todos os problemas tributários do país com uma única PEC. “Não podemos nos perder nos detalhes”, disse.

O último painel antes dos debates abordou a reforma tributária no âmbito do Senado Federal e contou com a presença do senador Roberto Rocha e mediação do presidente da APM, José Luiz Gomes do Amaral. As dificuldades encontradas pelos deputados para chegar a um texto-base que pudesse ser aprovado também será enfrentada pelos senadores. “O combustível da política é a saliva, por isso é a arte do convencimento. É uma estupidez haver divergências entre o social e o econômico, porque só se combate a pobreza gerando riquezas”, acredita Rocha.

O senador defendeu o tempo de transição proposto para que todos os entes federativos possam se organizar e lembrou que quanto mais exceções houver, maior será a alíquota do IVA. “A reforma tributária é urgente, principalmente para a população mais carente, que paga proporcionalmente mais imposto do que os ricos”. Segundo ele, o país precisa sair da exploração política da pobreza.

Debates

Além dos panelistas já citados, o debate contou com a participação do presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Breno Monteiro, e moderação do diretor Jurídico da mesma entidade, Marcos Ottoni. “Em 179 países do mundo que operam com o IVA, em 82% a saúde não é tributada. Sabíamos que seria difícil aprovar alíquota zero para o nosso setor, por isso, passamos a defender que não houvesse aumento de carga tributária. Fomos bem-sucedidos, com a redução de 60% da alíquota. É uma conquista que traz justiça e isonomia a esse setor tão importante para a população”, afirmou Monteiro, ressaltando que a CNSaúde participou de mais de 200 reuniões no Congresso para que esse resultado pudesse ser alcançado.

A desoneração da folha de salários para a saúde foi defendida durante os debates pelo deputado federal Pedro Westphalen. “Ela passou a ser fundamental após a aprovação da lei 14.434, que cria pisos salarias nacionais para os profissionais da enfermagem”. Por fim, o deputado Vitor Lippi lembrou que o Simples nacional não mudará com a aprovação da reforma tributária. “Isso contempla 80% das empresas nacionais, que tem faturamento anual de até R$ 4,6 milhões”.

No final do evento, os presidentes das entidades promotoras concordaram que, com o que foi exposto, a reforma tributária é necessária e urgente. “Ela interessa antes de tudo ao cidadão, por isso temos que nos empenhar para que ela seja aprovada esse semestre pelo Senado”, finalizou o presidente do SindHosp, Francisco Balestrin.

Manifesto

Na saída do evento, o SindHosp, AMB e APM entregaram aos participantes um manifesto que pede a manutenção da atual carga tributária para as sociedades uniprofissionais e ampliação do percentual de redução da alíquota para 70%.

Clique aqui e leia a íntegra do manifesto

Pesquisa SindHosp mostra que mais de 90% dos hospitais paulistas não registraram aumento de SRAG

No entanto, outras doenças respiratórias ainda respondem por 77% das internações hospitalares no Estado

A última pesquisa realizada pelo SindInfo, núcleo do SindHosp reponsável, entre outras atribuições, por estudos, dados e pesquisas, foi realizada no período de 03 a 11 de agosto e ouviu 79 hospitais privados paulistas, sendo 41 da Grande São Paulo (52%) e 38 do interior (48%). O objetivo do levantamento foi conhecer quais as doenças atualmente prevalentes nos hospitais privados paulistas, com foco na Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e pneumonia. O levantamento mostrou que 90% dos hospitais paulistas não registraram aumento de casos de SRAG nos últimos 15 dias.

Questionados se o número de internações de pacientes por SRAG aumentou nos últimos 15 dias, 93% dos hospitais informaram que não houve aumento de internações de pacientes infantis e 96% que não houve aumento de internação de adultos. Também no pronto atendimento (PA), 80% dos hospitais relataram aumento de atendimento de crianças em nível abaixo de 20% e, 91%, tiveram aumento de assistência de adultos também abaixo de 20%.

Segundo o presidente do SindHosp, Francisco Balestrin, os dados indicam que as SRAGs diminuíram significativamente nos hospitais, dando lugar a outras doenças respiratórias típicas do inverno. “Importante é que a população continue seguindo o calendário de vacinação”, recomenda o médico e dirigente.

