Sindhosp

Ana Paula

TEA exige debates e soluções consensuais

Nos últimos meses, reportagens e artigos sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) passaram a ocupar com frequência os noticiários. Os motivos oscilam entre os direitos dessas pessoas, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, o cancelamento de planos de saúde coletivos ou por adesão que tinham como beneficiários portadores deste transtorno, até a recente denúncia feita ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania por associações que representam esses pacientes questionando a quantidade de horas de terapia. Segundo documento entregue à ministra Macaé Evaristo, o excesso de terapêuticas representa uma violação aos direitos humanos e seria “uma forma moderna de regime manicomial”.

TEA, segundo a literatura médica, “é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por irregularidades na interação social e reações atípicas a estímulos do meio”. O termo “espectro” quer dizer que há diferentes níveis de gravidade do transtorno, portanto, as intervenções devem ser elaboradas atendendo às necessidades de cada portador.

Segundo o Center for Disease Control and Prevention (CDC), em 2000, uma em cada 150 crianças de 8 anos de idade era diagnosticada com TEA nos EUA. Em 2023, o estudo do CDC mostra que esse número subiu para uma em cada 36 crianças, o que significa que 2,8% dos estadunidenses têm autismo. No Brasil não existem estatísticas oficiais, mas, se fizermos uma projeção a partir do estudo do CDC, chegaremos ao número de 5,9 milhões de autistas no país.

A Lei nº 12.764, de 2012, garante a esses indivíduos, entre outros direitos, o acesso a ações e serviços de saúde. Outras regulamentações foram publicadas a partir de 2021, como a Linha de Cuidado para Crianças com TEA, a integração do transtorno à Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência e a Resolução nº 539, da ANS, que regulamenta a cobertura obrigatória de sessões com psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos para o tratamento/manejo dos beneficiários portadores de TEA.

Apesar das iniciativas, pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e da PUC-SP revela que as negativas de cobertura para tratamento de autistas lideraram o número de processos na Justiça paulista contra as operadoras de planos de saúde no ano passado. Paralelamente, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) alega que os custos com tratamentos do TEA superaram, em 2023, os gastos com oncologia. Por fim, levantamento da ANS, entre janeiro e agosto deste ano, mostra que foram feitas mais de 10 mil reclamações no órgão relacionadas a tratamentos de crianças de até 12 anos com TEA.

O tema, como exposto, necessita de amplo diálogo e de soluções consensuais. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania já divulgou que fará uma audiência pública e irá instaurar uma câmara técnica sobre o assunto. Para assegurar os direitos dos pacientes, o importante equilíbrio econômico-financeiro dos contratos com as fontes pagadoras e o acesso ao tratamento pelo SUS, é fundamental que as partes envolvidas participem das discussões dispostas a negociar e encontrar desfechos favoráveis para todos os envolvidos, lembrando que “não se pode apertar mãos com os punhos fechados”, como ensinou Indira Ghandi.

Francisco Balestrin

Presidente do SindHosp  

Artigo publicado na edição de setembro/24 da revista LaborNews.

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Firmada Convenção Coletiva de Trabalho com SINTTARAD de Ribeirão Preto e Região

Informe SindHosp Jurídico nº 91-A/2024

FIRMADA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO COM O SINDICATO DOS
TÉCNICOS, TECNÓLOGOS E AUXILIARES EM RADIOLOGIA,
RADIODIAGNÓSTICO, RADIOTERAPIA, MEDICINA NUCLEAR, RADIOLOGIA
INDUSTRIAL E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DE RIBEIRÃO PRETO E REGIÃO
– SINTTARAD-RPR, VIGÊNCIA DE 1º DE AGOSTO DE 2024 A 31 DE JULHO
DE 2025.

Informamos que o SindHosp firmou Convenção Coletiva de Trabalho com o
SINDICATO DOS TÉCNICOS, TECNÓLOGOS E AUXILIARES EM RADIOLOGIA,
RADIODIAGNÓSTICO, RADIOTERAPIA, MEDICINA NUCLEAR, RADIOLOGIA
INDUSTRIAL E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DE RIBEIRÃO PRETO E REGIÃO
– SINTTARAD-RPR, com vigência de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025.

A íntegra da Convenção Coletiva de Trabalho encontra-se à disposição dos sócios e
contribuintes no site do SINDHOSP, www.sindhosp.org.br ícone Jurídico/Convenções
Coletivas.

São Paulo, 24 de setembro de 2024.

