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Ana Paula

SindHosp orienta instituições sobre fim da escala 6×1

Grupos Técnicos Jurídico e de Gestão de Pessoas esclareceram impactos nas escalas assistenciais, negociações coletivas, custos e contratos públicos

 

A reorganização das escalas nos serviços de saúde que funcionam 24 horas por dia é um dos principais desafios do fim da escala 6×1. A mudança exige planejamento para garantir a continuidade da assistência.

Promulgada em 16 de outubro de 2026, a Emenda Constitucional (EC) nº 141/2026 estabelece que, a partir de 16 de dezembro de 2026, a jornada máxima passará de 44 para 42 horas semanais, com dois dias de Descanso Semanal Remunerado (DSR), sem redução salarial. Em 16 de dezembro de 2027, o limite cairá para 40 horas. Quem já cumpre jornada de até 40 horas manterá a carga horária, mas também deverá ter dois repousos semanais, um deles preferencialmente aos domingos.

As mudanças foram apresentadas em reunião online dos Grupos Técnicos Jurídico e de Gestão de Pessoas do SindHosp, realizada em 4 de novembro e conduzida por Daniela de Andrade Bernardo, diretora jurídica da FESAÚDE.

Regulamentação e negociação coletiva

Daniela Bernardo relatou as articulações do setor junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, o Legislativo e a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) para considerar as particularidades da assistência contínua. Até a data de realização da reunião, não havia regulamentação específica para os serviços essenciais.

Também foi abordada a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ao Supremo Tribunal Federal (STF). A entidade pede a ampliação do prazo de transição e questiona os efeitos das mudanças sobre contratos e convenções coletivas. Até o encontro, também não havia decisão que suspendesse as novas regras.

Em 16 de dezembro de 2026, dois meses após a publicação da EC 141/2026, perderão eficácia as cláusulas de acordos e convenções coletivas sobre duração do trabalho e DSR incompatíveis com as novas disposições. O prazo reforça a urgência das negociações com os sindicatos profissionais.

Entre as alternativas discutidas está a distribuição das 42 horas semanais em cinco dias de oito horas e 24 minutos. Também são estudadas jornadas de até dez horas diárias e compensações que assegurem a média mensal de dois repousos por semana, respeitado o descanso semanal obrigatório. Essas possibilidades dependem de negociação coletiva.

A previsão era acompanhar possíveis definições até 9 de novembro e, caso não surgissem orientações suficientes, avançar nas negociações, incluindo a revisão das cláusulas de banco de horas e compensação de jornada.

Escalas 12×36 e 6×2

Na escala 12×36, algumas convenções coletivas paulistas já preveem folgas adicionais que resultam em média de 36 horas semanais. A adequação depende das cláusulas vigentes e da concessão efetiva dos descansos. A manutenção da escala 6×2 exige atenção às regras de repouso e, quando necessário, negociação coletiva. Já a jornada de 36 horas distribuída em seis dias poderá ser reorganizada em cinco dias de sete horas e 12 minutos, com ajuste do intervalo intrajornada.

No teleatendimento, a Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17) estabelece limites de jornada, intervalos e pausas específicos. A ampliação da jornada diária para manter 36 horas semanais em cinco dias dependeria de autorização coletiva.

As mudanças também afetam o descanso dominical, a programação de férias e o tratamento das faltas injustificadas. Permanecem válidas as disposições da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sobre repouso dominical feminino e a proibição de iniciar férias nos dois dias anteriores a feriados ou descansos semanais.

A redução da jornada sem alteração salarial aumenta o valor da hora trabalhada. Em equipes com profissionais que exercem a mesma função, mas cumprem jornadas de 220 e 200 horas mensais, a mudança pode gerar pedidos de equiparação salarial. Pisos, divisores, benefícios e eventual necessidade de recomposição das equipes também exigem avaliação. A ampliação da jornada de 36 para 40 horas semanais depende da concordância do empregado e de aumento proporcional da remuneração.

Contratos com o SUS e fiscalização

Para instituições que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS), a orientação foi revisar os contratos e procurar os gestores públicos. A EC 141 prevê aditamento, no prazo de até um ano, para preservar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos públicos vigentes na data de sua publicação e cuja execução envolva emprego direto de mão de obra. A redução da jornada nesses casos será aplicada após o aditamento ou o término desse prazo. O tratamento diferenciado não se aplica aos dois descansos semanais.

A diretora Jurídica da FESAÚDE também abordou a fiscalização das jornadas, o uso habitual de horas extras, as dobras de plantão e os riscos psicossociais relacionados à organização do trabalho. A elaboração das escalas de dezembro exige planejamento, diante das dificuldades apontadas para alterar horários no decorrer do mês, atualizar os registros no eSocial e comunicar as mudanças aos empregados.

A orientação foi envolver as áreas jurídica, de recursos humanos e de contabilidade, formalizar os ajustes e evitar decisões precipitadas diante da possibilidade de novas regulamentações. Sobre a necessidade de documentação, Daniela Bernardo reforçou: “Não façam as coisas sem fazer aditivo”.

