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Desenvolvimento sustentável entra na agenda de empresas de saúde

O terceiro Workshop da Saúde promovido pelo SindHosp abordou o tema Desenvolvimento Sustentável nos Ecossistemas de Saúde. O encontro virtual, que faz parte do programa de educação continuada do SindEduca, aconteceu no dia 5 de setembro último e foi transmitido pelas plataformas Hospitalar Hub e Youtube com a participação de internautas via chat e WhatsApp. Clique e assista na íntegra.

Durante quase uma hora e meia, a diretora Executiva do SindHosp, Larissa Eloi, conversou com o professor e pesquisador Marcos Felipe Magalhães, autor do livro “Estratégias do Desenvolvimento Sustentável: ASG+P” e coordenador geral da certificação do Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs). Intitulado “ESG+P e os Quatro Pilares do Desenvolvimento Sustentável”, o workshop tratou dos desafios das organizações de saúde em torno dos fundamentos expressos na sigla ASG+P (ou ESG+P, em inglês): ambiente, sociedade, governança e pessoas. “Esse é um tema complexo, ousado e inovador, que tem de estar na agenda das empresas da área da saúde de todos os portes”, destacou Larissa Eloi na abertura do evento.

Valores intangíveis

Para Marcos Felipe Magalhães, missão e atividade econômica devem conviver harmoniosamente dentro da área da saúde. “Uma organização que se preocupa com meio ambiente, bem-estar social, governança consciente e humanização do trabalho tende a ser vista como mais confiável e responsável”, enfatizou o professor. “A saúde entrega valores intangíveis, por isso seus indicadores têm de ir além da qualidade assistencial, dos desfechos de atendimentos e do controle orçamentário”.

O desenvolvimento sustentável pressupõe uma evolução nas condições ambientais, sociais, culturais, econômicas e humanas de uma empresa com o objetivo de atender a todas as partes interessadas, isto é, a todos aqueles que afetam ou são afetados por uma organização. No caso de uma instituição de saúde, estão entre as partes interessadas os colaboradores, os médicos, os pacientes, os pesquisadores, os terceirizados, a comunidade vizinha, os prestadores de serviço da saúde, os fornecedores, os parceiros e assim por diante.

O professor Marcos Felipe Magalhães elaborou com sua equipe um programa de desenvolvimento sustentável em que lista 240 práticas distribuídas pelos quatro pilares do conceito ASG+P. Na prática, uma matriz que funciona como base para o desenvolvimento estratégico das empresas. “A ideia é convergir as soluções para os diferentes quadrantes da matriz, como se fosse um framework”, detalhou o acadêmico durante o bate-papo. “O conceito ASG+P é uma evolução de várias demandas que foram provocadas pelas mudanças no comportamento social ao longo das últimas cinco décadas”.

Compromissos e resultados

Os resultados de um programa ASG+P para uma instituição de saúde passam por conservação de recursos, responsabilidade social, melhoria da saúde pública, redução de custos operacionais, atração de talentos e pacientes, conformidade com regulamentações e promoção de inovações. “Para tanto, a empresa precisa gerar valor aos acionistas, atender às expectativas dos pacientes, compensar colaboradores com justiça, apoiar a comunidade, lidar com fornecedores de forma justa e ética, proteger práticas sustentáveis para o meio ambiente e agregar valor a outras partes interessadas. Sim, tudo isso garantindo a harmonia entre todos”, resumiu Magalhães.

O programa desenvolvido pelo professor estipula 16 compromissos de uma organização de saúde, quatro para cada um dos pilares ASG+P. Na área ambiental, estão o cuidado com o meio ambiente, a eficiência no uso de energia, o impacto das mudanças climáticas na saúde humana e na infraestrutura e a gestão de resíduos em serviços de saúde. No âmbito da sociedade, os objetivos são preservar ética e valores sociais, promover o desenvolvimento humano, cumprir as responsabilidades sociais e contribuir para o desenvolvimento econômico.