FRANCISCO ROBERTO BALESTRIN DE ANDRADE
PRESIDENTE

Base Territorial: Boa Esperança Do Sul, Corumbataí, Dourado, Itirapina, Nova
Europa, Pirassununga, Ribeirão Bonito, Santa Gertrudes, São Carlos

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Firmada CCT com sindicato dos técnicos de segurança do trabalho do Estado de São Paulo

Informe SindHosp Jurídico nº 92-A/2024

FIRMADA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO COM O SINDICATO DOS
TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO DO ESTADO DE SÃO PAULO –
SINTESP, VIGÊNCIA DE 1º DE MAIO DE 2024 A 30 DE ABRIL DE 2025.

Informamos que o SindHosp firmou Convenção Coletiva de Trabalho com o
SINDICATO DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO DO ESTADO DE
SÃO PAULO – SINTESP, com vigência de 1º de maio de 2024 a 30 de abril de 2025.

A íntegra da Convenção Coletiva de Trabalho encontra-se à disposição dos sócios e
contribuintes no site do SINDHOSP, www.sindhosp.org.br ícone Jurídico/Convenções
Coletivas.

São Paulo, 23 de setembro de 2024.

FRANCISCO ROBERTO BALESTRIN DE ANDRADE
PRESIDENTE

Base Territorial: Todo o Estado de São Paulo

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Setembro Amarelo: investimento em saúde mental para prevenir suicídios

Núcleo de educação do SindHosp, o SindEduca promoveu em parceria com a consultoria Bentec a palestra “Setembro Amarelo: Se precisar, peça ajuda”, ministrada pela psicóloga e professora Vivian Araújo. Com 20 anos de experiência em psicologia clínica e atuação na saúde básica, ela falou sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, destacando a importância de repensar o tema.

Vivian Araújo defendeu três abordagens ao falar de suicídio: a promoção de saúde, a prevenção do suicídio e o que chamou de “pósvenção” – ou seja, os cuidados com as pessoas impactadas pelo suicídio de alguém próximo. “Saúde mental significa estarmos bem conosco, bem com o outro e prontos para lidarmos bem com as adversidades da vida”, definiu a psicóloga. Para ela, as pessoas não precisam achar, nem ficar dizendo, que “está tudo bem”, porque as adversidades existem. “O importante é ter saúde mental para saber lidar com as adversidades e o primeiro passo é assumir que não está tudo bem”, explicou Vivian Araújo.

Causas multifatoriais

A palestrante enfatizou a necessidade de desconstruir mitos culturais sobre saúde mental. “Muita gente acha que ter problema é não ter saúde mental, e não é isso”, explicou. Ela alertou que pedir ajuda não deve ser visto como sinal de fraqueza ou falta de positividade. “Está errada a ideia de que pedir ajuda significa vulnerabilidade”, afirmou Araújo.

O movimento Setembro Amarelo visa à prevenção ao suicídio, uma preocupação global de saúde pública. No Brasil, ocorre um suicídio a cada 38 minutos, totalizando mais de 16 mil mortes por ano. “O Brasil é o país com maior número de ansiosos e o segundo com maior número de deprimidos”, disse Vivian Araújo.

A psicóloga explicou que o suicídio é resultado de uma complexa rede de fatores econômicos, sociais, culturais, biológicos e emocionais. “Não basta olhar só para a pessoa, mas entender os impactos de tudo que a cerca”, destacou. Ela mencionou que fatores externos, como aglomerações e calor, ou mesmo o uso de redes sociais podem influenciar a saúde mental. “O suicídio é a solução encontrada por algumas pessoas para lidar com sofrimentos intoleráveis e intermináveis. Ou seja, nunca é culpa da pessoa”.

Luto próprio

Para cada suicídio, em média, 135 pessoas são impactadas. O luto por suicídio tem características próprio, porque a pessoa não para de se perguntar por que aquilo aconteceu. “É um luto que envolve julgamento, estigma, risco de suicídio, temáticas variadas e busca incessante pelos porquês, podendo variar de intensidade e tempo para cada pessoa”, definiu Vivian Araújo. “O mais difícil é não se culpar, pensando se não poderia ter feito algo”.