O encontro marcou a retomada das atividades do Grupo Técnico Jurídico, com reuniões periódicas previstas para 2027. O grupo de WhatsApp foi reativado para compartilhar materiais, receber dúvidas dos associados e facilitar a convocação de reuniões extraordinárias.

Você tem dúvidas sobre o fim da escala 6×1. Clique aqui e acesse o FAQ elaborado pelo SindHosp.

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Anvisa prorroga prazo de transição das RCE e RET para março de 2027

Em Reunião da Diretoria Colegiada realizada na quinta-feira, 29 de outubro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a prorrogação da fase de transição aplicável às Receitas de Controle Especial (RCE) e às Receitas Sujeitas à Retenção (RET) no âmbito do Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR).

Com a decisão, o encerramento da fase de transição, anteriormente previsto para 30 de outubro de 2026, foi postergado para 3 de março de 2027. A medida permitirá um período adicional de quatro meses para adaptação dos profissionais prescritores, estabelecimentos de saúde, farmácias e demais agentes envolvidos na implementação do sistema.

A decisão reflete o diálogo construído entre a Anvisa, parlamentares e representantes do setor de saúde, destacando-se a atuação da Frente Parlamentar em Defesa dos Serviços de Saúde, que apresentou à Agência pleito formal defendendo a necessidade de ampliação do período de transição. A iniciativa teve como articulador o deputado federal Pedro Westphalen (PP-RS), que liderou os esforços junto à Agência em defesa de uma implementação gradual, responsável e alinhada às necessidades dos pacientes e dos serviços de saúde.

A FESAÚDE e o SindHosp assinaram, ao lado de outras entidades da saúde, ofício que pleiteava a prorrogação do faseamento das RCE e RET. Clique aqui e acesse a íntegra do ofício.

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Ministério da Saúde institui a Política Nacional de Informação e Saúde Digital no SUS

O Ministério da Saúde instituiu, através da Portaria GM/MS nº 12.301, assinada em 27 de outubro de 2026 e publicada em edição extra do Diário Oficial da União em 28 de outubro, a Política Nacional de Informação e Saúde Digital (PNISD) no Sistema Único de Saúde (SUS). A norma entra em vigor na data da publicação e acrescenta o Anexo XLVI à Portaria de Consolidação GM/MS nº 2, de 2017.

A finalidade é fortalecer o SUS por meio da transformação digital, colocando o cidadão no centro do cuidado, unificando o histórico clínico e provendo a telessaúde. Entre os objetivos estão ampliar a interoperabilidade dos sistemas de saúde públicos e privados, priorizar a conectividade em regiões com menor acesso digital, abrir dados, ampliar o letramento digital e fomentar a inteligência artificial em saúde, com supervisão humana e gestão de riscos.

Entre os princípios estão a proteção dos dados pessoais de saúde, a autodeterminação informativa, o direito do titular ao acesso facilitado às suas informações e a soberania digital. Uma das diretrizes é consolidar a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) como plataforma de interoperabilidade do ecossistema de dados do SUS e federalizá-la, com acesso direto de estados e municípios aos dados de seus territórios.

A coordenação nacional cabe ao Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Informação e Saúde Digital. A Comissão Intergestores Tripartite (CIT) pactua os aspectos operacionais, financeiros e administrativos. As comissões bipartites e, quando couber, as regionais fazem a adaptação territorial, e os conselhos de saúde exercem o controle social. Um Grupo Executivo da Inovação em Saúde Digital (GEDIGI) ainda será instituído por ato normativo específico.

Próximos passos

Em até 180 dias, contados da publicação, a CIT deverá pactuar o Plano de Ação de Transformação para a Saúde Digital do SUS. O plano terá referência bianual, será publicado pelo Ministério da Saúde e deverá trazer um capítulo de monitoramento e avaliação, com cronograma, metas e indicadores.

Ministério, secretarias estaduais e municipais têm competências próprias, entre elas adotar o CPF como identificador prioritário de usuários do SUS nos sistemas sob sua gestão. Os estabelecimentos de saúde deverão, gradativamente, adaptar seus sistemas para interoperar com a RNDS. Profissionais respondem pela autoria e pela qualidade dos dados que registram.

O Ministério destinará recursos aos fundos de saúde de estados, Distrito Federal e municípios e poderá firmar termos de execução descentralizada e convênios, conforme atos específicos e a disponibilidade orçamentária. Os critérios incluem disparidades regionais, maturidade digital e adesão à política.

A FESAÚDE e o SindHosp estão atentos aos desdobramentos da Política Nacional de Informação e Saúde Digital no SUS e analisando como podem participar de forma mais ativa do Grupo Executivo de Inovação em Saúde Digital (GEDIGI). Acompanhe neste site e nos canais digitais das entidades mais informações sobre o assunto.

Clique aqui e acesse a íntegra da Portaria GM/MS nº 12.301/2026.