Para governança, os compromissos são garantir a excelência na segurança e na qualidade da saúde do paciente, buscar a sustentabilidade econômico-financeira, cuidar da experiência do paciente e dos desfechos clínicos e obter o reconhecimento e a reputação, tornando-se referência na especialidade. Por fim, dentro do pilar pessoas, os objetivos são qualificar a cadeia de valor, promover a participação e compartilhar os êxitos, incentivar a capacitação e desenvolvimento pessoal e assegurar a qualidade de vida no trabalho.  

Abordagem sistêmica

“O importante é pensar com lógica de rede, interligando os compromissos e as partes interessadas. Trata-se de uma abordagem sistêmica, uma visão holística que inclui demandas sociais, ambientais, organizacionais e individuais das partes interessadas, respeitando os ‘fluxos’ do planeta, da sociedade, do capital e do trabalho”, explicou Marcos Felipe Magalhães no workshop. Em outras palavras, existe uma lógica de ecossistema, os recursos entregues geram recompensas na cadeia. “No âmbito do ambiente, o uso de recursos naturais pede um equilíbrio ecológico; na sociedade, os recursos humanos demandam desenvolvimento social; na governança, os recursos financeiros exigem rentabilidade; e, na pessoa, os recursos humanos pressupõem satisfação pessoal”.

Na visão do palestrante, o gestor da instituição de saúde precisa entender o negócio para além da qualidade e da segurança do atendimento, enxergando o entorno do paciente. Existe a família que exige uma boa experiência e um desfecho clínico favorável, o investidor, que precisa de sustentabilidade do negócio, e o médico, que busca reconhecimento e reputação. Há uma segunda camada no entorno do paciente. São fornecedores e operadoras que dependem de uma cadeia de valor qualificada, a área de tecnologia que pede capacitação e desenvolvimento e os profissionais, que precisam de qualidade de vida no trabalho. Na última camada estão a sociedade com sua ética e seus valores, os cientistas que olham para a saúde e o meio ambiente e os agentes sociais que cobram responsabilidades sociais e governos, que dependem de contribuição para a economia.  

“Um dos desafios é identificar quem atende cada uma dessas partes interessadas na sua organização. Paralelamente, as pessoas precisam deixar de pensar no ‘egossistema’ para pensar no ecossistema. Não se trata do meu esforço na organização, mas, sim, do impacto do que faço na cadeia de fornecedores, na equipe de saúde e nos produtores de toda a indústria que gira em torno da minha atividade”, ensinou o professor. “O vestiário do pessoal que trabalha no atendimento de emergência está à altura do que eu exigiria? Se os colaboradores não forem bem tratados, não vão tratar bem os pacientes. O técnico de enfermagem é quem mais passa tempo com o paciente. O importante é que todos sintam que são tratados de maneira humana”.

Programa de capacitação

A base conceitual do workshop está no livro “Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável: ASG+P”, do professor Marcos Felipe Magalhães. Ele é também a base do programa de certificação do CBEXs “Desenvolvimento Sustentável em Organizações de Saúde”, que acontece em 11 de outubro e terá 60 horas. Mais informações: https://www.cbexs.org.br/sustentabilidade

Crime cibernético se torna um tema crítico para a saúde

Dando sequência ao programa Workshop da Saúde, o SindConecta, área de eventos do SindHosp, em parceria com a VipRede, empresa especializada em soluções de Tecnologia da Informação (TI), promoveu no dia 17 de agosto, na sede do Sindicato, em São Paulo, o seminário “Cibersegurança: desafios e soluções para a área da saúde”. O evento híbrido, que contou com a audiência de cerca de 250 participantes entre presenças físicas e remotas, está disponível no canal do SindHosp no YouTube. Para acessá-lo na íntegra clique aqui

“Clínicas, laboratórios e hospitais precisam se mobilizar para enfrentar os desafios em torno do crime cibernético, que se tornou um dos temas mais críticos no ambiente corporativo”, destacou a diretora Executiva do SindHosp e mediadora do workshop, Larissa Eloi.

Participaram do evento Guilherme Iglesias, sócio e chief Security Officer (CSO) da VipRede; Diogo Manfré, líder de Resposta a Incidentes da VipRede; Carlos Baleeiro Jr., head of Enterprise Brazil da Kaspersky; e Alex Julian, diretor Executivo de TI da Kora Saúde. “A gestão de riscos faz parte da rotina de gestores, administradores e do cidadão em geral, seja no trânsito, no trabalho ou no ambiente doméstico. Os riscos cibernéticos se somam aos demais riscos, com uma diferença: são ataques que a gente não vê”, pontuou Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, na abertura do evento.