Segundo a palestrante, a melhor forma de ajuda é oferecer ajuda sem ser invasivo, contar histórias que viveu com a pessoa que faleceu, colocar-se à disposição para qualquer coisa e respeitar o tempo e a forma das pessoas demonstrarem o luto. “E nunca perguntar coisas como ‘vocês não perceberam nada?’ ou ‘sabe para onde vão os suicidas?’”, enfatizou Vivian Araújo. “Os grupos de apoio são a forma mais comum da pósvenção, pois criam a sensação de pertencimento e mostram que a pessoa não está sozinha, e que há um caminho depois dessa perda”.

  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Falta de foco;
  • Redes sociais;
  • Frustrações;
  • Estresse;
  • Esquizofrenia.

  • Alterações de padrão comportamental;
  • Afastamento social;
  • Desespero/desesperança;
  • Mudanças nos padrões emocionais e de sono;
  • Verbalização de pensamentos de morte.

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Palestra promovida pelo SindEduca destaca importância da gestão de resíduos

Em uma parceria entre o SindHosp e o condomínio onde está localizada sua sede, o Calcenter, a engenheira e educadora ambiental Eliane Aparecida Ta Gein, da consultoria Polzer Gerenciamento Ambiental, ministrou a palestra “Sustentabilidade na Prática”. O evento híbrido, promovido pelo núcleo de educação do SindHosp, o SindEduca, teve como objetivo conscientizar os participantes sobre a importância de gerar menos resíduos e desviá-los ao máximo do destino em aterros sanitários, promovendo a reciclagem, a compostagem e outras formas de reaproveitamento.

Realidade e potencial

Durante a palestra, Eliane Ta Gein destacou dados alarmantes sobre a gestão de resíduos no Brasil. “Estamos pagando para enterrar em aterros sanitários e lixões um material que tem valor econômico”, enfatizou a palestrante. Segundo ela, os dados sanitários do país também são alarmantes, com 53% da população sem acesso à coleta de esgoto, sendo que apenas 46% do esgoto coletado é tratado. Além disso, apenas 5% dos resíduos são reciclados ou destinados à compostagem, enquanto 33% dos alimentos produzidos são desperdiçados. “Esses números evidenciam a necessidade urgente de mudanças na gestão de resíduos para além dos grandes centros urbanos”, apontou Ta Gein.

A educadora ambiental ressaltou que há um grande potencial de reaproveitamento de resíduos no Brasil: “Podemos reaproveitar 90% dos resíduos, e não apenas 5%”. Ela enfatizou que o lixo não é imprestável, mas um recurso valioso, capaz de gerar renda, emprego e movimentar a indústria. A engenheira também alertou sobre os impactos ambientais do descarte inadequado, como a poluição dos oceanos por plásticos e outros materiais.

Medidas práticas 

Para alcançar uma gestão mais sustentável, Eliane Te Gein sugeriu medidas práticas como substituir descartáveis por itens reutilizáveis, usar buchas orgânicas, preferir compras a granel e utilizar ecobags em vez de sacolas plásticas. Ela também destacou a importância de se economizar papel toalha: “Uma tonelada de papel equivale a 17 árvores”.

O objetivo do trabalho no condomínio Calcenter, no coração de São Paulo, é alcançar no curto prazo 50% de reciclagem, que hoje está em cerca de 15%. Com uma população de seis mil pessoas gerando quase 10 toneladas de resíduos por mês, a meta é ambiciosa, mas essencial para reduzir o impacto ambiental e promover a sustentabilidade. Eliane Te Gein concluiu a palestra reforçando que todos têm um papel crucial na gestão dos resíduos que geram: “É como filho, se gerou, tem de cuidar”.

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SindHosp recebe delegação britânica para discutir intercâmbios na saúde

Em mais uma edição de seu WorkCafé, o SindHosp recebeu em sua sede uma delegação britânica de organizações e prestadores de serviços de saúde trazida pela equipe do governo do Reino Unido no Brasil para uma missão de intercâmbio comercial. Com mais de 75 anos de existência, o National Health System (NHS) britânico é um modelo integrado de cuidado focado no paciente, que inspirou o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, justamente por ser reconhecido como um dos melhores sistemas de saúde do mundo em termos de custo-benefício e acesso.

Saúde digital

O intercâmbio tem como objetivo facilitar a conexão de empresas britânicas com parceiros brasileiros interessados no potencial comercial de organizações ligadas ao NHS e empresas focadas em soluções de saúde digital. Os britânicos têm investido bastante em saúde digital, incluindo telemedicina, Inteligência Artificial (IA) e análise de dados, com soluções digitais e monitoramento remoto, implementados para os pacientes passarem menos tempo nos hospitais. O resultado são novos modelos de cuidado, IA para diagnóstico, terapias digitais e soluções de gerenciamento de saúde comportamental, com foco cada vez maior na prevenção, além de cirurgias robóticas, enfermarias virtuais, novos tratamentos genômicos e treinamento profissional com métodos inclusivos.