 

Com informações do Atlas Público

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Fim da 6×1 exige adequações nas jornadas de trabalho

Reunião do SindHosp e da FESAÚDE abordou prazos, remuneração, negociação coletiva e desafios para manter a assistência

A redução gradual da jornada de trabalho e a ampliação dos dias de descanso exigirão que hospitais e outros serviços de saúde avaliem suas escalas, contratos e critérios de remuneração. Os impactos da Emenda Constitucional (EC) 141/2026 foram discutidos na reunião extraordinária online promovida pelo SindHosp e pela FESAÚDE na quarta-feira, 21 de outubro.

O encontro contou com a participação de Francisco Balestrin, presidente do SindHosp e da FESAÚDE, e de Daniela de Andrade Bernardo, diretora jurídica das entidades. Na abertura, Balestrin informou que quase 300 pessoas acompanhavam a reunião e destacou a necessidade de preparar as instituições para mudanças que afetam serviços com funcionamento ininterrupto.

Promulgada em 16 de outubro, a EC 141/2026 reduz a jornada máxima de 44 para 42 horas semanais a partir de 16 de dezembro de 2026 e para 40 horas em 16 de dezembro de 2027, sem redução salarial, inclusive dos pisos. Também prevê dois dias de repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, regra que passa a valer em dezembro deste ano. Jornadas já fixadas em 40 horas ou menos não terão redução proporcional obrigatória.

Escalas e negociação coletiva

Bernardo explicou que os dois dias de descanso não precisam ser consecutivos. Acordos ou convenções coletivas podem estabelecer regimes compensatórios, desde que assegurem a média de duas folgas semanais e pelo menos um descanso dentro do período máximo de uma semana de trabalho.

Para os estabelecimentos, a discussão envolve também jornadas inferiores ao limite constitucional, mas distribuídas ao longo de seis dias. A diretora jurídica apresentou o exemplo de uma jornada de 36 horas semanais, cumprida em seis dias de seis horas, que poderia passar para cinco dias de sete horas e 12 minutos, com duas folgas, sem ultrapassar o limite diário de oito horas.

A escala 12×36 também foi examinada. Segundo a análise apresentada, as convenções coletivas negociadas no estado de São Paulo que já preveem duas folgas adicionais nesse regime contemplam, na média, os dois descansos semanais remunerados exigidos pela nova regra. Nesses casos, a manutenção do modelo encontra respaldo nas condições já pactuadas, observadas as disposições de cada instrumento coletivo.

A especialista alertou que cláusulas de acordos e convenções coletivas incompatíveis com a emenda perderão efeito a partir de 16 de dezembro deste ano. A reorganização das jornadas poderá exigir negociação coletiva ou ajustes contratuais, conforme cada situação.

Remuneração e contratos públicos

A preservação dos salários durante a redução da jornada foi outro ponto discutido. Bernardo observou que a ampliação dos repousos semanais pode ter reflexos diferentes para mensalistas, horistas e trabalhadores que recebem comissões ou por produção.

Foram abordados os divisores utilizados no cálculo do salário-hora, que relacionam a remuneração mensal à jornada de trabalho, os reflexos das horas extras e a adaptação dos sistemas de folha de pagamento. A diretora jurídica apontou dúvidas interpretativas que ainda precisam de esclarecimento, especialmente sobre os critérios de cálculo, e recomendou a análise das situações de profissionais que exercem a mesma função com jornadas distintas.

Nos contratos vigentes com a administração pública cuja execução envolva emprego direto de mão de obra, a emenda prevê aditamentos para preservar o equilíbrio econômico-financeiro, ou seja, a relação entre custos e condições contratuais. Esses ajustes deverão ser formalizados em até um ano da publicação da norma, observadas as condições e os prazos previstos no texto constitucional.

Continuidade da assistência

Balestrin questionou se o setor está preparado para a mudança e se haverá profissionais suficientes para cobrir as escalas. Bernardo apontou dificuldades operacionais relacionadas à escassez de mão de obra qualificada e ao tempo necessário para formar profissionais em determinadas atividades.

A diretora jurídica citou jornadas diferenciadas que ajudam a garantir atendimento fora dos grandes centros, como o deslocamento de profissionais de radiologia para cidades do interior. A reorganização, explicou, precisa considerar os direitos dos trabalhadores e a continuidade do atendimento aos pacientes.

Entre as medidas sugeridas estão o mapeamento de jornadas, turnos e necessidades de cobertura assistencial, a revisão dos instrumentos coletivos, a identificação de parcelas variáveis na remuneração e a avaliação dos contratos públicos que possam exigir adequações. Ao encerrar, Balestrin informou que o SindHosp e a FESAÚDE iniciaram conversas com outras entidades para discutir uma posição setorial sobre a regulamentação.

“O fato é que o papel dos sindicatos patronais, que negociam os acordos e convenções coletivas, ganham ainda mais relevância nesse momento de regulamentação e implementação da EC 141. O ano de 2027 será desafiador, por isso, é imprescindível que os estabelecimentos de saúde paulistas fortaleçam o SindHosp e os demais sindicatos representativos da FESAÚDE”, lembra Francisco Balestrin.

