O acesso à saúde foi o tema central de mais um episódio do videocast Arena da Saúde, gravado no estande da FESAÚDE e do SindHosp durante a Hospitalar 2026. O debate integra a construção dos chamados “Inegociáveis da Saúde”, iniciativa desenvolvida pela ELOSS Consultoria para as duas entidades com o objetivo de contribuir para uma transformação estrutural do sistema de saúde brasileiro.
Segundo Luciane Infanti, founder da ELOSS e mediadora do debate, o documento será apresentado aos candidatos à Presidência da República e ao Governo do Estado de São Paulo nas próximas eleições. “O acesso é um dos cinco inegociáveis da saúde. Essa proposta busca promover uma transformação estrutural da saúde brasileira”, afirmou.
Além do acesso, os demais pilares da iniciativa são paciente único, dados estruturados, padronização do cuidado e combate ao desperdício. Durante a Hospitalar 2026, foi lançado o Manifesto dos 5 Is, que antecipa os principais pontos da publicação. O conteúdo completo do Manifesto está disponível para consulta clicando aqui.
Na prática
Para Emmanuel Lacerda, superintendente nacional de Saúde e Segurança do Serviço Social da Indústria (SESI), um dos desafios para ampliar o acesso está na ausência de programas estruturados de proteção à saúde do trabalhador no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, embora os trabalhadores sejam submetidos a exames periódicos obrigatórios, as informações geradas raramente são utilizadas para a gestão da saúde. “Todos os colaboradores têm que passar por exames periódicos, mas, infelizmente, esse trabalho serve apenas para cumprir uma obrigação legal”, afirmou.

Outro ponto destacado durante o debate foi o potencial das farmácias para ampliar o acesso da população aos serviços de saúde, especialmente diante do envelhecimento populacional e do crescimento das doenças crônicas. Bruno Pipponzi, vice-presidente de negócios de saúde da RD Saúde – grupo formado pela fusão entre Raia e Drogasil e que reúne cerca de 3.500 farmácias em todo o país – defendeu uma maior integração desses estabelecimentos ao sistema de saúde. “Há menos de um século, o farmacêutico era um profissional importante para a comunidade. Essa relação foi se perdendo com o avanço do varejo. Temos cerca de 90 mil farmácias no Brasil e elas podem ajudar, sim, a melhorar o acesso”, disse.
Os participantes também discutiram desafios estruturais para a ampliação do acesso à saúde. Entre os temas abordados estiveram a necessidade de o setor de saúde suplementar atuar de forma mais integrada, os riscos da fragmentação do cuidado, a importância da interoperabilidade entre os diferentes atores do sistema, a qualificação dos profissionais e a superação de barreiras culturais e regulatórias que dificultam a construção de uma assistência mais coordenada e eficiente.
Assista ao episódio na íntegra:





