Sindhosp

Luisa Fogaça

Eduardo Leite defende reformas estruturais e novo modelo de financiamento da saúde no Diálogos da Saúde

Governador do Rio Grande do Sul apresenta diagnóstico fiscal, critica distorções no SUS e aponta necessidade de mudanças institucionais para garantir sustentabilidade do sistema

O SindHosp, com apoio institucional da FESÁUDE, recebeu, em São Paulo, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para mais uma edição do Diálogos da Saúde | Eleições 2026, série de encontros com pré-candidatos à Presidência da República que busca aproximar lideranças políticas do setor e discutir propostas para o país.

Na abertura, o presidente do SindHosp, Francisco Balestrin, destacou o caráter do encontro como espaço de escuta e construção conjunta. “O governador vai entender melhor o setor de saúde e o que é que a gente pode fazer por ele. E nós vamos conhecer melhor o nosso governador e entender o que ele pode fazer por nós”, afirmou.

Ao iniciar sua fala, Eduardo Leite indicou que buscaria objetividade para priorizar o diálogo com a plateia, mas apresentou um panorama detalhado do cenário que encontrou ao assumir o governo do Rio Grande do Sul. Segundo ele, o Estado enfrentava uma crise fiscal severa, com atraso sistemático de salários e impactos diretos sobre fornecedores e prestadores de serviço, incluindo hospitais. “Os hospitais estavam parando procedimentos porque não havia remuneração adequada do Estado”, disse.

O governador descreveu um modelo de gestão que partiu de reformas estruturais e reorganização fiscal para recuperar a capacidade do Estado de investir e prestar serviços. “Política é missão, não é procurar zona de conforto”, afirmou, ao justificar a decisão de assumir o desafio mesmo diante de um cenário considerado crítico.

Na área da saúde, Leite detalhou um passivo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão em dívidas acumuladas com municípios, hospitais e fornecedores. A estratégia adotada, segundo ele, foi priorizar a regularização desses pagamentos e fortalecer a rede já existente, especialmente os hospitais filantrópicos, em vez de expandir estruturas públicas. “Se eu tenho uma rede que já presta o serviço, faz mais sentido fortalecê-la do que criar novas estruturas.”

O governador também defendeu uma revisão do modelo de financiamento do sistema de saúde, com foco em critérios objetivos e incentivo à performance. De acordo com ele, havia distorções relevantes na distribuição de recursos, com unidades menos produtivas recebendo mais do que outras com maior volume de atendimento. “Não basta colocar mais dinheiro, é preciso reorganizar a forma como esse dinheiro é distribuído.”

Ao longo da exposição, Leite destacou ainda a importância da atenção primária como eixo estruturante do sistema, especialmente diante do envelhecimento da população e do aumento das doenças crônicas. Segundo ele, a ampliação de ações de promoção da saúde pode reduzir a pressão sobre serviços de maior complexidade e melhorar a eficiência do sistema como um todo.

Durante o debate, provocado por questionamento de Balestrin sobre os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul, o governador classificou o episódio como o maior desastre do país em extensão territorial e população afetada. Relatou situações críticas enfrentadas durante a crise, incluindo risco de interrupção de serviços hospitalares, e afirmou que o evento reforçou a necessidade de investimentos em resiliência. “Vamos continuar vendo eventos extremos. Precisamos preparar nossas estruturas para isso.”

Ao abordar o cenário nacional, Leite fez uma leitura crítica da situação fiscal e institucional do país, alertando para o risco de comprometimento total do orçamento com despesas obrigatórias nos próximos anos. Defendeu a necessidade de reformas estruturais, incluindo mudanças no sistema político, na administração pública e no modelo previdenciário.

O governador também destacou a importância da construção de uma agenda clara de governo como base para a relação com o Congresso. “Não é sustentar o governo. É sustentar a agenda do governo”, afirmou.

Na área da segurança pública, defendeu maior coordenação nacional, integração de dados e atuação baseada em inteligência, além de reforçar a importância de políticas preventivas e presença do Estado em territórios mais vulneráveis.