Outra pergunta referiu-se ao aumento de pacientes SRAG que evoluíram para pneumonia com necessidade de internação. 94% dos hospitais relataram que esses casos em crianças tiveram aumento em níveis abaixo de 20%, enquanto 93% relataram o mesmo índice em adultos.

As doenças prevalentes nas internações hospitalares de adultos e crianças, na maioria dos hospitais, referem-se a doenças crônicas (88%), outras doenças respiratórias que não SRAG (77%) e viroses em geral (41%).

O SindHosp agradece aos 79 hospitais que participaram do levantamento. Para conhecer os resultados na íntegra clique aqui

A transformação que a tecnologia impõe à gestão da saúde foi tema de workshop

O SindEduca, plataforma de educação do SindHosp, realizou em 8 de agosto o workshop “Como a tecnologia pode transformar a gestão da saúde?”. O evento, que foi híbrido e acompanhado por cerca de cem participantes, contou com a participação do médico, CEO e co-founder do Medportal, empresa de tecnologia voltada à educação em saúde, Thiago Constancio. “Um dos grandes desafios dos gestores, atualmente, é encontrar o equilíbrio entre a tecnologia e a transformação das pessoas que colaboram com a organização. Por isso, capacitar e treinar a equipe é fundamental em um processo constante de inovação”, afirmou a diretora Executiva do Sindicato, Larissa Eloi, na abertura do evento.

A Medportal atende, atualmente, a milhares de profissionais da saúde. Dados da empresa, com base em 300 clientes de todo o país, mostram que a plataforma reduziu em 70% os treinamentos presenciais e está contribuindo para que cada profissional consuma oito vezes mais conteúdo. “Quem se beneficia diretamente com isso são os pacientes, que estão no centro da assistência e do sistema de saúde”, afirma Thiago Constancio. Segundo ele, não vivemos um tempo de mudanças, mas a mudança do tempo. “A nossa percepção dos acontecimentos é linear, mas o futuro é exponencial, é agora”.

Na visão do CEO da Medportal, aplicativos e sites de inteligência artificial, como o ChatGPT, trazem uma revolução não só tecnológica, mas intelectual e cognitiva também. “No Brasil, as novas tecnologias mudarão a forma como prestadores de serviços e operadoras de planos de saúde atuam. Viveremos um novo paradigma de mudanças contínuas. Ondas disruptivas continuarão a incomodar e os gestores da saúde serão obrigados a se antecipar ao futuro”, acredita Constancio, lembrando que a tecnologia é apontada como o fator mais relevante para a entrega de valor ao paciente.

A rapidez com que as inovações são incorporadas e os novos desafios tecnológicos impõem aos líderes o desenvolvimento de habilidades como honestidade, boa comunicação, criatividade, confiança, compromisso, atitude positiva, sintonia com as pessoas, delegação, intuição e capacidade de inspirar. O líder digital é um facilitador, um aprendiz que está constantemente conectado, é visionário, criador de futuro, eficiente, guiado por dados e criativo. “As organizações mais inteligentes se preparam para o futuro, não esperam ele chegar. O líder digital precisa estar atento a isso”, ensina o CEO da Medportal.

Entre as tendências para o setor da saúde, o palestrante elencou o espelhamento digital em tempo real dos dados vitais do cidadão (digital twin), maior foco na prevenção e no autocuidado, telemedicina ainda mais conectada, novas startups e aplicativos voltados à saúde da mulher (femtechs) e o compartilhamento de informações em saúde (open health). “O SindEduca vem ao encontro de todas essas necessidades, ao capacitar e desenvolver a força de trabalho dos estabelecimentos de saúde”, enfatiza Constancio.

Clique aqui e acesse agora o SindEduca.

Debate

Durante o debate, a diretora Executiva do SindHosp, Larissa Eloi, lembrou que na população paulista apenas 13% dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) tiveram experiência com a telemedicina. O dado é fruto da pesquisa de opinião pública “Mapa do Acesso da Saúde de São Paulo”, realizada pelo Sindicato em parceria com o Instituto Qualibest. “Como vencer o desafio do acesso olhando também para a realidade dos hospitais, clínicas e laboratórios de diferentes portes e complexidades?”, questionou Eloi. Thiago Constancio reconhece as dificuldades de infraestrutura existentes no país e foi categórico ao afirmar que “só conseguiremos gerar um impacto positivo real na vida das pessoas quando os usuários do SUS tiverem mais acesso à internet e às novas tecnologias”. Segundo o CEO, a Medportal tem um sonho: que todo paciente receba o melhor cuidado pelo profissional mais bem capacitado.