Em breve, acompanhe neste site um tira-dúvidas sobre o fim da 6×1, elaborado a partir das perguntas enviadas pelos participantes da reunião. Novos encontros para debater o assunto também serão realizados. Acompanhe e siga os canais digitais do SindHosp!

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GT de Qualidade Assistencial analisa impactos do Estatuto dos Direitos do Paciente

Encontro também abordou a revisão de rotinas assistenciais e experiências de gestão de riscos

 

A revisão dos procedimentos de consentimento, de acesso a prontuários e de gestão de riscos está entre os pontos de atenção para os serviços de saúde diante do Estatuto dos Direitos do Paciente e da nova Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente. As repercussões dessas normas foram discutidas na quinta-feira, 22 de outubro, em reunião online do Grupo Técnico (GT) de Qualidade Assistencial do SindHosp.

A reunião foi coordenada por Priscila Rosseto de Toledo, gerente executiva de Governança e Inovação Clínica do Hcor, que apresentou o Estatuto dos Direitos do Paciente. A exposição sobre a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente ficou a cargo de Isabel Pimentel, enfermeira da área de qualidade e segurança do paciente do mesmo hospital, que também compartilhou experiências da instituição na gestão de riscos assistenciais.

Direitos na relação de cuidado

Rosseto explicou que a Lei nº 15.378/2026 reúne direitos antes previstos em normas dispersas. O Estatuto abrange serviços públicos e privados, inclusive o atendimento domiciliar. Entre os direitos estão a informação sobre tratamentos, o consentimento informado, a recusa de procedimentos, a segunda opinião, a privacidade e a cópia gratuita do prontuário, sem necessidade de justificativa.

A coordenadora diferenciou o acompanhante, que oferece apoio, do representante indicado por escrito pelo paciente para decidir quando ele não puder manifestar sua vontade. Abordou também as diretivas antecipadas de vontade, os cuidados paliativos e a participação de estudantes nos atendimentos, com supervisão e informação ao paciente.

Rosseto relatou que o Hcor revisa sua política de direitos e responsabilidades com a participação de um conselho de pacientes. Também citou casos judiciais envolvendo prontuários, acompanhantes em unidades de terapia intensiva e consentimentos inadequados e defendeu o fortalecimento dos canais de acolhimento e resolução de conflitos. Para os associados, a discussão reforçou a necessidade de revisar os fluxos de informação, consentimento e atendimento às solicitações dos pacientes.

Segurança e gestão de riscos

Pimentel detalhou a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente, instituída pela Portaria GM/MS nº 11.527, de 9 de junho de 2026. A norma está em vigor e prevê implementação progressiva no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo serviços públicos e privados vinculados à rede. O Estatuto possui abrangência mais ampla.

A política reúne sete princípios, 15 diretrizes e seis dimensões voltadas à prevenção de danos, à participação dos pacientes e à continuidade da assistência. Entre as prioridades estão a segurança medicamentosa e a prevenção de infecções, quedas e lesões por pressão. A alta hospitalar foi citada como exemplo da importância de orientações claras e da comunicação entre serviços.

Nos estabelecimentos abrangidos, as diretrizes envolvem mapear riscos, revisar processos e acompanhar indicadores assistenciais. Segundo Pimentel, o aumento das notificações de incidentes pode refletir maior confiança das equipes para relatar falhas, sem indicar necessariamente piora da assistência.

Pimentel também abordou o apoio psicológico aos profissionais envolvidos em eventos adversos. Ao apresentar a experiência do Hcor, destacou ações preventivas, auditorias e o uso do Protocolo de Londres na investigação de incidentes. O hospital acompanha a efetividade das medidas corretivas e mantém procedimentos de comunicação transparente com pacientes e familiares.

Orientações aos associados

No encerramento, José Antônio Maluf de Carvalho, diretor técnico-científico da FESAÚDE, destacou o papel das lideranças na cultura de segurança e anunciou a preparação de uma cartilha eletrônica sobre o Estatuto. O material, desenvolvido com a área jurídica do SindHosp e revisado por Aline Albuquerque, que participou da construção da legislação, será disponibilizado aos associados.

A FESAÚDE também promoverá uma série de webinars para orientar a aplicação dos direitos dos pacientes em diferentes ambientes assistenciais, incluindo instituições de longa permanência para idosos, consultórios e prontos-socorros.

 

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Conheça os Inegociáveis da Saúde

Uma agenda voltada à ampliação do acesso, ao aumento da resolutividade, à elevação da qualidade assistencial, à redução dos desperdícios e à construção de um sistema mais equilibrado e eficiente

 

Esse é o objetivo dos 5 Inegociáveis da Saúde (5is) – Uma agenda para as lideranças políticas brasileiras 2027-2030. A iniciativa do documento é da FESAÚDE e do SindHosp, conta com o apoio da ARCA e objetiva contribuir com o debate público, apresentando cinco pilares estruturantes para a evolução do sistema de saúde brasileiro. “Os 5is colocam o paciente no centro do cuidado e formam um conjunto de princípios interdependentes que têm um propósito comum: construir um sistema de saúde mais seguro, eficiente e sustentável”, destaca o presidente da FESAÚDE e do SindHosp, Francisco Balestrin.