Encerrando sua participação, Leite reforçou a necessidade de visão de longo prazo e fortalecimento institucional. “Não acredito em salvador da pátria. O que resolve o Brasil é melhorar as instituições”, afirmou.

Assista o Diálogos da Saúde completo:

 

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SindHosp avança na construção de manual para ILPIs e debate cuidado centrado na pessoa idosa

Com participação de especialistas, encontro discutiu diretrizes para qualificar o cuidado em instituições de longa permanência e avançou na construção de manual técnico para o setor

 

O SindHosp realizou, o segundo encontro do Comitê Técnico de Boas Práticas em ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos), reunindo especialistas para discutir diretrizes de qualificação do cuidado e da gestão nessas instituições.

 

A reunião deu continuidade à construção de um manual técnico voltado às ILPIs e teve como eixo central o modelo de cuidado centrado na pessoa idosa, apresentado por Mônica Andrade Tobias, consultora e docente em gerontologia e vigilância sanitária, e Larissa de Andrade, gerontóloga e consultora em administração de ILPIs. 

 

A discussão contou ainda com a participação do gerontólogo Alexandre Kalache, que participou remotamente e trouxe uma análise sobre o envelhecimento populacional no Brasil e no mundo.

 

Além disso, foram discutidos desafios estruturais das ILPIs, como a alta rotatividade de profissionais, a dificuldade de integração entre equipes e a necessidade de valorização dos cuidadores — considerados peças-chave na execução do cuidado cotidiano.

 

A construção do Manual de Boas Práticas em ILPIs segue como principal encaminhamento do grupo, com a proposta de reunir orientações práticas e experiências do setor para qualificar a assistência e fortalecer o modelo de cuidado centrado na pessoa idosa.

 

O comitê deve seguir com encontros periódicos para avançar na consolidação do documento e na articulação de propostas que contribuam para o aprimoramento das políticas e práticas voltadas ao envelhecimento no país.

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SindHosp informa sobre lançamento de Manual de Interpretação do capítulo 1.5 da NR-1

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece as diretrizes gerais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil, incluindo a obrigatoriedade de implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) pelas organizações. Recentemente atualizada por meio de processo tripartite conduzido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a norma passou a incorporar avanços relevantes, como a ampliação do escopo dos riscos ocupacionais — incluindo fatores de riscos psicossociais — e a adoção de uma abordagem sistemática e contínua para prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho .
Nesse contexto, em 16 de março de 2026, foi lançado o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1, com o objetivo de orientar empregadores, trabalhadores e profissionais da área quanto à correta implementação do GRO. O documento apresenta diretrizes práticas, conceitos fundamentais e exemplos aplicados, buscando uniformizar a interpretação da norma e apoiar as organizações na estruturação de seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR), em consonância com as recentes atualizações regulatórias.
O SindHosp acompanhará de perto os desdobramentos do tema e, em breve, disponibilizará aos seus associados esclarecimentos adicionais por meio de sua especialista na área, com orientações práticas voltadas à realidade das instituições de saúde.

Acesse aqui o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1.

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Indicadores hospitalares como ferramenta de gestão: SindHosp lança jornada SIGA com parceria da ANAHP

Programa une hospitais paulistas em capacitação para o uso de dados assistenciais e financeiros na tomada de decisão

 

O auditório da ARCA, na capital paulista, recebeu a a diretora executiva do SindHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo), Larissa Eloipara abrir o 1º Workshop SIGA, em 24 de fevereiro de 2026. Na plateia, estavam profissionais de qualidade, gestores assistenciais e analistas de dados de grandes redes hospitalares — Amil, Rede Total Care, Rede Américas, Hospital 9 de Julho, Rede D’OR, além de hospitais do interior como São Francisco de Americana e Hospital de Itatiba — que, a partir daquele dia, passariam a integrar uma jornada coletiva de capacitação em indicadores hospitalares coordenada pelo NIC (Núcleo de Inteligência e Conteúdo) do SindHosp.