Participaram do WorkCafé sete organizações do Reino Unido. A NHS England, que trabalha com parceiros para planejar, educar e treinar uma força de trabalho internacional na área da saúde; a Alder Hey Children’s NHS Foundation Trust, que presta cuidados de saúde para mais de 400 mil jovens anualmente; o The South London and Maudsley NHS Foundation Trust, que oferece o maior programa de treinamento de psiquiatria na Europa e a segunda maior unidade de pesquisa em saúde mental do mundo; o Modality Partnership, que provê cuidados primários e comunitários do NHS, atendendo a mais de 8,5 milhões de cidadãos; o The Royal College of General Practitioners, que apoia a prática de cuidados primários por meio de treinamento, certificação, pesquisa e protocolos clínicos; a Spirit Health, que mantém a CliniTouch Vie, uma premiada plataforma de saúde digital, realizando monitoramento remoto de pacientes e permitindo aos profissionais de saúde transferirem com segurança os cuidados dos hospitais às casas; e a TPP, que é líder mundial em tecnologia de saúde, especializada em plataformas de prontuário eletrônico (EMR, da sigla em inglês) com computação em nuvem, e sistemas clínicos para diferentes cenários de cuidados.

SUS e NHS

O presidente do SindHosp/Fehoesp, Francisco Balestrin, deu as boas-vindas aos convidados e lembrou que o SUS é espelhado no NHS inglês. “O SUS oferece universalidade, integralidade, tudo 100% coberto. E é o maior do mundo, já que fazem parte dele 212 milhões de brasileiros”, enfatizou Balestrin. O cônsul-geral britânico em São Paulo, Jonathan Knott, que é também comissário de Comércio de Sua Majestade Real para América Latina e Caribe, defendeu a cooperação entre Brasil e Reino Unido. “Como já acontece entre AstraZeneca e Fiocruz”, lembrou o cônsul.  

20 milhões de prontuários

Abrindo os debates do WorkCafé, moderado pela consultora técnica do SindHosp Nathalia Nunes, o painel “Da consulta à casa: como a experiência britânica de Saúde Digital pode contribuir com as necessidades do mercado brasileiro?” reuniu Ashley Brook, diretor da TPP UK, e Nadine Miles, diretora de Desenvolvimento de Mercado da Spirit Health. “Temos uma plataforma digital completa de saúde: são 25 produtos diferentes, com dados em tempo real e disponíveis em locais remotos via dispositivos móveis, tudo via prontuários eletrônicos. Os usuários também podem subir dados off-line e o sistema é atualizado quando houver conexão com internet”, explicou Brook, da TPP UK, que gerencia 20 milhões de prontuários, cerca de um terço dos pacientes do NHS.

Informações na nuvem

Para Nadine Miles, da Spirit Healht, nada substitui a interação entre médico e paciente, mas a tecnologia pode facilitar o trabalho. “Temos um algoritmo que indica para o médico especialista quais dos pacientes vão necessitar de seu tempo valioso, e o especialista consegue manter contato via plataforma”, revelou Miles. “Não importa a via de comunicação, há a coleta dos dados, o algoritmo sistematiza os questionários, as informações ficam disponíveis na nuvem e o acesso ocorre em tempo real”.  

A segunda parte do evento teve o debate “A tecnologia em saúde – como o NHS está transformando o cuidado”, com participação de Mark Baumfield, líder global e diretor assistente do Royal College General Practitioners, Jose Mascarenhas, diretor de Vendas do South London and Maudsley NHS FT (The Maudsley), Rafael Guerrero, diretor do Alder Hey Children’s Hospital e Stephanie Dawe, parceira executiva da Modality Partnership.  

Teleatendimento

Mark Baumfield revelou que o Royal College General Practitioners é a maior faculdade de medicina do Reino Unido, com 55 mil membros, sendo cinco mil deles fora do país, e excelência na prática da medicina com clínicos gerais, os chamados médicos de família. Para ele, a digitalização é uma resposta aos desafios. “A pandemia mudou a forma como as pessoas se relacionam. Hoje, no Reino Unido, a maior parte do atendimento é feita on-line ou por telefone”, contou Baumfield.