Com as eleições majoritárias, as entidades acreditam na proximidade e no diálogo com os candidatos à Presidência da República e ao Governo do Estado de São Paulo, que já receberam o documento, para mostrar os desafios da saúde e as oportunidades para melhorias do sistema. Para a FESAÚDE e o SindHosp, o momento da saúde brasileira é propício à implementação da agenda proposta pelos 5is.

Desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988, o país estruturou um sistema de saúde complexo, desenvolveu instituições sólidas, organizou um arcabouço regulatório abrangente para o SUS e para a saúde suplementar, incorporou conhecimento técnico e ampliou sua capacidade de inovar. Nesse período, o SUS se transformou no maior patrimônio social dos brasileiros e o setor privado consolidou uma rede assistencial de elevada capacidade técnica e operacional. “Essa combinação de experiências, capacidades e competências coloca o país diante de uma oportunidade ímpar para promover as transformações necessárias no seu sistema de saúde, capazes de responder aos desafios demográficos, epidemiológicos e econômicos que já batem à porta”, ressalta Balestrin. As propostas reunidas nos 5is partem do princípio de que a saúde deve ser tratada como uma prioridade estratégica nacional – acima de governos, convicções e ciclos eleitorais.

Desafios

Nenhum desafio moldará tão profundamente o setor de saúde nos próximos anos quanto a rápida transição demográfica em curso. O envelhecimento acelerado da população, associado ao crescimento contínuo das doenças crônicas, altera profundamente as necessidades assistenciais do país e exige escolhas que não podem mais ser adiadas. Paralelamente, o SUS segue subfinanciado, diante das responsabilidades que lhe foram atribuídas pela Constituição e das crescentes demandas da sociedade. Dos R$ 1,19 trilhão investidos na saúde em 2025 pelas três esferas de governo, setor suplementar e gasto direto das famílias, apenas 42,2% desses recursos correspondem a investimentos públicos. Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que adotam sistemas universais de saúde, essa participação, em geral, é superior a 70%.

Os 5is, porém, reconhecem a dificuldade de ampliar os recursos destinados à saúde, como as limitações fiscais, o elevado comprometimento do orçamento com despesas obrigatórias, o baixo desempenho da economia e a necessidade de preservar o equilíbrio das contas públicas. Por isso, propõe a redução de desperdícios, o fortalecimento da gestão baseada em evidências, a interoperabilidade, a incorporação inteligente de tecnologias e a alocação de recursos em iniciativas capazes de gerar melhores resultados assistenciais.

Segundo estimativa da OCDE, sistemas de saúde como o brasileiro mobilizam entre 20% e 30% do seu gasto total em práticas que não produzem valor proporcional para o cidadão. No Brasil, isso corresponde a R$ 240 bilhões e R$ 360 bi por ano. A questão, portanto, não é “apenas” a falta de recursos. É de arquitetura e de governança.

Engrenagem

A elaboração dos 5 Inegociáveis da Saúde partiu do pressuposto de que o principal desafio não é construir, mas fazer funcionar o sistema que já existe. Portanto, a FESAÚDE e o SindHosp acreditam que a próxima transformação da saúde brasileira não será institucional. Será sistêmica. É preciso melhorar a governança, a integração e desenvolver a capacidade de transformar os recursos existentes em resultados concretos para a população. O Brasil tem os ativos. Falta a arquitetura que os articule.

Todos os Inegociáveis são necessários e operam como uma engrenagem: a ausência de qualquer um torna os demais substancialmente menos eficazes. São eles:

  • Paciente Único
  • Dados Estruturados
  • Acesso Qualificado
  • Cuidado Padronizado
  • Desperdício Contido

Visão de futuro

Em um país com 27 unidades federativas, 5.570 municípios e profundas desigualdades regionais, não há espaço para soluções simplistas nem para respostas de curto prazo. Os desafios da saúde exigem planejamento, coordenação entre os diferentes níveis de governo e compromisso com políticas de Estado, e não apenas de governo. “As decisões tomadas entre 2027 e 2030 poderão definir a capacidade do país de oferecer desenvolvimento, bem-estar e dignidade às próximas gerações. Ignorar os temas que os Inegociáveis da Saúde trazem significa abrir mão, mais uma vez, de tratar a saúde como um dos pilares do desenvolvimento socioeconômico do país”, defende Balestrin.

Para o dirigente, o país precisa substituir a lógica do improviso pela construção de uma visão de futuro. “O Brasil tem uma janela cada vez mais estreita para enfrentar as questões estruturais do seu sistema de saúde antes que problemas previsíveis se transformem em crises onerosas e de difícil reversão”, acredita.

A publicação dos 5is completa uma trilogia de contribuições da FESAÚDE e do SindHosp durante os períodos eleitorais. Em 2022, a Proposta Saúde São Paulo apresentou diretrizes para o setor aos candidatos a governador do Estado. Em 2024, as entidades desenvolveram e apresentaram aos candidatos a prefeito das principais cidades paulistas o Guia de Ações Municípios Saudáveis – Transformando Comunidades, Cuidando de Pessoas. Este ano, os 5 Inegociáveis da Saúde – Uma agenda para as lideranças políticas brasileiras 2027-2030 – fecha o ciclo.