O SIGA — Sistema de Indicadores para Gestão de Alto Desempenho em Saúde — é o programa desenvolvido pelo SindHosp em parceria com a ANAHP (Associação Nacional de Hospitais Privados) para capacitar instituições de saúde no uso prático de indicadores, com foco em benchmarking e tomada de decisão baseada em dados. O workshop marcou o primeiro encontro presencial da jornada, que ao longo de vários módulos conduzirá as equipes participantes desde os fundamentos conceituais até a alimentação efetiva do SINHA (Sistema de Indicadores Hospitalares da ANAHP).

 

Indicadores hospitalares e subjetividade: a provocação de Ana Maria Malik

 

Ana Maria Malik, professora titular da FGV-EAESP (Fundação Getulio Vargas — Escola de Administração de Empresas de São Paulo) e uma das vozes mais respeitadas da gestão hospitalar brasileira, conduziu a aula magna sob o tema “Dados existem para ser usados”.

Malik citou a definição que obteve da inteligência artificial — “métricas quantitativas ou qualitativas que medem o desempenho, o progresso ou o resultado de processos, projetos e estratégias” — e imediatamente virou o argumento: “Cuidado com o desejo da objetividade”. As pessoas falam: vou fazer quantitativo para ser objetivo. Mas não existe objetividade.Se eu uso o indicador de metros quadrados por leito, eu estou usando o indicador que eu escolhi. Você vai escolher qual é o quantitativo. Você vai escolher o número que é bom. Você vai escolher de que jeito você vai medir. Então, isso é subjetivo.”

Num campo em que dados são frequentemente apresentados como a resposta objetiva para questões complexas, Malik lembrou que a pergunta — e quem a formula — importa tanto quanto o número que aparece na tela. Sobre benchmarking hospitalar, Malik foi enfática num princípio que voltaria à tona em vários momentos do dia: “Tem uma regra quando a gente fala de comparação que eu acho que é a mais importante, que é comparar comparáveis. 

Ela também tocou num ponto sensível para quem trabalha com sistemas de informação hospitalar: a distância entre ter dados e fazer algo com eles. Ter um arsenal de indicadores sem saber o que se quer responder com eles é, na metáfora dela, como acumular ingredientes sem saber a receita. “Se você sai fazendo informações sem saber para que vai usar, você pode estar gastando demais tempo e dinheiro. E aí acaba sendo caro demais para o que é.” Evocou Deming — “cadê a sabedoria que a gente perdeu no conhecimento? Cadê o conhecimento que a gente perdeu na informação?” — e encerrou com uma convocação sem rodeios: “Se você não tem dado para fazer o que quer, você vai começar a colher hoje. Porque se você não começar hoje, daqui a um ano vai continuar sem ter.”

 

Vinte anos de história: como nasceu o sistema de indicadores hospitalares da ANAHP

 

No talk show que se seguiu à aula magna, moderado por Larissa Eloi, Francisco Balestrin — presidente do Conselho de Administração da FESAÚDE (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo) e do SindHosp — trouxe o histórico que poucos no auditório conheciam em detalhes: a origem do sistema de indicadores que hoje sustenta o SIGA tem mais de 20 anos.

“Esse é um projeto de 2002, 2003, tem mais de 20 anos. Há 20 anos a gente já pensava em indicadores, apesar de tudo”, disse Balestrin, que foi um dos fundadores da ANAHP — criada oficialmente em 11 de setembro de 2001, o mesmo dia em que as torres gêmeas foram destruídas em Nova York. Uma coincidência que ficou marcada na memória de quem estava lá. “Estávamos com 23 hospitais reunidos em Brasília, tentando construir um critério para saber quais eram os melhores hospitais de cada região.”

O relato descreveu as decisões fundadoras que moldaram o SINHA até hoje: a escolha de nunca pedir o indicador calculado, apenas numerador e denominador — “porque as pessoas podem fraudar seus indicadores” —, a contratação da Escola Paulista de Medicina para operar o sistema como terceira parte neutra, e a estruturação progressiva de critérios de elegibilidade que combinavam acreditação hospitalar, reputação regional e perfil de gestão. A lógica era simples e rigorosa ao mesmo tempo: se você calcula por conta, controla o resultado; se você entrega os componentes brutos a um terceiro neutro, o resultado controla você.