Práticas padronizadas

Jose Mascarenhas, do South London and Maudsley NHS FT, explicou que o hospital Maudsley surgiu em 1247, mas, apesar de ser muito antigo, tem vocação para o pioneirismo. “Somos especializados em saúde mental e treinamos muita gente para que levem para seus países nossas práticas. Oferecemos treinamentos para profissionais de ambulância e polícia na abordagem de pessoas agressivas, por exemplo. Temos práticas padronizadas e reconhecidas”, destacou Mascarenhas.   

 

Criança saudável, adulto saudável

O cirurgião cardíaco infantil Rafael Guerrero, do Alder Hey Children’s Hospital, lembrou que o Brasil tem cerca de 63 milhões de pessoas abaixo de 18 anos de idade e que criança saudável significa adulto saudável. “Há muito o que se fazer na América Latina. Nossa experiência no atendimento de 300 mil crianças mostra que as instituições têm de ter foco na saúde mental no tratamento de outras doenças, porque lidar com qualquer doença nunca é fácil e requer atenção emocional”.

Cuidado primário

Por fim, a clínica geral Stephanie Dawe, da Modality Partnership, disse que não tem familiaridade com TI, mas reconhece a importância da tecnologia na saúde, principalmente no cuidado primário, em que os pacientes são usuários finais de aparelhos eletrônicos. “A pergunta que a gente se faz é: o que a gente consegue controlar para que a vida cotidiana melhore. Já sabemos que tarefas tediosas podem ser feitas por robôs, que não dormem nem precisam ir ao banheiro, e isso pode ser útil na saúde”, ponderou Dawe.

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Assessores dos candidatos a prefeito apresentam propostas para a saúde da cidade de São Paulo

O SindHosp e a Fehoesp promoveram o encontro com assessores de saúde dos candidatos à Prefeitura de São Paulo na sede da Fiesp. Participaram do evento, que teve como anfitriões Francisco Balestrin, presidente do SindHosp/Fehoesp, e Ruy Baumer, diretor titular do ComSaude da Fiesp, contou com a presença de Gonçalo Vecina, assessor de Guilherme Boulos (PSOL); Francisco Cardoso, assessor de Pablo Marçal (PRTB); Luiz Carlos Zamarco, assessor de Ricardo Nunes e atual secretário municipal da Saúde de São Paulo; e Paulo Saldiva, assessor de Tabata Amaral (PSB). Durante o encontro, todos os assessores receberam o “Guia de Ações São Paulo Saudável – Transformando Comunidades, Cuidando de Pessoas”, que tem realização do SindHosp e da Fehoesp, correalização do CBEXS e apoio institucional da Fiesp. A íntegra está disponível no canal oficial do SindHosp no YouTube, clique aqui para assistir.

Saúde sem partido

Ruy Baumer abriu o evento chamando a atenção para as dimensões de São Paulo e classificou a capital paulista como uma “cidade-estado”. Também lembrou a importância da saúde: “Saúde não tem partido, não é só pública, nem só privada, é única e para todos. Prova disso é que temos propostas convergentes, apesar das divergências políticas. O importante é que os gestores públicos tenham consciência de que a demanda por saúde sempre aumenta e que precisam investir em qualidade da gestão, para conseguir oferecer mais e melhor com menos”.

São Paulo saudável

Francisco Balestrin foi o segundo a falar. Lembrou que o “Guia de Ações São Paulo Saudável” é um documento feito a muitas mãos e destacou as quatro agendas prioritárias apresentadas na publicação. “Os futuros secretários da Saúde vão precisar olhar para estes quatro assuntos com atenção especial, e atuar: saúde mental, doenças crônicas, envelhecimento saudável e epidemias”, elencou o presidente do SindHosp / Fehoesp.

Ronda policial para saúde

O assessor de saúde do candidato Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo, o médico Francisco Cardoso, abriu as apresentações. Segundo ele, para melhorar o acesso, uma das medidas mais importantes é investir em educação da saúde. “A população tem de saber o que é o SUS e aprender a participar. Temos um projeto transversal entre saúde e educação, com foco na prevenção. Queremos elevar a cobertura do médico de família de 50% para 80% a 90% da população de São Paulo”, apontou Cardoso. “Temos outras questões importantes também, como o medo da violência: queremos colocar uma ronda similar à que hoje existe nas escolas nos postos e unidades de atendimento de saúde. E tem as calçadas deterioradas, que provocam quedas da população idosa, temos de agir nessa questão”.