Se quiser conhecer a íntegra da pesquisa Mapa do Acesso da Saúde de São Paulo clique aqui

Sobre os benefícios que o compartilhamento de dados pode trazer para a gestão das organizações de saúde, Constancio admite que temos um longo caminho a percorrer para que os dados estejam 100% seguros. “O potencial, porém, é imenso. Isso pode beneficiar muita gente”. Outra questão levantada pelo público é se a empresa deve desenvolver uma solução caseira ou procurar sistemas junto a alguma empresa de tecnologia. “O mercado já atende de 90% a 95% das necessidades dos estabelecimentos de saúde. A minha experiência profissional mostra que sistemas próprios levam a perda de tempo e de recursos. A orientação é que o gestor busque empresas parceiras, afinal, também é função da tecnologia aproximar pessoas”.

Por fim, Larissa Eloi perguntou ao CEO da Medportal como saber a hora certa de requalificar a força de trabalho. “Gestores e profissionais precisam estar abertos a mudanças, dispostos a se reinventar e aprender diariamente. Instituições inteligentes investem no aperfeiçoamento profissional contínuo”, finalizou Thiago Constancio.

Próximo evento

Com o tema “Cibersegurança: desafios e soluções para a área da saúde”, o próximo workshop do SindEduca acontece no dia 17 de agosto, das 9h às 12h, de forma híbrida. O evento terá as participações do líder de Resposta a Incidentes na VipRede, Diogo Manfré; do sócio e chief Security Officer (CSO) da VipRede, Guilherme Iglesias; do diretor de Enterprise na Kaspersky Brasil, Carlos Baleeiro; e do diretor Executivo de Tecnologia da Informação (TI) da Kora Saúde, Alex Julian. O presidente do SindHosp fará a abertura do evento, que terá a moderação da diretora Executiva, Larissa Eloi.

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Nova pesquisa SindHosp levanta panorama da SRAG nos hospitais privados

O SindHosp, através do seu Núcleo de Informação e Conteúdo (NIC), lançou uma nova pesquisa junto aos hospitais privados paulistas, em 3 de agosto, para conhecer o panorama de pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e outras doenças prevalentes. O levantamento tem os seguintes objetivos:

▪ Levantar se cresceu o número de pacientes adultos e infantis com SRAG atendidos nos serviços de urgência e emergência dos hospitais, bem como o percentual desse aumento;

▪ Se esses atendimentos em pronto-socorro se transformaram em internação

▪ Em caso afirmativo, qual a taxa de ocupação dos leitos clínicos e de UTI de pacientes adultos e de crianças com doenças respiratórias

▪ Qual a média de permanência desses pacientes nos leitos clínicos e nos leitos intensivos

▪ Qual o percentual de aumento dos pacientes adultos e infantis com SRAG que foram diagnosticados com pneumonia e necessitaram de internação hospitalar nos últimos 15 dias

▪ Quais outras doenças estão prevalecendo e levando adultos e crianças a internações nos hospitais privados paulistas.

            A pesquisa tem apenas dez perguntas e tempo médio estimado para resposta de três minutos. Todos os hospitais representados pelo SindHosp no Estado de São Paulo estão sendo convidados a participar desse levantamento. Os resultados serão levados ao conhecimento da população e das autoridades estaduais da saúde. “Com isso contribuímos para um melhor esclarecimento das pessoas sobre as doenças respiratórias, que historicamente aumentam no período de inverno, e levantamos outros problemas que, porventura, estejam ocorrendo com os hospitais”, afirma a diretora Executiva do SindHosp, Larissa Eloi.            

O SindHosp conta com a colaboração dos hospitais representados.

Workshop aborda as competências do futuro em um mundo policrise

O SindHosp realizou, no dia 25 de julho, o workshop “As Competências do Futuro em um Mundo Policrise”. Trata-se do primeiro evento atrelado ao portal de educação do Sindicato, o SindEduca. “É com muita alegria que iniciamos essa série de encontros sobre gestão, que faremos quinzenalmente sempre abordando temas que impactam no clima organizacional e nos resultados das organizações”, afirmou a diretora Executiva do SindHosp, Larissa Eloi, durante a coordenação do workshop.