Com o tempo, o sistema evoluiu para o que se tornou o Observatório ANAHP, incorporando indicadores de gestão clínica a partir de 2008. “Se você não faz a correlação entre indicadores operacionais, de qualidade e de gestão clínica, você está medindo para quê? O que queremos, no fundo, são resultados assistenciais adequados para os nossos pacientes”, disse Balestrin. A parceria entre SindHosp e ANAHP que deu origem ao SIGA nasceu, como muitas coisas relevantes na saúde, de uma conversa informal. 

Malik retomou a palavra para fechar o talk show com precisão cirúrgica: “O princípio número um da qualidade do Deming é constância de propósitos. Você faz um negócio no qual acredita em 2003. Se precisar mudar um pouquinho, muda. Mas lembra que o propósito é esse.”Tem que ter alguém que queira fazer. O resto vem depois. Tem que querer e ter constância de propósito.”

 

Do conceito à prática: a dinâmica com o Hospital Excelência e Cuidado

 

Depois das apresentações individuais dos participantes — uma rodada que revelou a presença expressiva de profissionais da Rede Total Care/Amil, além de representantes do Hospital 9 de Julho, Rede DOR, Unimed São José dos Campos e hospitais do interior do estado —, a programação ganhou outro ritmo.

Vanessa Tamara Ferreira, gerente do NIC, e Aline Yukimitsu, consultora técnica, conduziram a dinâmica central do workshop: a análise de um caso fictício. O “Hospital Excelência e Cuidado” — hospital geral privado, lucrativo, de alta complexidade, acreditado ONA3 (nível máximo da Organização Nacional de Acreditação) — foi apresentado com seis indicadores em série histórica de 2020 a 2024, cada um acompanhado do benchmark geral do Observatório ANAHP.

Os indicadores assistenciais do caso foram escolhidos a dedo: média de permanência (que caiu de 5,2 para 4,8 dias), taxa de ocupação operacional, mortalidade institucional (reduzida de 3,95% para 2,8%), IPCSL (Infecção Primária de Corrente Sanguínea confirmada Laboratorialmente) por mil pacientes com cateter-dia em UTI adulto, mediana do tempo porta-balão no protocolo de IAM (Infarto Agudo do Miocárdio) — 64 minutos, dentro do protocolo de 90 — e PMR (Prazo Médio de Recebimento), o tempo entre o faturamento e o pagamento efetivo, que piorou de 75 para 92 dias.

Os grupos foram convidados a responder três perguntas: como avaliar o desempenho do hospital com base nesses dados? Os indicadores são suficientes para essa avaliação? Quais critérios seriam relevantes para complementá-la? Após o brunch estratégico, Priscila Rosseto, coordenadora do GT (Grupo de Trabalho) de Qualidade Assistencial do SindHosp, e Evandro Felix, consultor técnico do NIC, conduziram a devolutiva. O ponto de partida foi um alerta metodológico que vale sublinhar: “Estamos falando de um benchmark geral sem ajuste de risco. Essa tem que ser uma clareza inicial para nós. Qualquer análise pressupõe uma análise crítica antes de qualquer comparação.”

 “Indicador tem que servir para a instituição como um todo, não fica guardado na gaveta do gerente”, explicou Evandro Felix.Aline Yukimitsu fechou a devolutiva com uma reflexão sobre o que existe antes de qualquer número aparecer no painel: “As pessoas acham que indicador é só ficar na planilha, mas não é. Tem critério, padronização, registro, mapeamento.

SINHA, BIS e os 250 indicadores: as ferramentas que sustentam a jornada

 

Foi a vez de Keila Amaral, gerente do NEA (Núcleo de Estudos e Análises) da ANAHP, apresentar em detalhes o sistema ao qual o SIGA está integrado. O SINHA reúne hoje 200 hospitais associados ativos e, desde 2019, passou a aceitar hospitais não associados que queiram participar da mensuração padronizada. Outros 170 hospitais públicos, incluindo unidades das Secretarias Estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro, já alimentam o sistema.