Ações coordenadas

O ex-secretário municipal de Saúde, Gonçalo Vecina, assessor do candidato Guilherme Boulos, apontou como principal problema da cidade a desigualdade em termos de expectativa de vida entre os bairros, citando uma diferença de 20 anos considerando uma distância de apenas 70 quilômetros. “Isso é um crime, que precisa ser combatido pelas três esferas de poder”, enfatizou Vecina. “Nosso plano tem 119 itens, mas é matricial, ou seja, pressupõe ações coordenadas, que vão desde o Poupatempo da Saúde, passando por CAPS móveis para atender às populações em situação de rua, incluindo Cracolândias, até o uso de cozinhas comunitárias para combater a fome na cidade”.

Gestão técnica

O médico Luiz Carlos Zamarco, atual secretário municipal da Saúde e assessor do prefeito e candidato Ricardo Nunes, chamou São Paulo de “cidade-país”, e mencionou as diferenças que existem entre a Avenida Paulista, coração financeiro da metrópole, e o bairro de Parelheiros, onda há até tribo indígena. “Temos uma gestão feita por técnicos, que levou a área da saúde a ser uma das mais bem avaliadas da cidade, e vamos dar continuidade a esse trabalho”, destacou Zamarco, que enalteceu a ampliação da infraestrutura de atendimento da capital paulista. “Ampliamos o número de unidades de saúde, eram três UPAs quando Bruno Covas assumiu e queremos chegar a 45 em 2026, cobrindo 13,5 milhões de pessoas. Temos as AMAs 24 horas. Também construímos dezenas de UBS. Eram 451, hoje são 479 e ainda vamos entregar mais 25”.

Senhora obesa de 470 anos

O professor Paulo Saldiva, assessor de saúde da candidata Tabata Amaral, abriu seu discurso chamando São Paulo de “cidade corrosiva”. Ele comparou a capital paulista com uma senhora obesa de 470 anos de idade, com artérias entupidas pelo trânsito, mau odor e febre, que desidrata por causa do calor e apresenta edemas depois das inundações das chuvas e tem “um certo” Alzheimer. “A saúde não cabe mais na saúde. Tudo impacta na saúde, o congestionamento, a arborização, as epidemias, mudança demográficas, violência… A saúde é o ponto integrador de várias questões. Temos de criar uma sociedade protetora de seres humanos e urbanos”, desafiou Saldiva. “E precisamos de criatividade, fazer testes de diabetes no metrô, no ônibus. Temos de transforar a saúde em um instrumento de políticas transversais, como um pente, que tem hastes separadas entre si, mas presas a um mesmo cabo”.

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Menos custos com mais qualidade dos serviços de hospitais e clínicas

Em mais uma edição do WorkCafe, o SindHosp realizou a palestra “Reduzindo custos de mão de obra e elevando a qualidade dos serviços” em parceria com o WFO, empresa que oferece soluções de Workfoce para gerenciamento e otimização das equipes e das operações. A moderadora Larissa Eloi, diretora executiva do SindHosp, abriu o evento. “Por trás dessa nossa iniciativa esta a preocupação com o desenvolvimento humano dentro do sistema de saúde do Brasil”, destacou Eloi, antes de passar a palavra para Fernando Zucki, diretor de Mercado do WFO. Segundo ele, existe uma equação entre mão de obra, demanda de trabalho e qualidade de serviços que requer uma solução: “Buscamos trazer algo novo para uma prática um tanto básica, que é colocar as pessoas certas, na hora certa, no lugar certo, para fazer as atividades que precisam ser feitas”.

O WorkCafe teve como objetivo demonstrar como a otimização da força de trabalho na área da saúde pode melhorar a eficiência operacional, reduzir custos, aumentar a segurança do paciente e promover o bem-estar dos funcionários por meio do uso de tecnologia e análise de dados. Antonio Barbosa, CEO do WFO, defendeu a humanização nas relações de trabalho e enfatizou a necessidade de se trabalhar permanentemente com processos e pessoas. “Estamos falando de soluções de negócios para gerir a força de trabalho, que representa 60% do custo de um hospital”, resumiu Barbosa.

