Sindhosp

26 de agosto de 2026

Workshop debate o desafio de transformar dados em decisões rápidas

Workshop da Saúde do SindHosp discutiu como inteligência artificial, integração de sistemas e gestão em tempo real podem reduzir o intervalo entre a identificação de problemas e a tomada de decisão

 

Hospitais produzem diariamente um grande volume de informações clínicas, assistenciais e operacionais. O valor desses dados, porém, depende da capacidade de reuni-los, analisá-los e fazê-los chegar ao profissional responsável pela decisão no momento adequado. Essa foi uma das principais discussões do Workshop da Saúde, realizado pelo SindHosp na terça-feira, 25 de agosto. Evento contou com a participação de Sidney Muniz, diretor Comercial e de Marketing da Invisual Tecnologia, e a coordenação de Daniel Machado, diretor de Operações da FESAÚDE e do SindHosp.

Muniz apresentou aplicações de gestão em tempo real e Inteligência Artificial (IA) na saúde e destacou que muitas instituições ainda convivem com sistemas desconectados, o que dificulta a leitura integrada das informações e torna mais lenta a tomada de decisão. Ao abordar o volume de dados produzidos pelos estabelecimentos de saúde, afirmou: “É impossível para o ser humano cruzar todo esse volume de informações em tempo real. Quando eu tenho uma ferramenta de tecnologia que consegue captar essas informações de diferentes bases, consolidá-las, analisá-las e transformar esses dados em informação, eu tenho inteligência e uma empresa inteligente toma decisão de maneira mais rápida”.

Um dos exemplos apresentados foi a possibilidade de calcular, ainda no pronto atendimento, a probabilidade de um paciente evoluir para internação. A análise conjunta de sinais vitais, exames, protocolos e histórico pode, segundo Muniz, indicar uma evolução negativa do quadro e antecipar a necessidade de ações por parte da instituição.

Interoperabilidade

A interoperabilidade, ou seja, a capacidade de diferentes sistemas e bases de dados trocarem informações, foi apontada como um dos principais pontos para que os prestadores de serviços de saúde consigam transformar dados em decisões. Ao explicar o papel dessa integração, Muniz afirmou: “A IA consegue processar um grande volume de dados muito rápido. Isso permite com que a gente consiga cruzar diversas informações e entender o que está acontecendo na instituição”.

De acordo com o palestrante, processos que anteriormente poderiam levar dois ou três dias para gerar uma visão consolidada por meio de ferramentas de análise de dados podem, em determinadas aplicações, ser acompanhados em tempo real. Entre os exemplos apresentados estão taxa de ocupação, cumprimento de níveis de serviço e resultados críticos de exames.

Outro ponto destacado foi a necessidade de avaliar projetos de IA a partir dos resultados concretos gerados para a instituição. Ao tratar dos critérios que devem orientar esses investimentos, Muniz afirmou: “A pergunta certa quando a gente vai implementar um projeto de inteligência artificial é começar a perguntar quais indicadores econômicos e assistenciais esta ferramenta vai trazer e resolver. Eu costumo falar que tecnologia que não traz resultado é custo”.

Entre os indicadores que podem ser impactados, ele citou tempo médio de permanência, giro de leitos, taxa de ocupação, utilização do centro cirúrgico, glosas, produtividade e ciclo de receita. Na visão do executivo, a transformação digital também precisa fazer parte da estratégia da instituição e envolver a alta liderança. Sobre a abrangência desses projetos, explicou: “A transformação digital tem que estar na mão do CEO da empresa, do conselho, porque ela envolve estratégia, governança, tecnologia, toda a área de finanças, assistência e operação”.

Casos

Um dos casos apresentados durante o workshop envolveu um paciente cujo quadro clínico começou a se deteriorar e apresentava evolução para sepse. Muniz relatou que a ferramenta identificou alterações a partir dos dados disponíveis e enviou um alerta antes da ação humana. Sobre o desfecho, contou: “Houve intervenção médica. A tomada de decisão é sempre da assistência, do médico e da equipe humana, mas antecipou-se um quadro que poderia ter gerado um possível óbito”.

Daniel Machado e Sidney Muniz

Ao ser questionado sobre a viabilidade da transformação digital em instituições com equipes menores de tecnologia ou orçamento limitado, Muniz afirmou que a implantação pode ocorrer de forma gradual. A recomendação é identificar inicialmente dois ou três indicadores estratégicos para a instituição e começar o monitoramento a partir deles. Conforme a organização ganha maturidade e consegue mensurar resultados, novas aplicações podem ser incorporadas.

O modelo de software como serviço (SaaS) foi citado como alternativa para reduzir investimentos iniciais em infraestrutura, servidores e equipes dedicadas de tecnologia. Nesse formato, as ferramentas são disponibilizadas em nuvem e podem ser integradas às bases já existentes na instituição.

Muniz também fez um alerta sobre o uso de ferramentas públicas de IA quando houver informações institucionais ou dados sensíveis de pacientes. Segundo ele, instituições de saúde precisam observar as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e avaliar com cuidado como as informações inseridas nessas plataformas são armazenadas e utilizadas. A recomendação é buscar soluções que operem em ambientes controlados e ofereçam mecanismos de segurança e proteção compatíveis com as exigências de tratamento de dados sensíveis na área da saúde.