“A gente quer ser o banco de dados padronizado do país”, disse Amaral. “Quando a gente fala de dados de indústria, tem muita coisa disponível. Quando fala de dados de saúde, já tem mais restrição.” A plataforma reúne mais de 250 indicadores distribuídos em seis dimensões — operacionais, assistenciais, econômico-financeiros, gestão de pessoas, tecnologia e sustentabilidade — e, em 2026, adicionou indicadores oncológicos, reconhecendo que a taxa de ocupação de um hospital oncológico não é comparável à de um hospital geral.

Evandro Felix encerrou a parte técnica com a apresentação das fichas técnicas dos cinco grupos de indicadores que serão trabalhados ao longo da jornada SIGA: (1) taxa de ocupação, média de permanência e índice de giro de leito; (2) mortalidade institucional e operatória; (3) taxa de cesárea e taxa de cirurgia; (4) taxa de atendimentos de UE (Urgência e Emergência) convertidos em internação e taxa de internação via UE; e (5) taxa de pacientes residentes acima de 90 dias. A lógica dos agrupamentos não foi arbitrária — os indicadores de cada grupo se influenciam mutuamente, e entendê-los separadamente, sem ver a trama entre eles, é como ler os capítulos de um livro fora de ordem. No encerramento do dia, a equipe do NIC apresentou o BIS (Boletim Infográfico da Saúde), plataforma desenvolvida pelo próprio núcleo do SindHosp. Diferentemente do SINHA, que trabalha com dados enviados pelos hospitais participantes, o BIS consolida informações de fontes públicas: 19 bases integradas, mais de 1 bilhão de registros no módulo de hospitais e mais de 6 bilhões no módulo de SADT (Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico), organizados em indicadores de recursos físicos, operacionais, epidemiológicos e de mercado de saúde suplementar. Em outros termos: é um mapa do sistema de saúde brasileiro construído com dados que já existiam, mas que raramente conversavam entre si. O módulo de clínicas, ainda em desenvolvimento, deve ser lançado em breve, e todos os associados ao SindHosp têm acesso à plataforma pelo portal sindihosp.org.br.

As inscrições para associados do SindHosp e da FESAÚDE estão abertas, e o próximo workshop está programado para 26 de março..

 

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Inteligência artificial no faturamento: como clínicas e laboratórios podem reduzir glosas

Especialista mostra como usar inteligência artificial na gestão de receitas ambulatoriais de forma prática, segura e acessível e sair de vez do modo reativo

 

A inteligência artificial já está mudando a forma como clínicas e laboratórios gerenciam suas receitas, mas a maioria das instituições ainda não sabe por onde começar. No Workshop da Saúde Online do SindHosp, realizado em 24 de fevereiro de 2026, a consultora em transformação digital Vivian Jonke foi direta: existe um dinheiro que some antes mesmo de chegar ao caixa. Não é desvio, não é má gestão óbvia — é o gargalo silencioso do ciclo de faturamento: a glosa que poderia ter sido evitada, o código preenchido errado, o documento que faltou, o prazo de recurso que passou.

Com base em sua experiência clínica e de consultoria, ela estima que até 13% dos custos assistenciais dessas instituições são passíveis de revisão ou contestação — um número que, quando traduzido em reais, representa muito mais do que uma ineficiência administrativa. Representa a diferença entre sustentabilidade e aperto financeiro crônico.

Mediado pela diretora executiva Larissa Eloi, o evento reuniu gestores, faturistas e profissionais de saúde para discutir um movimento que já não é tendência — é necessidade: usar inteligência artificial não como ferramenta isolada, mas como sistema operacional da gestão de receitas.

 

Inteligência artificial na saúde: copiloto, não substituto

Antes de apresentar qualquer solução, a consultora propôs uma mudança de perspectiva. No contexto do faturamento em saúde, a inteligência artificial não é um robô que decide sozinho. É mais parecida com um analista disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana — capaz de identificar padrões, sinalizar inconsistências e sugerir correções antes que o problema vire glosa, recurso ou prejuízo.

“A decisão final é sempre do colaborador responsável pelo processo. Isso é o que chamamos de human in the loop”, afirmou Jonke.

Essa distinção importa, sobretudo num setor onde o medo de automação ainda carrega o fantasma do desemprego. A mensagem do workshop foi clara: a IA não elimina o profissional de faturamento — ela o libera do trabalho mecânico para que ele pense estrategicamente. O que muda, na prática, é a postura da instituição: de reativa, apagando incêndios depois que a glosa chegou, para preditiva, antecipando o problema antes do envio da conta.

