Candidato ao Governo do Estado de São Paulo afirma que integração de dados, inteligência artificial, regulação e atuação conjunta entre União, Estado, municípios e setor privado podem acelerar atendimento e reduzir desperdícios
O candidato ao Governo do Estado de São Paulo, Fernando Haddad, participou do Diálogos da Saúde, espaço permanente de interlocução, criado pela FESAÚDE e pelo SindHosp, que reúne representantes do ecossistema do setor e candidatos a cargos no Poder Executivo nas esferas federal e estadual. A iniciativa tem como propósito promover um diálogo qualificado sobre os principais desafios da saúde, contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes e estimular a construção de soluções capazes de ampliar o acesso, elevar a qualidade da assistência e gerar benefícios concretos para toda a sociedade.
O evento aconteceu na sede da ARCA, em São Paulo, no dia 7 de agosto. Na ocasião, Haddad defendeu um “choque de gestão” na saúde paulista, com forte investimento em tecnologia, integração de dados, modernização da regulação e uso de inteligência artificial para reduzir filas e ampliar a eficiência dos serviços. Para o candidato, São Paulo dispõe de recursos tecnológicos que ainda não são utilizados em toda a sua capacidade. Ele citou experiências de outros estados, especialmente do Piauí, como exemplos que poderiam ser adaptados à realidade paulista.
Um dos principais pontos apresentados foi a necessidade de transformar a gestão das filas de atendimento. Haddad afirmou que São Paulo ainda utiliza mecanismos considerados ultrapassados para organizar a oferta de serviços e citou situações em que a disponibilidade de leitos é verificada por telefone. Na sua avaliação, a integração deve envolver toda a jornada do paciente, desde o atendimento pré-hospitalar e o SAMU até os serviços de urgência, UPAs, hospitais e procedimentos especializados.
Haddad também defendeu uma mudança no modelo de organização das filas, levando em consideração a gravidade e o risco clínico, e não apenas a ordem cronológica de entrada. A ideia, segundo ele, é utilizar dados e ferramentas tecnológicas para identificar pacientes que precisam de atendimento mais rápido. Como exemplo, citou o uso de inteligência artificial na análise preliminar de exames. A tecnologia, explicou, não substituiria o médico, mas poderia auxiliar na identificação rápida de situações de risco, permitindo antecipar o atendimento de pacientes que apresentam maior probabilidade de agravamento.

O candidato respondeu a perguntas dos participantes sobre financiamento do SUS, prevenção, participação do setor privado e integração entre os diferentes níveis de atendimento. A integração de informações de saúde também apareceu como uma das principais propostas. Ao responder sobre como oferecer ao cidadão uma jornada de saúde mais integrada e personalizada, Haddad citou o trabalho do aplicativo Meu SUS Digital e defendeu a ampliação da integração dos dados clínicos. A proposta, segundo ele, é que exames, consultas e demais informações possam estar disponíveis de maneira integrada, mediante autorização do paciente, independentemente do local onde o atendimento tenha sido realizado.
O candidato também citou a possibilidade de ampliar o uso de telemedicina e teleconsultas em determinadas especialidades, como parte de uma estratégia de modernização da rede.
O encontro foi mediado pelo presidente da FESAÚDE e do SindHosp, Francisco Balestrin, que se comprometeu a entregar a Fernando Haddad a publicação Os 5 Is – Os Inegociáveis da Saúde, documento que a FESAÚDE e o SindHosp vão apresentar aos candidatos a presidente da República e governador do Estado de São Paulo, propondo uma agenda estruturante voltada à ampliação do acesso, ao aumento da resolutividade, à elevação da qualidade assistencial, à redução dos desperdícios e à construção de um sistema mais equilibrado e eficiente.
Assista abaixo ao Diálogos da Saúde na íntegra:





