Sindhosp

Encontro de Líderes reúne líderes hospitalares para discutir a cirurgia robótica como estratégia de resultado

Compartilhar artigo

Gestores debatem viabilidade financeira, estruturação de programas e os avanços da telecirurgia no Brasil

“Hospital robótico não se faz com um robô.” A frase resume o tom do encontro executivo com o tema “Rumo ao Hospital Robótico – estratégias para crescer em complexidade e resultado, realizado pelo SindHosp em parceria com a Microport e Hospcom. CEOs, superintendentes e diretores gerais de hospitais de diferentes regiões do país debateram como transformar a robótica de custo em crescimento, eficiência e diferencial clínico.

A abertura foi conduzida por Francisco Balestrin, presidente do Conselho Administrativo da FESAÚDE e do SindHosp. Larissa Eloi, diretora executiva das entidades, reforçou que a robótica vai além da tecnologia: envolve ampliar o potencial humano, qualificar equipes e manter o paciente no centro da estratégia.

 

MicroPort no Brasil e a telecirurgia

 

Parceira estratégica das entidades, a MicroPort apresentou seu portfólio global — que inclui stents, dispositivos cardiovasculares, ortopedia, neurologia e cirurgia robótica. Fundada em Xangai e presente em mais de 90 países, a empresa opera no Brasil desde 2017, com escritório próprio desde 2022 e equipe integralmente brasileira.

No campo robótico, além da plataforma Toumai (tecidos moles), a empresa desenvolve soluções para ortopedia, intervenção cardiovascular, urologia e outras especialidades.

O destaque foi a telecirurgia. Em setembro de 2025, a empresa obteve da Anvisa a primeira aprovação regulatória para telecirurgia não experimental no país. O procedimento marco ocorreu entre o Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, e o Hospital 9 de Julho, em São Paulo, com latência de 24 milissegundos e sem intercorrências.

 

Viabilidade: robótica não é conta isolada

 

O núcleo do evento foi o talk show “Robótica Cirúrgica Sem Mitos”, com participação de Raphael Augusto Gomes de Oliveira (Hospital 9 de Julho) e do Dr. Luís Romagnolo (IRCAD América Latina e Hospital de Amor).

A mensagem foi direta: analisar a robótica de forma isolada tende a indicar retorno financeiro inferior ao custo de capital. O investimento só se sustenta quando inserido na estratégia global do hospital — considerando qualidade assistencial, engajamento médico, posicionamento e redução de complicações.

O Hospital 9 de Julho opera hoje com três plataformas robóticas e descreve o programa como altamente rentável. A chave está na escolha das equipes, no desenho do programa clínico e na distribuição adequada de casos — e não na simples aquisição do equipamento.

 

O erro mais comum: comprar sem estruturar

 

Com quase 12 anos de experiência e cerca de 4 mil procedimentos, o Dr. Romagnolo destacou que o principal erro é instalar a plataforma sem estruturar o programa. Certificação isolada não garante volume: apenas uma fração dos médicos treinados mantém prática regular.

A recomendação é iniciar com equipe definida, plano de treinamento, meta de casos concentrados e envolvimento de todo o ecossistema hospitalar — enfermagem, engenharia clínica, CME e logística. Até a estrutura física precisa ser avaliada: o equipamento pode ultrapassar uma tonelada.

O comitê de cirurgia robótica foi apontado como peça essencial para definir critérios, organizar volume e garantir sustentabilidade.

 

Teleproctoria e acesso

 

A discussão avançou para a teleproctoria — modalidade em que um cirurgião experiente orienta remotamente outro profissional durante o procedimento.

Os pilares que viabilizaram a telecirurgia no Brasil foram avanço regulatório, infraestrutura tecnológica com redundância de conexão e protocolo rigoroso de segurança. O objetivo, segundo os debatedores, é ampliar acesso, inclusive em regiões onde não há especialistas disponíveis.

 

O que define um hospital robótico

 

A resposta foi unânime: não basta adquirir um robô.

Um hospital robótico exige infraestrutura adequada, programa clínico estruturado, comitê ativo, equipe treinada e sistema de dados auditável. O uso de indicadores permite rastrear desfechos, identificar falhas e aprimorar resultados.

A conclusão do encontro foi clara: a cirurgia robótica já é decisão de gestão presente. O diferencial não está apenas na tecnologia, mas na capacidade de construir o ecossistema ao redor dela — com estratégia, governança e execução.

O evento reuniu representantes de instituições de saúde de diferentes regiões do Brasil, reforçando que o debate sobre robótica deixou de ser tendência futura para se consolidar como pauta estratégica do setor hospitalar.

Artigos Relacionados...

Últimas Notícias

Como combater o desperdício na saúde?

O desperdício é um dos maiores desafios do setor da saúde e compromete recursos que poderiam ser direcionados à ampliação do acesso, à melhoria da qualidade assistencial e à incorporação

Últimas Notícias

Nova diretoria do SindHosp toma posse

Em almoço realizado em 10 de junho, na Capital paulista, os novos integrantes da diretoria do SindHosp, eleitos para o triênio 2026-2029 em abril passado, tomaram posse. “Mais do que

Curta nossa página

Siga nas mídias sociais

Mais recentes

Receba conteúdo exclusivo

Assine nossa newsletter

Prometemos nunca enviar spam.

Scroll to Top