O evento contou com a participação de Lísia Prado, sócia da House of Feelings, e de Anderson Cabral, consultor da Cabral e da House of Feelings. Antes de abordar o que cada palestrante trouxe de conteúdo para os gestores dos estabelecimentos representados pelo SindHosp, é importante entender o conceito da palavra “policrise”. Poli vem do grego “polys”, que traz em seu conceito a ideia de vários. Crise tem duas origens. No latim, serve para retratar o estado de caos ou incerteza; já no grego, “krísis” representa dividir ou separar. “Isso significa que a palavra crise carrega em sua essência o poder de decisão. No mundo policrise tudo acontece em ritmo acelerado e simultaneamente em todos os cantos do planeta, como os avanços tecnológicos, as pressões ambientais, guerras políticas, barreiras internacionais, entre outros pontos. Precisamos, como gestores, questionar quais os impactos dessa aceleração e transformação constantes na nossa forma de pensar e de gerir o nosso time”, sugere o consultor Anderson Cabral.

As características da geração Z, que prefere estar desempregada a infeliz no trabalho, o aumento expressivo dos casos de Bournout, as revelações recentes de problemas psicológicos por atletas de grande performance, as sequelas mentais deixadas pela pandemia de Covid-19 e decisões internacionais que impactam no dia a dia de toda a sociedade têm feito as empresas repensarem suas gestões, criando cargos e áreas até então inexistentes, como a diretoria de Saúde Mental, uma iniciativa da Ambev. “Esse contexto não é para amedrontar ninguém, pelo contrário. Com tantos desafios, precisamos desenvolver nossa capacidade de ser possibilistas e abraçarmos a incerteza. Mas não podemos nunca esquecer que os resultados só chegam através das pessoas”, lembra Cabral.

O último Fórum Econômico Mundial, que aconteceu em Davos, elencou os quatro desafios da gestão na nova era: criatividade com originalidade; aprendizado ativo e autogestão; flexibilidade e adaptabilidade; e liderança e influência social. O evento também reportou as dez habilidades dos profissionais do futuro:

  1. Pensamento analítico (habilidade cognitiva)
  2. Pensamento criativo (habilidade cognitiva)
  3. Resiliência, flexibilidade e agilidade (autoeficácia)
  4. Motivação e autoconhecimento (autoeficácia)
  5. Curiosidade e formação contínua
  6. Capacidade de absorção e conhecimento tecnológico (habilidade tecnológica)
  7. Confiabilidade e atenção aos detalhes (autoeficácia)
  8. Empatia e escuta ativa (trabalhar com os outros)
  9. Liderança e influência social (trabalhar com os outros)
  10. Controle de qualidade (competência de gestão)

No tempo reservado ao debate, a diretora Executiva do SindHosp, Larissa Eloi, perguntou à sócia da House of Feelings, Lísia Prado, como os gestores podem desenvolver confiança em um mudo que troca o tato pelo virtual e é recheado de fake news. “O lado emocional do ser humano não acompanha a velocidade do mundo e das transformações. Cabe às organizações ajudarem suas lideranças, que vivem sob extrema pressão. O equilíbrio é o ponto. Às vezes não temos o poder de mudar as coisas, mas temos o poder de nos adaptar”, orienta Lísia Prado.

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Próximo workshop acontece dia 08 de agosto

O próximo workshop do SindEduca acontece no dia 8 de agosto, das 15h às 16h30. Com o tema “Como a Tecnologia pode Transformar a Gestão da Saúde?”, o evento terá a participação de Thiago Constancio, médico, CEO e co-founder do Medportal, sob a coordenação da diretora Executiva do SindHosp, Larissa Eloi.

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impactos da reforma tributária

Workshop da Saúde debate impactos da reforma tributária

O SindHosp realizou, em 28 de março, o Workshop da Saúde “Impactos da Reforma Tributária em Números”. O evento, que aconteceu na sede do Sindicato, na Capital, e também on-line, reuniu cerca de 180 participantes e contou com a moderação de Renato Nunes, advogado tributarista e sócio do escritório de advocacia Machado Nunes; Alberto Macedo, doutor em Direito Econômico, Financeiro e Tributário pela USP e autor do livro “Como Desatar o Nó dos Tributos no Brasil?”; e Gustavo Madi, diretor da LCA Consultores.