Pessoas certas

De acordo com o CEO do WFO, redução de custos e elevação da qualidade de serviços não são objetivos opostos. “Ao contrário, podem caminhar juntos, sobretudo em hospitais”, disse o executivo, que lembrou que a queda da qualidade dos serviços de saúde pode representar inclusive perda de vidas. “Mas é preciso identificar as pessoas certas para conduzir esse processo, a gestão de mudança não é fácil. Vale se perguntar quem se adapta melhor a novos processos e novas tecnologias em sua equipe”, acrescentou Antonio Barbosa, que destacou três pilares de ação para obter a redução de custos: automação de processos, otimização de escalas de trabalho e gestão eficiente de turnos.

Para o CEO do WFO, o aumento da qualidade passa por processos de formação contínua e capacitação, uso de tecnologias avançadas, feedback contínuo e avaliação de performance e cultura de excelência. “As empresas são pessoas, precisamos trabalhar com todos os aspectos do trabalho, o que inclui mobilidade, desempenho, tarefas, otimização, escalas, inteligência artificial, e-learning, gamificação, checklists, organograma, planejamento, gestão de ponto, frequência e feedback”.

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Saúde mental, uma agenda prioritária

Os jogos olímpicos de Paris, além de nos entreter e extasiar com modalidades sendo disputadas a céu aberto em cartões-postais e monumentos históricos, nos deixam lições de persistência, planeamento, estratégia, determinação, disciplina, foco e trabalho em equipe. Atletas de alto rendimento, contudo, não são super-heróis, ainda que façam o que parece “impossível” para a maioria das pessoas. Isso ficou explícito nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021, quando a norte-americana Simone Biles (dona de 11 medalhas olímpicas, sendo sete de ouro), abandonou as finais das competições de ginástica alegando problemas de saúde mental.

            O fato chocou o mundo do esporte, trouxe o tema à tona, quebrou tabus e incentivou outros atletas de diferentes modalidades a pausarem suas carreiras por motivo semelhante. A tenista Naomi Osaka, vencedora do US Open em 2018, e o surfista (hoje medalhista olímpico), Gabriel Medina, são dois exemplos de atletas de alta performance que pararam de competir por um período para cuidar do bem-estar emocional e psicológico. Atento ao ocorrido em 2021, o Comitê Olímpico Brasileiro levou para Paris dez psicólogos e um psiquiatra para auxiliar os 277 atletas da delegação brasileira. Trata-se do maior time de profissionais especialistas em psicologia esportiva da história do país em competições internacionais.

            Para entender como o tema está presente na nossa sociedade, antes da pandemia da Covid-19, a Organização Mundial da Saúde publicou, em 2017, um dossiê mostrando que 9,3% dos brasileiros sofriam com ansiedade, a maior proporção entre os países incluídos no levantamento. Cinco anos depois, em 2022, dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) mostram que a incidência de ansiedade entre crianças no SUS superou a dos adultos. Paralelamente, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública traz o Brasil como o 8º país do mundo em número de suicídios, com um índice de oito mortes por grupo de 100 mil habitantes. Saúde mental é, portanto, um tema que precisa ser enfrentado com urgência pelas três esferas de governo.

            Em âmbito municipal, a FEHOESP e o SindHosp elaboraram o Guia de Ações Municípios Saudáveis – Transformando Comunidades, Cuidando de Pessoas, material que está sendo disponibilizado para os candidatos a prefeito das 645 cidades paulistas. Nele, entre outras proposições, são apresentadas quatro agendas prioritárias para os futuros prefeitos e secretários municipais de Saúde: doenças crônicas, envelhecimento saudável, controle de epidemias e saúde mental. Para esta última agenda, a publicação defende a formação e capacitação das equipes da atenção básica para que adotem um olhar integral à saúde, incluindo os transtornos mentais, comportamentais e cognitivos, estratégias de prevenção, criação de políticas que suportem a saúde mental no trabalho e nas escolas, além de programas de intervenção precoce, especialmente para crianças e adolescentes.  

            Medalhistas olímpicos não chegam ao pódio sem antes superar limites e enfrentar dificuldades. Assim como os atletas, um ser humano saudável é aquele que se encontra em perfeita harmonia física, psicológica, espiritual e emocional. No dia em que conquistou o ouro olímpico por equipes em Paris, a ginasta Simone Biles começou o dia com terapia e, em entrevista coletiva logo após a competição, proferiu uma frase que é exemplo de superação e uma motivação para os que atravessam problema semelhante: “Neste momento, nada pode me quebrar”. Que possamos implementar políticas de saúde mental capazes de prevenir, promover e, depois de diagnosticado o problema, assistir e recuperar nossos cidadãos.

