Superintendente do IESS, José Cechin aponta rumos da saúde suplementar

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O engenheiro eletrônico José Cechin teve uma participação decisiva nos rumos macroeconômicos do Brasil ao participar da formulação do Plano Real e da Reforma da Previdência, ainda nos anos 1990. Hoje, o ex-ministro da Previdência Social é superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Complementar (IESS), entidade que ajudou a criar em 2006 e se tornou referência para as operadoras de planos de saúde. Ele participou do videocast “Papo da Saúde” e falou sobre os desafios do setor em entrevista a Francisco Balestrin, presidente da Fehoesp e do SindHosp, e Luiz Fernando Ferrari Neto, presidente do Conselho Fiscal do SindHosp. Clique aqui para assistir à íntegra da conversa.

Estudos de Saúde Suplementar

Formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e com mestrado na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, Cechin explica que o IESS tem por objetivo promover e realizar estudos de aspectos conceituais e técnicos que sirvam de embasamento para implementação de políticas e introdução de melhores práticas voltadas para a saúde suplementar. “Nosso papel é ajudar a aperfeiçoar o sistema de saúde suplementar. O sistema tem de ser equilibrado, voltado não só para as pessoas, mas, também, permitindo os negócios. É preciso que haja sustentabilidade financeira”, opinou José Cechin.

O entrevistado do Papo da Saúde explicou que o IESS não é a linha de frente das operadoras de planos de saúde, como ocorre com outras entidades. “Na verdade, ficamos na retaguarda, fornecendo insumos, análises e avaliações. A ideia é que as operadoras tenham um diálogo mais fluido e aperfeiçoem sua atuação”, revelou Cechin. “Além disso, é difícil de se entender o funcionamento de um plano de saúde. Por isso também temos uma atuação na área da comunicação social, procurando explicar a lógica do mutualismo e as questões que envolvem as relações com os beneficiários”.   

Espectro autista e desperdício

Durante o bate-papo, José Cechin abordou a polêmica em torno de pessoas com espectro autista envolvendo os planos de saúde. Segundo ele, houve um mal-entendido ao se tratar do tema. “Muitos consideraram que o setor de saúde suplementar estaria buscando formas de não dar a atenção necessária para as pessoas com espectro autista. Mas não era essa a intenção, nem a discussão”, ponderou Cechin. “O que aconteceu é que houve uma explosão de casos de transtornos mentais, sobretudo durante a pandemia, incluindo os de pessoas com espectro autista, e identificamos um aumento expressivo de atendimentos de profissionais de nível superior não médicos. Para se ter uma ideia, o número de diagnósticos cresceu exponencialmente nos últimos anos e registramos casos em que uma criança permanecia em terapia 60 horas por semana, o que representa um custo alto para o sistema. A discussão sempre foi sobre a real necessidade terapêutica dos pacientes, procurando evitar abusos, fraudes e desperdícios”.

Para o executivo do IESS, o debate em torno de desperdícios é complexo, uma vez que as opiniões médicas podem variar diante de um mesmo caso e é bastante difícil predizer um desfecho com plena segurança. “É diferente das fraudes, que são condenáveis, mesmo que existam inúmeras modalidades. Como julgar se um exame não é necessário? É muito difícil tipificar desperdício. Sabe-se que existe, sabe-se que é volumoso, mas como resolver isso? Talvez a inteligência artificial ajude, não dando respostas, mas sendo um poderoso instrumento para os profissionais, formulando hipóteses, estabelecendo conexões ou sugerindo alternativas”, sustentou José Cechin.  

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