“Na proposta de reforma tributária que está sendo discutida pelo governo alguns setores da economia ganham e outros perdem. Infelizmente, o setor de serviços, no qual a saúde se inclui, é o maior prejudicado. Além dessa discussão, temos outros desafios no horizonte, como a lei do piso da enfermagem, já que até o momento não há fontes de custeio definidas, e a reforma trabalhista. Portanto, 2023 é um ano estratégico e estamos atentos aos desdobramentos e andamento das discussões”, afirmou o presidente do SindHosp, Francisco Balestrin, na abertura do Workshop.

Os painéis

Alberto Macedo iniciou sua apresentação lembrando que as audiências públicas que estão sendo conduzidas pelo Grupo de Trabalho (GT) criado pelo governo para debater a reforma tributária estão focadas “apenas” nas Propostas de Emendas Constitucionais (PECs) 45 e 110. Ambas unificam tributos sobre o consumo, como IPI, ISS, ICMS, PIS e Cofins, e criam um imposto nos moldes do IVA – Imposto sobre Valor Agregado, existente em diversos países. “Esse tipo de imposto beneficia produtos com cadeia longa de produção, o que não acontece com os serviços, que têm cadeia monofásica e seu maior custo é com a folha de pagamentos, que não gera crédito tributário. Por isso que essas propostas aumentam a carga tributária para o setor de serviços”, explicou Macedo, frisando a necessidade de um diagnóstico mais preciso sobre as mudanças que são realmente necessárias no sistema. “Infelizmente, esse debate profundo não está ocorrendo”.

Os defensores das PECs 45 e 110 alegam, por exemplo, que o setor de serviços paga menos impostos que a indústria e que a reforma trará crescimento econômico. “As duas alegações são falaciosas. A atual carga tributária total da indústria atualmente oscila entre 23,6% e 33%, enquanto o setor de serviços fica entre 24,9% e 35%. Além disso, reformar o sistema tributário não é determinante para o crescimento econômico”, defendeu Alberto Macedo. Como alternativa às duas propostas em discussão, ele defende a PEC 46, que foi protocolada em dezembro passado pelo senador Oriovisto Guimarães. Segundo o doutor em direito Econômico, Financeiro e Tributário, essa proposta não transfere carga tributária entre os setores, não aumenta impostos, garante mais segurança jurídica, mantém o equilíbrio entre os entes federativos e simplifica o sistema.

Entre as premissas da PEC 46 estão unificar as legislações e sistemas dos 27 Estados e dos 5.568 municípios (ICMS e ISS), ICMS preponderante no destino com número restrito de alíquotas, documento fiscal eletrônico parametrizado com guia de arrecadação única e o fortalecimento da não cumulatividade. Na data da realização do Workshop da Saúde, deputados ruralistas divulgaram apoio à PEC 46.

Para Gustavo Madi, da LCA Consultores, a cumulatividade é o grande problema do modelo atual, pois tira a competitividade do país. “É por isso que o Brasil exporta produtos mais simples, sem cadeia longa de produção e com menor valor agregado. Reformar o sistema tributário não é garantia de crescimento econômico, mas é, sim, uma expectativa”, defendeu Madi. Além disso, outros benefícios são esperados, de acordo com o palestrante, como melhoria do ambiente de negócios, incentivo ao investimento, maior competitividade interna e externa, mais cooperação entre os entes da Federação (fim da “guerra fiscal”), transparência para os contribuintes e diminuição do litígio tributário, que hoje atinge 75% do Produto Interno Bruto (PIB).

Cálculos da consultoria mostram que a implementação de uma alíquota única de IVA de 26,9% para todos os setores econômicos fará a carga tributária dos prestadores de serviços de saúde privados mais que dobrar, passando dos atuais 9,9% para 26,9%. Isso trará um impacto na demanda das famílias de R$ 11 bilhões e pode gerar uma migração de beneficiários do setor suplementar para o SUS, onerando ainda mais os cofres públicos.

Uma análise dos modelos tributários internacionais vigentes em 118 países mostra que em 76% deles não há tributação sobre serviços de saúde e, em outros 6%, a alíquota é reduzida. Dos 35 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 28 possuem algum tipo de tratamento diferenciado ou isenção para o setor da saúde. “Faz todo sentido que o Brasil também adote tratamento especial para um setor tão importante e de interesse público, como a saúde”, finalizou Gustavo Madi.

Outros eventos

Este e outros temas de relevância política, setorial ou de gestão serão abordados nos próximos eventos do SindHosp. Clique aqui e acesse o nosso calendário.

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