Evento realizado na ARCA reuniu lideranças do setor para discutir como inteligência artificial, dados e inovação estão redesenhando a assistência, a gestão e a experiência do paciente.
A transformação da saúde impulsionada pela inteligência artificial foi o tema central do Galileu Circle | Nada será como antes: IA e a nova saúde, realizado no dia 23 de junho, na ARCA, em São Paulo. O encontro reuniu executivos, gestores e especialistas para discutir os impactos da IA na assistência, na governança clínica e na construção de um sistema de saúde cada vez mais integrado e centrado no paciente.

A abertura do evento foi conduzida por Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração do SindHosp, que destacou o papel da ARCA como um ecossistema voltado à inovação e à construção de soluções para o setor da saúde. Em seguida, Rodrigo Lourenzo, Managing Director Diagnostic Imaging Latin America da Siemens Healthineers, apresentou a visão da companhia sobre a evolução da jornada do paciente por meio da inteligência artificial.
Segundo Lourenzo, a transformação começa antes mesmo da realização do exame. A Siemens trabalha para tornar os equipamentos cada vez mais inteligentes, utilizando inteligência artificial para preparar protocolos automaticamente, otimizar a aquisição das imagens, reduzir o número de sequências necessárias para o diagnóstico e apoiar a tomada de decisão clínica.

“A inteligência artificial precisa acompanhar toda a jornada do paciente, desde o exame até o acompanhamento após o tratamento”, defendeu o executivo ao apresentar a visão da empresa para os próximos anos.
Na sequência, Márcio Alves, CEO da Galileu Saúde, apresentou a trajetória da empresa e a proposta de construir um novo modelo assistencial baseado em dados, inteligência artificial e colaboração entre diferentes atores do ecossistema. Para o executivo, a tecnologia só faz sentido quando está a serviço do cuidado.

“A Galileu nasceu da inconformidade de profissionais da saúde que entenderam que o sistema precisa girar em torno do paciente, e não o contrário”, afirmou.
Márcio também chamou atenção para o crescimento acelerado da utilização da inteligência artificial por profissionais de saúde e pacientes. Segundo ele, o desafio deixou de ser o acesso à tecnologia e passou a ser a capacidade das instituições de estabelecer modelos de governança, protocolos assistenciais e segurança na utilização dos dados.
Governança para uma nova saúde
Dando sequência ao Future Talk – Nada será como antes: IA e a nova saúde, Sergio Ricardo Santos, vice-presidente da Galileu Saúde, provocou uma reflexão sobre os desafios estruturais enfrentados pelo setor e o papel da governança clínica diante das transformações em curso.
Em sua apresentação, Sergio destacou que a saúde vive um cenário marcado pelo envelhecimento da população, aumento da complexidade dos tratamentos, pressão crescente sobre a sustentabilidade financeira e mudanças no comportamento dos pacientes.

“O setor remunera eventos, mas ainda mede pouco o valor entregue ao paciente”, observou. Para ele, a incorporação da inteligência artificial exige uma mudança mais profunda do que a simples adoção de novas tecnologias.
“A governança precisa deixar de ser retrospectiva e passar a atuar em tempo real, utilizando dados para apoiar decisões clínicas e de gestão”, afirmou.
Sergio também ressaltou que a experiência do paciente deixou de ser comparada apenas à de outras instituições de saúde. Hoje, segundo ele, as expectativas são moldadas pelas experiências digitais vividas em diferentes setores da economia, tornando indispensável oferecer conveniência, transparência e integração ao longo da jornada assistencial.
Inteligência artificial aplicada à prática

Sulivan Santiago, CTO & CPO da Galileu Saúde, demonstrou a plataforma LIVIA, destacando como a solução utiliza IA para apoiar decisões clínicas e operacionais, agregando contexto às informações e promovendo maior eficiência na assistência.

Em seguida, Lucas Baraças, cofundador do Vigilantes do Sono, apresentou a plataforma Vigilantes by Galileu, voltada ao monitoramento da saúde do sono como estratégia para melhorar a qualidade de vida dos profissionais e contribuir para a segurança assistencial.
Debate sobre os próximos passos da IA na saúde
Larissa Eloi, diretora executiva do SindHosp, mediou o Insights Circle – IA na prática: o que vem agora?, reunindo Márcio Alves, Sulivan Santiago e Lucas Baraças para responder às perguntas do público sobre os desafios e oportunidades da inteligência artificial para hospitais e operadoras.

Entre os temas discutidos estiveram os caminhos para implantação da IA nas instituições de saúde, os fatores críticos para uma governança eficiente, os ganhos assistenciais proporcionados pelas novas ferramentas e a construção de hospitais verdadeiramente inteligentes. Ao longo do encontro, uma mensagem foi recorrente entre os participantes: a inteligência artificial não substitui a decisão clínica, mas amplia a capacidade dos profissionais de oferecer um cuidado mais seguro, integrado, eficiente e centrado no paciente.
O evento também contou com a presença de Ana Estela Haddad, reforçando a importância da transformação digital e da inteligência artificial como temas estratégicos para o futuro da saúde brasileira.