Francisco Balestrin

Presidente do SindHosp e da FEHOESP

Artigo publicado na edição de agosto/24 da revista LaborNews. Clique aqui e acesse a íntegra da publicação.

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Na saúde, não compre gato por lebre

O ditado popular que intitula este artigo é provocativo, à medida que as eleições municipais se aproximam. Votar é um direito constitucional e precisa ser encarado com sensatez. Uma das premissas para o voto consciente é lembrar que “o quadro é mais importante do que a moldura”, portanto, o eleitor não deve se deixar enganar por frases de efeito, aparências ou cenas de propaganda política. Conhecer a trajetória e os planos dos candidatos para as áreas que realmente interessam à sociedade é o caminho para não cair em armadilhas.

Nos últimos processos eleitorais, a polarização impediu uma discussão mais aprofundada sobre temas importantes, como saúde, educação, meio ambiente, segurança pública e geração de empregos. O debate e a apresentação de propostas praticamente inexistiram, em um cenário mesquinho que, lamentavelmente, persiste. Agressões ideológicas e discursos vazios desviam a atenção do eleitor e só servem para beneficiar aqueles que nada ou pouco têm a oferecer, caso eleitos (lembram da moldura?).

Recente pesquisa Genial/Quaest aponta a saúde como o segundo mais grave problema da cidade de São Paulo, só perdendo para a segurança pública. Com a consciência de que é preciso mudar essa realidade, propor ações para melhorar a saúde das pessoas e visando qualificar o debate político (lembram da pintura?), a Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (FEHOESP) desenvolveu e está apresentando aos pré-candidatos às Prefeituras o Guia de Ações Municípios Saudáveis – Transformando Comunidades, Cuidando de Pessoas.

Como são nas cidades que a saúde pública se concretiza, esse Guia objetiva contribuir para a construção de uma agenda inovadora e positiva, que leve a uma melhor organização e gestão do sistema de saúde municipal. Ele foi desenvolvido para que possa ser adaptado e servir de referência para todos os 645 futuros gestores da saúde dos municípios paulistas, afinal, uma organização mais eficaz da saúde municipal pode garantir, por exemplo, o acesso universal aos serviços, promover a prevenção, prover o cuidado, assegurar maior integração entre público e privado, a qualidade assistencial e a melhoria dos indicadores em saúde.

 No Brasil, a complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS), maior sistema de saúde público do mundo e com gestão tripartite, não consegue inibir os imprudentes. Ainda é comum, infelizmente, que o maior posto da saúde nas cidades seja ocupado pelo médico pessoal ou correligionário político do prefeito, sem o mínimo preparo para o cargo ou conhecimento do sistema. Um secretário ou secretária municipal de Saúde deve conhecer, pelo menos, o funcionamento do SUS, os mecanismos de participação social, de financiamento e ter capacidade técnica para estabelecer pactos assistenciais regionais.

 Mudanças constantes na condução da saúde municipal favorecem também o rompimento de programas e causam danos especialmente à atenção primária. Essa prática, porém, é comum. Levantamento do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (COSEMS) entre 2021 e 2023 aponta que 40% dos municípios paulistas efetuaram trocas de secretários no período. O tempo médio de permanência no cargo de um secretário municipal de Saúde é de 1,8 ano, segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS). O órgão também estima que aproximadamente 300 novos secretários municipais de saúde assumem o cargo todos os meses no país. O problema é sério, pois gera desperdícios, impede a execução do programa de governo traçado para o setor e traz prejuízos diretos à população, ao SUS e ao setor privado com e sem fins lucrativos (santas casas).

Na saúde, para garantir acesso e uma assistência integral a todos os cidadãos é necessária uma abordagem colaborativa e organizada que envolva toda a sociedade. É, portanto, essencial propor ações com capacidade de inovar, garantir a sustentabilidade do sistema de saúde e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Nas próximas eleições temos a chance de escapar da polarização, pois só assim deixaremos de andar em círculos e conseguiremos implementar políticas públicas que garantam mais dignidade e justiça social.

Um provérbio chinês ensina que “podemos escolher o que plantar, mas somos obrigados a colher o que semeamos”. Que o bom senso prevaleça e o eleitor não compre gato por lebre nessas eleições.

Francisco Balestrin

Presidente do SindHosp e da FEHOESP

Artigo publicado em 17/08 pelo jornal Correio Braziliense. Clique aqui e veja a publicação

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