Sindhosp

CATS

CAPE e CATS debatem fim da escala 6×1

Reunião conjunta da CAPE e da CATS abordou efeitos do segundo repouso sobre jornadas, escalas e organização do trabalho

A criação de um segundo repouso semanal remunerado é a principal preocupação do setor de saúde diante da PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1. O tema foi discutido em reunião conjunta da Câmara de Assuntos Políticos e Estratégicos (CAPE) e da Câmara de Assuntos Trabalhistas e Sindicais (CATS), promovida pela FESAÚDE e pelo SindHosp.

O encontro reuniu representantes de hospitais, clínicas, laboratórios e outros serviços privados de saúde. Daniela Bernardo, coordenadora de Relações Trabalhistas e Sindicais da FESAÚDE, apresentou a análise técnico-jurídica. O cenário político foi abordado por Fábio Zambeli, da Athos Public Affairs, do Grupo In Press, jornalista com 34 anos de experiência em cobertura política e análise de risco político e econômico.

Na abertura, o presidente da FESAÚDE e do SindHosp, Francisco Balestrin, defendeu cuidado para que a discussão não seja transformada em confronto entre trabalhadores e empregadores: “Estamos juntos, mas essa é uma situação que só podemos resolver à luz de uma discussão econômica e financeira séria, objetiva e clara”, afirmou.

Segundo repouso exige revisão de contratos e escalas

 

A PEC 221/2019, aprovada pela Câmara em 27 de maio de 2026, estabelece jornada máxima de 40 horas semanais em cinco dias, com dois repousos remunerados e sem redução salarial. Dois meses após a publicação da emenda constitucional, a jornada cairia de 44 para 42 horas e começariam a valer os dois repousos. O limite de 40 horas seria adotado 12 meses depois.

Parte das instituições já opera com jornadas próximas ou inferiores a 40 horas. O segundo repouso, porém, altera cálculos trabalhistas e exige a revisão de contratos e escalas em serviços que funcionam 24 horas. Daniela explicou: “A gente está criando um descanso semanal remunerado a mais. Então, há impactos econômicos relevantes em relação a isso e toda a estrutura sofre mudanças”.

Para atividades essenciais, incluindo a saúde, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer compensações que assegurem, na média, dois repousos semanais dentro do mês. A regra alcança modelos como o 12×36. Jornadas já fixadas em 40 horas ou menos não serão reduzidas proporcionalmente, mas esses trabalhadores também terão direito aos dois repousos.

Daniela destacou ainda que cláusulas coletivas incompatíveis com as novas regras perderão a validade dois meses após a publicação da emenda. Nas centrais de atendimento, a distribuição em cinco dias das seis horas diárias previstas pela NR-17 poderia reduzir a carga para 30 horas semanais e exigir a recomposição das equipes. A aplicação dependerá da redação final e das compensações permitidas.

Inaldo Leitão e Fabio Zambeli comandam debate sobre a jornada 6 x 1

A proposta recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno e 461 votos a favor e 19 contra no segundo. No Senado, aguarda despacho, sem relator e sem data prevista para votação. Para Zambeli, o calendário dependerá das decisões de Davi Alcolumbre, presidente do Senado: “Se ele quiser, a gente tem a votação o mais rápido possível. Se não quiser, a votação vai ficar para depois da eleição”.

NR-1 também esteve em debate

 

Outro tema relevante da reunião foi a inclusão expressa dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais da NR-1, em vigor desde 26 de maio de 2026. As instituições devem avaliar fatores como sobrecarga, metas, ritmo de trabalho, conflitos, assédio e funcionamento dos canais de denúncia.

Daniela Bernardo fala sobre a NR-1

Daniela Bernardo ressaltou que programas de saúde mental e atendimento psicológico não substituem a identificação dos riscos, a adoção de medidas e o acompanhamento dos resultados. A coordenadora também relatou o aumento de ações trabalhistas envolvendo burnout e redução da capacidade laboral.

Em 25 de junho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu por 90 dias a aplicação de multas e outras sanções relacionadas às novas exigências e abriu uma etapa de conciliação. As obrigações da NR-1 continuam vigentes e devem ser adaptadas ao porte, à atividade e à realidade de cada estabelecimento.

CAPE e CATS debatem fim da escala 6×1 Read More »

CATS discute igualdade salarial e negociações coletivas

A segunda reunião da Câmara de Assuntos Trabalhistas e Sindicais do SindHosp discutiu dois temas que impactam de forma direta as relações de estabelecimentos de saúde da rede privada com seus colaboradores. No primeiro bloco, a advogada trabalhista Daniela Bernardo, coordenadora da CATS, tratou da Lei de Igualdade Salarial entre homens e mulheres e, no segundo, o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais e consultor e ex-diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), falou sobre mercado de trabalho e negociações coletivas. O encontro contou com a participação de 18 integrantes da CATS.