“Nosso objetivo com essas contribuições foi – e é – o de estabelecer diálogo permanente com os candidatos e futuros ocupantes do Executivo federal, estadual e municipais para que, juntos, possamos encontrar consensos, ajudar a desenvolver políticas públicas mais eficazes e, principalmente, instituir um compromisso coletivo com um sistema de saúde que ofereça mais acesso, qualidade, eficiência e mais dignidade às pessoas”, finaliza Francisco Balestrin.

Clique aqui e faça o download dos 5 Inegociáveis da Saúde

 

Assista ao vídeo dos 5is

 

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Grupo Técnico de Segurança e Saúde Ocupacional discute PPP e avaliação da NR-32

Reunião abordou repercussões da documentação previdenciária e contribuições dos serviços de saúde à avaliação da norma, aberta até 23 de outubro

 

Alterações no Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) podem ter repercussões que vão além do processo trabalhista, alcançando as contribuições destinadas ao financiamento da aposentadoria especial. Esse foi um dos principais assuntos da reunião do Grupo Técnico de Segurança e Saúde Ocupacional (SSO) do SindHosp, realizada no dia 8 de outubro, sob a coordenação da advogada Lucineia Nucci.

Em atividade desde 2004, o grupo reúne profissionais de medicina do trabalho, engenharia e segurança do trabalho para esclarecer dúvidas e compartilhar experiências. Nesta reunião, a documentação ocupacional e as perícias receberam atenção, assim como a oportunidade de apresentar contribuições à avaliação da Norma Regulamentadora nº 32 (NR-32), voltada à segurança e à saúde no trabalho em serviços de saúde.

PPP e perícias trabalhistas

Nucci chamou a atenção para a necessidade de avaliar as consequências de retificações do PPP determinadas em processos judiciais ou aceitas em acordos. O documento reúne o histórico laboral e as condições de exposição do trabalhador e é utilizado na análise do direito à aposentadoria especial. A coordenadora ressaltou que o PPP precisa ser compatível com o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

A discussão incluiu situações em que um documento registra exposição a agentes nocivos, enquanto os dados enviados ao Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) apresentam informações diferentes. Nucci destacou que essas divergências podem gerar questionamentos sobre os registros e os recolhimentos previdenciários da instituição.

O engenheiro de Segurança do Trabalho, Carlos Cassiavillani, reforçou a importância de definir o objeto de cada perícia e elaborar perguntas técnicas pertinentes ao pedido do processo. Também ressaltou a necessidade de conferir os documentos apresentados para fundamentar a avaliação.

Na análise da insalubridade, a descrição das tarefas foi outro ponto de atenção. Profissionais com o mesmo cargo podem exercer funções distintas, com diferentes condições de contato com pacientes e materiais biológicos. A troca de experiências incluiu o uso de registros assistenciais para identificar as atividades realizadas e apoiar a caracterização da exposição.

Os participantes da última reunião do GT

Contribuições para a avaliação da NR-32

Os serviços de saúde têm até 23 de outubro para enviar contribuições à tomada pública de subsídios da NR-32 pela plataforma Brasil Participativo. A avaliação busca reunir informações sobre os resultados da aplicação da norma. Lucineia Nucci incentivou os profissionais a relatar avanços na prevenção, dificuldades operacionais e pontos que podem ser aperfeiçoados.

A discussão recuperou experiências relacionadas à prevenção de acidentes com materiais perfurocortantes, à identificação dos riscos biológicos e à capacitação das equipes. No caso dos trabalhadores terceirizados, foi destacada a necessidade de o treinamento contemplar os procedimentos e as características de cada serviço.

A adequação dos equipamentos de proteção às atividades e os registros de fornecimento e reposição também integraram a conversa. Sobre gestantes e lactantes, Nucci propôs uma enquete para conhecer como as instituições organizam o remanejamento e o afastamento dessas trabalhadoras e quais dificuldades encontram.

A coordenadora apresentou informações sobre a proposta de revisão dos graus de risco da Norma Regulamentadora nº 4 (NR-4), incluindo a mudança do enquadramento hospitalar do grau 3 para o grau 4. Ressaltou que a proposta ainda não está em vigor e pode afetar o dimensionamento das equipes de segurança e medicina do trabalho. O encontro também incluiu informes sobre a implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) em relação aos riscos psicossociais.

Carlos Cassiavillani e Eliane Alves da Silva participaram presencialmente, ao lado da coordenadora. A reunião contou com representantes de instituições como Rede D’Or São Luiz, Hospital Infantil Sabará, Hospital Edmundo Vasconcelos, Tecnolab, entre outras.

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Curso gratuito para associados e contribuintes

O SindHosp promove, no próximo dia 20 de outubro, das 9h às 17h, no auditório do Sindicato, na Capital, o curso presencial “Gestão das Relações de Trabalho na Saúde”. Ministrado pela diretora Jurídica da FESAÚDE, Daniela Bernardo, o curso abordará escala 6×1, remuneração, insalubridade, periculosidade, riscos psicossociais e atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR1).