Assista ao workshop na íntegra:

 

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Resolução CFM sobre o uso de IA na medicina entra em vigor

Resolução estabelece regras para uso, governança e monitoramento da inteligência artificial na medicina

 

A partir da quarta-feira, 26 de agosto, entra em vigor a Resolução CFM nº 2.454/2026, que estabelece regras para pesquisa, desenvolvimento, contratação, governança, auditoria, educação, monitoramento e uso de soluções de Inteligência Artificial (IA) na medicina. Publicada em 27 de fevereiro deste ano pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a norma representa um dos primeiros marcos específicos para disciplinar o uso da tecnologia na prática médica brasileira.

Para hospitais, clínicas, laboratórios e demais serviços de saúde, a resolução traz avanços importantes, mas também novos desafios de adequação. “Instituições de menor porte podem enfrentar mais dificuldades para cumprir todas as exigências da resolução. O SindHosp está atuando junto às demais instituições do setor para garantir segurança jurídica aos seus representados e a divisão adequada de responsabilidades entre médico, estabelecimento de saúde, desenvolvedor, fornecedor e demais agentes envolvidos na tecnologia”, afirma o presidente da FESAÚDE e do SindHosp, Francisco Balestrin.

O principal mérito da norma é estabelecer parâmetros para que a incorporação da IA ocorra de maneira responsável, preservando a segurança do paciente, a autonomia médica e a proteção dos dados. Entre os pontos positivos está a definição de que a IA deve ser utilizada como ferramenta de apoio, e não como substituta da decisão médica. A resolução determina que o médico mantenha a responsabilidade final pelas decisões diagnósticas, terapêuticas e prognósticas e exerça julgamento crítico sobre as informações produzidas pelos sistemas.

Outro avanço é a exigência de transparência. O paciente deve ser informado, de forma clara e acessível, quando a IA for utilizada como apoio em seu cuidado, diagnóstico ou tratamento. A norma também reforça a necessidade de proteção da privacidade e da confidencialidade dos dados pessoais.

Avaliação de risco

A resolução também cria uma lógica de classificação de risco das soluções de IA, considerando fatores como impacto potencial sobre a saúde e os direitos fundamentais, grau de autonomia do sistema, finalidade de utilização e sensibilidade dos dados envolvidos. As instituições que desenvolverem ou utilizarem essas tecnologias deverão realizar uma avaliação preliminar de risco.

Outro aspecto relevante é a criação de mecanismos de governança. Instituições que desenvolvem ou contratam soluções de IA devem estabelecer processos internos destinados a garantir segurança, qualidade e ética, além de mecanismos de auditoria e monitoramento contínuos. Nos estabelecimentos que adotarem sistemas próprios de IA, a resolução determina a criação de uma Comissão de IA e Telemedicina, sob coordenação médica e subordinada à diretoria técnica.

Custos

A regulamentação traz novas obrigações e custos de conformidade para as instituições de saúde. Hospitais, clínicas e laboratórios que utilizam ou pretendem utilizar IA precisarão conhecer as ferramentas adotadas, avaliar seus riscos, estabelecer processos de governança, monitorar resultados e assegurar que o uso esteja de acordo com as normas éticas, técnicas e legais. A exigência merece atenção especialmente porque a IA já está presente em diferentes etapas da assistência à saúde, desde apoio à análise de exames e imagens até ferramentas de documentação, gestão e suporte à decisão clínica.

Outro ponto de atenção é a responsabilidade. Embora a resolução estabeleça que o médico não deve ser responsabilizado por falhas atribuíveis exclusivamente ao sistema quando demonstrado o uso diligente, crítico e ético da ferramenta, ela também determina que o médico permanece integralmente responsável pelos atos médicos praticados com utilização de IA. Na prática, isso reforça a necessidade de definir claramente, dentro das instituições, quem seleciona as ferramentas, quem as valida, quem acompanha seu desempenho e como eventuais falhas ou incidentes serão registrados e tratados.

Solução FESAÚDE e SindHosp

Para ajudar hospitais, clínicas e laboratórios a implementar a Resolução nº 2.454 do CFM, a FESAÚDE e o SindHosp fecharam parceria com a Med Glogs, que oferece auditoria para cumprimento das exigências da nova regulamentação, com análise do prontuário, comunicação com o paciente, consentimentos e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A auditoria integra o Procedimento 10X, solução que organiza a captação, o atendimento e o agendamento de procedimentos em um único funil.

Para associados e contribuintes do SindHosp e dos sindicatos que compõem a FESAÚDE, o Diagnóstico 10X é gratuito. Além disso, está assegurado desconto de 50% na implantação do Procedimento 10X. Esse é mais um produto do SindClub, clube de benefícios que oferece produtos e serviços de qualidade à categoria representada pela FESAÚDE e pelo SindHosp. Clique aqui e saiba mais

“A regulamentação do CFM chega em um momento em que a velocidade de desenvolvimento das tecnologias de inteligência artificial é muito superior à capacidade de adaptação das organizações. Por isso, mais do que estabelecer limites, será importante criar condições para que a inovação continue avançando com segurança. Para o setor de saúde, o desafio será encontrar o equilíbrio entre inovação, segurança assistencial, autonomia médica, proteção de dados e sustentabilidade econômica”, finaliza o presidente da FESAÚDE e do SindHosp, Francisco Balestrin.

 

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