Homens e mulheres

Publicada em 2023, a legislação que dispõe sobre os critérios de igualdade salarial entre homens e mulheres (Lei nº 14.611/2023) foi regulamentada pelo Decreto 11.795/2023 em conjunto com a Portaria MTE 3.714/2023. Segundo a regulamentação, empresas com mais de cem empregados devem enviar um relatório ao Ministério do Trabalho e Emprego e fazer a divulgação semestral em mídias próprias com informações relativas à remuneração dos trabalhadores da organização.
Em sua explanação, a advogada trabalhista Daniela Bernardo apresentou detalhes sobre o tema e ouviu dos integrantes da mesa o que cada um tem feito a esse respeito. De acordo com as considerações gerais, as medidas variam. Há as empresas que publicaram o relatório e aquelas que não publicaram. Entre as que publicaram, algumas não fizeram ponderações enquanto outras enfatizaram a inexistência de distinção salarial entre homens e mulheres que exercem as mesmas atividades e possuem a mesma função. As que não publicaram o fizeram em razão de medida judicial (que concedeu liminar autorizando a não publicação) ou em virtude da incerteza jurídica, considerando, inclusive, a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADI 7612) interposta pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Para Daniela Bernardo, independentemente da medida adotada, e da análise de riscos vinculada a essa decisão, é importante que as empresas verifiquem internamente as suas políticas de cargos e salários. “Além de garantir que não haja nenhuma diferença salarial entre homens e mulheres”, acrescentou a coordenadora da CATS.

Desafios trabalhistas

No segundo bloco da reunião da CATS, o sociólogo Clemente Ganz Lúcio falou sobre mercado de trabalho e negociações coletivas. Além de coordenador do Fórum das Centrais Sindicais e consultor e ex-diretor técnico do DIEESE (2004/2020), ele é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) da Presidência da República e membro do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil.
Durante sua palestra, Clemente Ganz Lúcio elencou os principais desafios atuais nas relações de trabalho diante de mudanças disruptivas no processo de produção, tratou da reformulação do sistema e da cultura sindical no Brasil em discussão dentro do Ministério do Trabalho e Emprego e defendeu o fortalecimento da negociação coletiva para que a estrutura sindical se adapte às transformações em curso no mundo do trabalho.
“A sociedade passa por mudanças disruptivas no processo de produção”, destacou o sociólogo. “A engenhosidade humana criou máquinas que não só substituem a força manual, como, também, e principalmente, processam e armazenam informações. Essa quebra de paradigma tem impacto sobre todas as dimensões da vida e, consequentemente, do trabalho”.
A próxima reunião da CATS acontece em maio próximo. O propósito dessa câmara é contribuir para o alinhamento de discurso do setor patronal da saúde com embasamento técnico, trabalhando em prol da construção de negociações coletivas e acordos individuais eficientes e contemporâneos.

CATS discute igualdade salarial e negociações coletivas Read More »

SindHosp lança Câmara de Assuntos Trabalhistas e Sindicais, a CATS

Sindicato patronal de referência na área de saúde, o SindHosp acaba de constituir uma nova câmara de debates voltada a seus associados. Trata-se da Câmara de Assuntos Trabalhistas e Sindicais (CATS), que nasce com o objetivo de alinhar narrativas e ações entre seus integrantes. “Nosso objetivo é fortalecer a sinergia entre as partes envolvidas nas comissões de negociação, embasando as narrativas com dados robustos, para que haja uniformidade entre todas as negociações sustentada por reinvindicações e argumentações mais embasadas e articuladas”, destacou Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, na abertura dos trabalhos.

Negociadores preparados

A ideia é que os participantes possam trocar experiências e aprimorar habilidades, buscando uma melhor compreensão das tendências emergentes no mundo do trabalho no setor da saúde. Durante a reunião inaugural, o sponsor Luiz Fernando Ferrari, a coordenadora Daniela Bernardo e a secretária-executiva Gabrielle Rodrigues, todos do SindHosp, apresentaram o CATS a executivos das áreas de Recursos Humanos e Relações Trabalhistas e Sindicais de diferentes empresas do setor antes de obter a anuência de todos para o seguimento do projeto e ouvir as expectativas de cada um deles.  

As reuniões mensais da CATS, que serão sempre presenciais na sede do SindHosp, permitem que empresas concorrentes coloquem de lado disputas comerciais, encontrem-se em um espaço confiável e obtenham subsídios técnicos para as negociações sindicais e trabalhistas, que são de interesse comum. Os encontros pretendem preparar melhor os negociadores para as assembleias, seja com dados ou discursos, tendo o SindHosp como parâmetro, inclusive para acordos individuais. Uma fração percentual de um reajuste tem um impacto significativo na folha de pagamento, principalmente de empresas grandes, daí a necessidade de se negociar melhor e favorecer a sustentabilidade financeira das empresas.

Acordos individuais e coletivos

Convidado especial desta primeira reunião, o advogado Clovis Queiroz, diretor de Relações do Trabalho e Sindical Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), falou da importância de um espaço estratégico-empresarial para a troca de ideias entre hospitais, laboratórios, clínicas e demais estabelecimentos de saúde. Segundo ele, não são raros os casos de empresas que fecham acordos trabalhistas individualmente desvantajosos em comparação à convenção coletiva firmada entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores de uma determinada categoria, sem possiblidade de ação ou reação.

Três pilares

No encontro inaugural, foram apresentados os três pilares da CATS, tendo como ponto de convergência o reconhecimento da importância das assembleias como espaço para construção de acordos coletivos, e um espaço que precisa ser valorizado pelas empresas. As questões em torno do piso salarial da enfermagem se revelaram centrais nessa discussão. O debate começou na política, migrou para o ambiente trabalhista e hoje impacta no modelo de negócios de muitos estabelecimentos de saúde. Os três pilares da CATS são “Negociações Coletivas”, “Remuneração e Benefícios” e “Saúde e Segurança do Trabalho”.

SindHosp lança Câmara de Assuntos Trabalhistas e Sindicais, a CATS Read More »

Scroll to Top