A programação foi construída para profissionais de Recursos Humanos, Departamento Pessoal, Jurídico, Saúde e Segurança do Trabalho e gestores que precisam acompanhar de perto esses temas.

As inscrições para associados e contribuintes do SindHosp são gratuitas. Para não associados é cobrado o valor de R$ 450. Se esses temas fazem parte da sua rotina profissional, participe! O SindHosp está localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima 1.912, 18º andar, em São Paulo.

Para se inscrever, clique aqui.

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Inaldo Leitão assume a diretoria executiva da FESAÚDE e do SindHosp

A partir de 1º de outubro, Inaldo Leitão assume a diretoria Executiva da FESAÚDE e do SindHosp. Formado em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), é especialista em Políticas Públicas e Governo pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec). Ingressou nas entidades há pouco mais de três anos, como gerente de Relações Governamentais. Também atua como general manager da ARCA, o think tank da saúde.

“Inaldo tem conduzido projetos, aproximando diferentes atores e participado de discussões relevantes para o desenvolvimento da saúde no país. Sua chegada à posição de CEO representa uma continuidade importante. Inaldo conhece profundamente nossas pautas, nossos associados e os desafios enfrentados diariamente pelas instituições de saúde. Tenho muita confiança no trabalho que ele passa a conduzir”, ressalta o presidente da FESAÚDE e do SindHosp, Francisco Balestrin.

Inaldo Leitão é natural de João Pessoa, na Paraíba, mas mudou-se para Brasília aos seis anos de idade e viveu na capital federal até os 29. Foi lá que construiu sua trajetória no Legislativo, onde chegou a atuar como chefe de gabinete na Câmara dos Deputados. Desde 2023 vive em São Paulo com a esposa, Gabriela, e o filho, Francisco. A família também aguarda a chegada de Maria Carolina, prevista para nascer até o final deste ano.

Aos 33 anos, Inaldo Leitão chega à liderança executiva da FESAÚDE e do SindHosp com disposição de estar cada vez mais próximo dos estabelecimentos representados. Na entrevista a seguir, ele fala sobre os desafios do setor, suas prioridades de gestão e o papel das entidades na construção de uma agenda para a saúde do país.

 

Você acaba de assumir a diretoria executiva do SindHosp e da FESAÚDE. Qual o significado desse novo desafio na sua trajetória profissional?

Inaldo Leitão – Assumo com uma responsabilidade imensa, porque sei que a partir de agora, em cada instituição, evento ou espaço de interlocução, vou representar todos os estabelecimentos de saúde privados paulistas, contribuintes e associados, empresas grandes e pequenas, que estão sob a representação do SindHosp e da FESAÚDE. Meu compromisso, junto com uma equipe experiente e criativa de colaboradores, é estar próximo do setor, enxergar as demandas e trabalhar os temas mais sensíveis ao nosso segmento. Paralelamente, como venho da área de Relações Governamentais, conheço os projetos de lei que afetam a saúde e que estão em tramitação no Congresso Nacional. Alguns podem ajudar e outros podem prejudicar muito a nossa categoria. Esse acompanhamento político continuará sendo realizado, pois é nesse ambiente que as principais decisões que afetam a saúde e os negócios são tomadas.

 

Sua vivência em Relações Governamentais e sua experiência no Congresso Nacional devem ter contribuído para uma visão mais ampla sobre a importância do diálogo e da construção de consensos. Que aprendizados desse percurso pretende levar para a gestão do SindHosp e da FESAÚDE?

Inaldo Leitão – Certamente, essa experiência me ensinou que resultados consistentes são construídos a partir do diálogo, da capacidade de ouvir diferentes opiniões e da busca por convergências. Sou uma pessoa que precisa tocar nas coisas para entendê-las. Por isso, minha atuação certamente estará sempre aberta ao diálogo, próxima dos associados e focada na construção de relações institucionais sólidas com profissionais e outras entidades que fazem parte do ecossistema da saúde. Internamente, a mesma lógica precisa prevalecer. Quando falamos para o nosso time, assumimos compromissos e geramos expectativas. Por isso, podem esperar de mim coerência entre discurso, decisões e ações.

 

O setor de saúde vive um momento de profundas transformações. Quais considera hoje os principais desafios para os hospitais, clínicas, laboratórios e demais estabelecimentos de saúde?

