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Workshop debate o desafio de transformar dados em decisões rápidas

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Workshop da Saúde do SindHosp discutiu como inteligência artificial, integração de sistemas e gestão em tempo real podem reduzir o intervalo entre a identificação de problemas e a tomada de decisão

 

Hospitais produzem diariamente um grande volume de informações clínicas, assistenciais e operacionais. O valor desses dados, porém, depende da capacidade de reuni-los, analisá-los e fazê-los chegar ao profissional responsável pela decisão no momento adequado. Essa foi uma das principais discussões do Workshop da Saúde, realizado pelo SindHosp na terça-feira, 25 de agosto. Evento contou com a participação de Sidney Muniz, diretor Comercial e de Marketing da Invisual Tecnologia, e a coordenação de Daniel Machado, diretor de Operações da FESAÚDE e do SindHosp.

Muniz apresentou aplicações de gestão em tempo real e Inteligência Artificial (IA) na saúde e destacou que muitas instituições ainda convivem com sistemas desconectados, o que dificulta a leitura integrada das informações e torna mais lenta a tomada de decisão. Ao abordar o volume de dados produzidos pelos estabelecimentos de saúde, afirmou: “É impossível para o ser humano cruzar todo esse volume de informações em tempo real. Quando eu tenho uma ferramenta de tecnologia que consegue captar essas informações de diferentes bases, consolidá-las, analisá-las e transformar esses dados em informação, eu tenho inteligência e uma empresa inteligente toma decisão de maneira mais rápida”.

Um dos exemplos apresentados foi a possibilidade de calcular, ainda no pronto atendimento, a probabilidade de um paciente evoluir para internação. A análise conjunta de sinais vitais, exames, protocolos e histórico pode, segundo Muniz, indicar uma evolução negativa do quadro e antecipar a necessidade de ações por parte da instituição.

Interoperabilidade

A interoperabilidade, ou seja, a capacidade de diferentes sistemas e bases de dados trocarem informações, foi apontada como um dos principais pontos para que os prestadores de serviços de saúde consigam transformar dados em decisões. Ao explicar o papel dessa integração, Muniz afirmou: “A IA consegue processar um grande volume de dados muito rápido. Isso permite com que a gente consiga cruzar diversas informações e entender o que está acontecendo na instituição”.

De acordo com o palestrante, processos que anteriormente poderiam levar dois ou três dias para gerar uma visão consolidada por meio de ferramentas de análise de dados podem, em determinadas aplicações, ser acompanhados em tempo real. Entre os exemplos apresentados estão taxa de ocupação, cumprimento de níveis de serviço e resultados críticos de exames.

Outro ponto destacado foi a necessidade de avaliar projetos de IA a partir dos resultados concretos gerados para a instituição. Ao tratar dos critérios que devem orientar esses investimentos, Muniz afirmou: “A pergunta certa quando a gente vai implementar um projeto de inteligência artificial é começar a perguntar quais indicadores econômicos e assistenciais esta ferramenta vai trazer e resolver. Eu costumo falar que tecnologia que não traz resultado é custo”.

Entre os indicadores que podem ser impactados, ele citou tempo médio de permanência, giro de leitos, taxa de ocupação, utilização do centro cirúrgico, glosas, produtividade e ciclo de receita. Na visão do executivo, a transformação digital também precisa fazer parte da estratégia da instituição e envolver a alta liderança. Sobre a abrangência desses projetos, explicou: “A transformação digital tem que estar na mão do CEO da empresa, do conselho, porque ela envolve estratégia, governança, tecnologia, toda a área de finanças, assistência e operação”.

Casos

Um dos casos apresentados durante o workshop envolveu um paciente cujo quadro clínico começou a se deteriorar e apresentava evolução para sepse. Muniz relatou que a ferramenta identificou alterações a partir dos dados disponíveis e enviou um alerta antes da ação humana. Sobre o desfecho, contou: “Houve intervenção médica. A tomada de decisão é sempre da assistência, do médico e da equipe humana, mas antecipou-se um quadro que poderia ter gerado um possível óbito”.

Daniel Machado e Sidney Muniz

Ao ser questionado sobre a viabilidade da transformação digital em instituições com equipes menores de tecnologia ou orçamento limitado, Muniz afirmou que a implantação pode ocorrer de forma gradual. A recomendação é identificar inicialmente dois ou três indicadores estratégicos para a instituição e começar o monitoramento a partir deles. Conforme a organização ganha maturidade e consegue mensurar resultados, novas aplicações podem ser incorporadas.

O modelo de software como serviço (SaaS) foi citado como alternativa para reduzir investimentos iniciais em infraestrutura, servidores e equipes dedicadas de tecnologia. Nesse formato, as ferramentas são disponibilizadas em nuvem e podem ser integradas às bases já existentes na instituição.

Muniz também fez um alerta sobre o uso de ferramentas públicas de IA quando houver informações institucionais ou dados sensíveis de pacientes. Segundo ele, instituições de saúde precisam observar as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e avaliar com cuidado como as informações inseridas nessas plataformas são armazenadas e utilizadas. A recomendação é buscar soluções que operem em ambientes controlados e ofereçam mecanismos de segurança e proteção compatíveis com as exigências de tratamento de dados sensíveis na área da saúde.

Assista ao workshop na íntegra:

 

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