Três formas de a IA entrar no ciclo de receitas

Jonke detalhou três modalidades com aplicação direta no dia a dia de clínicas e laboratórios. A primeira é o machine learning preditivo: modelos treinados com o histórico da própria instituição que calculam a probabilidade de glosa por tipo de procedimento, operadora ou período. Para funcionar, precisam de dados — e é aí que entra um pré-requisito que muitas instituições ainda negligenciam: a cultura de registro. Sem histórico organizado, não há modelo que aprenda.

A segunda modalidade é a IA como leitora e organizadora: sistemas que leem laudos e prontuários desestruturados, reorganizam as informações e verificam se os códigos utilizados estão em conformidade com as tabelas TUSS e CBHPM e com as regras contratuais de cada convênio. É como ter um revisor técnico que nunca se cansa e nunca deixa passar o detalhe.

A terceira é a IA generativa aplicada ao recurso — a mesma tecnologia por trás do ChatGPT, usada para redigir justificativas de contestação de glosas com base no histórico de recursos já aceitos por cada operadora, tornando o processo de contestação mais consistente e menos dependente da memória individual de cada profissional.

“Não existe uma solução única. O mais importante é montar o fluxo de trabalho que se encaixa na realidade de cada serviço”, pontuou a consultora.

Redução de glosas na prática: quatro passos, um problema por vez

Para quem quer sair do lugar sem se perder nas possibilidades que a IA oferece, a consultora propôs um roteiro em quatro etapas — com um princípio central: foque em um problema por vez.

Tudo começa pelo diagnóstico: mapear processos, entender onde a receita se perde e avaliar a qualidade dos dados disponíveis. Em seguida vem o saneamento — organizar o histórico institucional com dados anonimizados, entender as regras contratuais e priorizar os gargalos mais críticos. Com essa base construída, é hora do piloto, que dura de três a quatro meses: escolhe-se um único problema, roda-se o modelo e avalia-se o resultado pelo critério do semáforo que Jonke descreve — verde para escalar, amarelo para refinar, vermelho para voltar e reajustar.

Quando o semáforo abre, chega a expansão para outros setores e processos. E se não abrir, volta-se para a etapa anterior sem drama. A dinâmica, segundo a consultora, é justamente essa: um processo que permite avanços e recuos conforme a maturidade de cada instituição.

“Apaixone-se pelo problema, não pela solução. Quem se fixa em uma solução única perde muitas outras possibilidades”, alertou.

ROI e expectativas reais no ciclo de faturamento

Quanto tempo leva para o investimento se pagar? É a pergunta que nenhum gestor consegue deixar de fazer — e Jonke a respondeu com os números que tem acompanhado em sua atuação como consultora: tempo médio de payback entre 12 e 18 meses, redução de até 35% nas rejeições de contas na primeira passagem e projeção de 16% de queda nos custos com auditoria precoce. Os primeiros sinais de melhoria, segundo ela, aparecem a partir de seis meses.

Entre os cases apresentados durante o workshop estavam a Rede Mater Dei, que reduziu em dois terços o tempo de autorizações via arquitetura multiagente; a Unimed Criciúma, com auditoria automatizada de 500 prontuários por dia e redução de desperdício da ordem de R$ 10 milhões; e o Hospital Divina Providência, de Porto Alegre (RS), com 50% de redução na triagem manual de glosas administrativas.

Os exemplos vêm todos de hospitais — uma limitação que a própria consultora reconheceu. Cases específicos de clínicas e laboratórios ainda são escassos na literatura, mas a expectativa é que o próximo curso já produza os seus.

Vale a ressalva de Larissa Eloi: o tempo de retorno varia conforme a maturidade de cada instituição. “Respeitem o ambiente de trabalho de cada instituição. Nossa comunidade está muito ansiosa por produtividade, mas não podemos sangrar as equipes.”