Extorsão e resgate

De acordo com Carlos Baleeiro, da Kaspersky, o setor hospitalar é o terceiro com maior número de ataques cibernéticos no âmbito global, com um aumento de 74% no número de violações de 2021 para 2022. “No Brasil, o segmento que engloba convênios e hospitais teve uma média de mais de 1.600 ataques cibernéticos entre abril e setembro de 2022. O setor de saúde responde por 35% dos casos de ciberataques no país”, revela Baleeiro. “E o setor hospitalar é o que mais paga resgate, o que acontece em 61% dos casos”.

Uma das ameaças mais temidas pelas corporações é um software malicioso (malwere) chamado ransomware, com nome derivado da palavra inglesa “ramsom”, que significa resgate. Trata-se de um software de extorsão usado por criminosos para invadir seu sistema e depois exigir um resgate em dinheiro para liberá-lo. Eles se tornaram famosos em 2017, quando um ransomware batizado WannaCry foi utilizado para atacar computadores com sistema operacional Microsoft Windows. Os criminosos criptografavam os dados e exigiam um pagamento em criptomoedas Bitcoin para fazer a devolução. Desde então, o tema ganhou relevância nos centros de decisões das principais organizações do mundo.

“As soluções de segurança são diferentes conforme a necessidade das empresas. O simples e o básico bem-feitos são melhores do que o sofisticado malfeito”, explica Guilherme Iglesias, da VipRede. “Na área hospitalar, que trabalha em regime ininterrupto (24 por 7), com diferentes pessoas operando uma mesma máquina, os gestores precisam estar sempre atentos aos ataques de criptografia, fazendo um minucioso diagnóstico das suas proteções e investir em inteligência de ameaças”.

O cibercrime rende trilhões de dólares por ano, um mercado mais lucrativo do que o de drogas ilegais. Os ciberataques deixaram de ser um problema de TI para se tornarem um risco comercial. Para Alex Julian, da Kora Saúde, o maior erro do gestor é acreditar que sua organização está imune aos ataques. “Ninguém está imune. A questão não é se sua empresa sofrerá um ataque, mas quando isso vai acontecer”, argumenta o executivo. “É um trabalho contínuo, que nunca elimina o risco, mas faz diferença. Nesse processo, é muito importante trabalhar mudanças de cultura dentro da empresa, educando as pessoas. É muito importante também que a segurança da informação não barre o negócio, é preciso proteger e viabilizar”.

As estratégias de segurança vão dos antivírus das máquinas, passando por sistemas robustos de criação e verificação de senhas, até modelos personalizados de backup. Também fazem parte dessa estratégia as medidas de reação ao ciberataque, buscando diminuir o impacto de eventuais violações. “Os principais vetores de ataques são acessos à credencial de administradores do sistema e força bruta, com uso de robôs disparando milhares de senhas por minuto, além de eventual falta de proteção em uma ou outra máquina”, diz Guilherme Iglesias, da VipRede.

Segundo Diogo Manfré, também da VipRede, o primeiro passo para incrementar um sistema de segurança da informação é validar as ferramentas existentes e entender quais são suas necessidades específicas. “Está tudo bem configurado, os fatores de autenticação de senha são suficientes, o antivírus cumpre bem o seu papel? É importante que a empresa se faça essas perguntas para começar a avaliar se seus dados estão seguros”, acrescenta Manfré.

Grupo técnico

Um dos principais dilemas dos gestores de saúde é que as organizações têm em seu DNA a meta de salvar vidas e nem sempre estão prontas para proteger dados. Por isso, o SindHosp lançou durante o workShop um Grupo Técnico de Saúde Digital, coordenado por Marco Bego, diretor Executivo do INRAD (Instituto de Radiologia) e CEO do Centro de Inovação (InovaHC), ambos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).

Acompoanhe no site do SindHosp os encontros e discussões do Grupo.

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