Inaldo Leitão – Os desafios são muitos e estão presentes tanto na gestão dos negócios quanto no ambiente regulatório e institucional. Há questões relacionadas aos custos, à sustentabilidade econômico-financeira, às relações com operadoras e fornecedores, à escassez e qualificação de profissionais e à incorporação de novas tecnologias. São temas complexos, que muitas vezes envolvem particularidades de cada empresa e que precisam ser tratados de forma cuidadosa. Recentemente, por exemplo, o SindHosp e a FESAÚDE fizeram uma série de contribuições à Consulta Pública 170/2026, da ANS, sobre contratos entre operadoras e prestadores. A regulação da Inteligência Artificial (IA), em discussão no Congresso Nacional, é outro tema que terá impacto crescente sobre o setor. Se antecipando ao Congresso, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução 2454/2026, que normatiza o uso da IA na prática médica. A Confederação Nacional de Saúde, da qual a FESAÚDE faz parte, ingressou com ação pedindo a suspensão dos efeitos da Resolução por entender que ela impõe obrigações às instituições de saúde – o que extrapola a competência do CFM. São movimentos e ações representativas que estamos atentos e participando ativamente. Também há inúmeros Projetos de Lei (PL) em tramitação que estabelecem pisos salariais para várias atividades profissionais – e muitos com impacto direto sobre os prestadores de serviços de saúde. Acompanhar essas pautas e posicionamentos é uma atividade representativa essencial – e que nenhuma empresa consegue fazer sozinha.

 

O Judiciário já definiu que o negociado deve prevalecer sobre o legislado. As negociações coletivas, portanto, ganharam uma importância enorme. Na sua avaliação, os estabelecimentos de saúde têm consciência da importância dessas negociações e estão participando ativamente delas?

Inaldo Leitão – A negociação coletiva é um instrumento fundamental para construir relações de trabalho mais adequadas à realidade de cada setor. O SindHosp tem 88 anos, atua no maior Estado da Federação e negocia anualmente com mais de 40 sindicatos laborais. Temos expertise e contamos com uma equipe especializada que trabalha para construir Convenções Coletivas de Trabalho que reflitam as necessidades e as características da nossa categoria. Particularmente, acredito no fortalecimento da negociação coletiva e no aumento da participação das empresas nas assembleias. Esse envolvimento é fundamental para que as decisões negociadas tenham cada vez mais conexão com a realidade do setor e contribuam para relações de trabalho mais equilibradas e sustentáveis.

 

2027 marcará o início de um novo ciclo político no país, além da implementação efetiva de etapas importantes da reforma tributária. Como você avalia esse novo cenário e quais serão as prioridades de atuação do SindHosp e da FESAÚDE?

Inaldo Leitão – A FESAÚDE e o SindHosp foram muito atuantes durante o debate da reforma tributária e conseguiram, junto com outras entidades do setor, que a saúde recebesse tratamento diferenciado. Agora, o desafio será acompanhar a implementação da reforma e seus efeitos sobre os estabelecimentos de saúde. Na esfera política, será importante conhecer, no Congresso Nacional, os novos deputados e senadores e manter interlocução com eles. Acho que o principal objetivo de uma entidade representativa é poder permear e qualificar o debate público. Entre os temas que poderão ganhar espaço no Congresso, em 2027, está a reforma administrativa. É uma agenda que precisa ser acompanhada de perto, especialmente pelos seus possíveis impactos sobre a gestão pública e sobre o ambiente econômico. Vamos trabalhar para que o peso do Estado diminua. A saúde representa, anualmente, 10% do PIB, e tem enorme relevância econômica e social. É importante que as decisões públicas considerem a sustentabilidade do setor e a necessidade de um ambiente de negócios mais eficiente e previsível.

 

A FESAÚDE e o SindHosp vêm contribuindo, desde 2022, para a construção de uma agenda para a saúde. Nessas eleições estão apresentando aos candidatos à Presidência da República e ao Governo do Estado de São Paulo os 5 Inegociáveis da Saúde. Como essas iniciativas contribuem para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes?

Inaldo Leitão – São os estabelecimentos de saúde que vivenciam diariamente as potencialidades e as deficiências do sistema. Por isso, têm muito a contribuir. Atualmente, a FESAÚDE e o SindHosp têm grande poder de articulação com a classe política, outras entidades representativas e com instituições públicas. As contribuições que levamos em períodos eleitorais refletem a visão de lideranças, profissionais, de universidades, representantes dos pacientes, enfim, de quem vive o dia a dia da saúde. Os 5is são resultado dessa visão ampla. Há uma característica que considero especialmente importante nesses materiais: eles são uma contribuição para a sociedade. É uma entrega cidadã.

 

Olhando para os próximos anos, quais as principais marcas que gostaria de deixar à frente do SindHosp e da FESAÚDE?

Inaldo Leitão – Do ponto de vista de gestão, quero contribuir para a sustentabilidade financeira e o fortalecimento institucional das entidades.  A FESAÚDE e o SindHosp têm que ser saudáveis, mas isso também precisa vir acompanhado de valor para os nossos associados. E, claro, entregar algo para a sociedade que vá além da defesa de interesses, que se traduza em aumento de acesso, qualificação do cuidado, melhores resultados clínicos e um sistema mais eficiente e sustentável.

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Firmada CCT com o Sindicato das Secretárias

O SindHosp firmou Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com o Sindicato das Secretárias e Secretários do Estado de São Paulo (SINSESP), com vigência de 1º de maio de 2026 a 30 de abril de 2027.

A íntegra da CCT está à disposição dos sócios e contribuintes do SindHosp neste link.

 

Base territorial: Todo o Estado de São Paulo

 

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