Gestão de mudança em saúde: as equipes de faturamento no centro da transformação

A tecnologia mais sofisticada falha se as pessoas que precisam usá-la resistem a ela. Esse foi um dos pontos mais humanos do workshop — e Jonke e Larissa Eloi foram convergentes: o primeiro passo para reduzir a resistência à mudança é desmistificar, e o segundo é mostrar benefícios concretos e cotidianos.

“Quando os profissionais entendem que vão conseguir encerrar o dia sem horas extras para dar conta do volume, eles entendem o benefício real”, disse Jonke.

Além do domínio técnico das ferramentas, o que as equipes precisam desenvolver são as chamadas soft skills — criatividade, colaboração, disposição para compartilhar conhecimento dentro do próprio time. A consultora lembrou de um caso emblemático: analistas que mantinham listas de códigos em cadernos pessoais, ao lado do computador, sem compartilhar com os colegas. “Esse é o tipo de comportamento que não pode acontecer mais daqui para frente, senão todo mundo sai perdendo”, disse.

O risco oposto também existe. No último ano, grandes empresas enxugaram equipes com base em ganhos de produtividade projetados pela IA e perderam o controle operacional. “Isso compromete o acordo de nível de serviço (SLA), prejudica a entrega e danifica a marca. O operacional humano não é dispensável — é estrutural.”

O futuro que já chegou — e o que ainda falta amadurecer

O workshop fechou com uma reflexão que resume bem o momento: a inteligência artificial na gestão de receitas em saúde não é mais tendência — é necessidade competitiva. As instituições que ainda não começaram não estão aguardando o momento certo. Estão ficando para trás.

A pressa, porém, tem seus riscos. A maturidade de dados, a capacitação das equipes e o respeito ao ritmo de cada instituição não são obstáculos a contornar — são condições para que a transformação seja real e duradoura. Implementar bem leva mais tempo do que implementar rápido, mas os resultados são mais difíceis de desfazer.

A IA pode ser o copiloto que o faturamento em saúde nunca teve. Desde que o humano, como lembrou Jonke, continue no comando. Para quem quer dar o próximo passo, o SindHosp abre em março o curso Receita Inteligente em Saúde com IA: do pré-faturamento à gestão de glosas, com Vivian Jonke — quatro aulas práticas nos dias 17 e 31 de março e 7 e 14 de abril de 2026. Inscrições abertas, aqui.

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Encontro de Líderes reúne líderes hospitalares para discutir a cirurgia robótica como estratégia de resultado

Gestores debatem viabilidade financeira, estruturação de programas e os avanços da telecirurgia no Brasil

“Hospital robótico não se faz com um robô.” A frase resume o tom do encontro executivo com o tema “Rumo ao Hospital Robótico – estratégias para crescer em complexidade e resultado, realizado pelo SindHosp em parceria com a Microport e Hospcom. CEOs, superintendentes e diretores gerais de hospitais de diferentes regiões do país debateram como transformar a robótica de custo em crescimento, eficiência e diferencial clínico.

A abertura foi conduzida por Francisco Balestrin, presidente do Conselho Administrativo da FESAÚDE e do SindHosp. Larissa Eloi, diretora executiva das entidades, reforçou que a robótica vai além da tecnologia: envolve ampliar o potencial humano, qualificar equipes e manter o paciente no centro da estratégia.

 

MicroPort no Brasil e a telecirurgia

 

Parceira estratégica das entidades, a MicroPort apresentou seu portfólio global — que inclui stents, dispositivos cardiovasculares, ortopedia, neurologia e cirurgia robótica. Fundada em Xangai e presente em mais de 90 países, a empresa opera no Brasil desde 2017, com escritório próprio desde 2022 e equipe integralmente brasileira.

No campo robótico, além da plataforma Toumai (tecidos moles), a empresa desenvolve soluções para ortopedia, intervenção cardiovascular, urologia e outras especialidades.

O destaque foi a telecirurgia. Em setembro de 2025, a empresa obteve da Anvisa a primeira aprovação regulatória para telecirurgia não experimental no país. O procedimento marco ocorreu entre o Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, e o Hospital 9 de Julho, em São Paulo, com latência de 24 milissegundos e sem intercorrências.

 

Viabilidade: robótica não é conta isolada

 

O núcleo do evento foi o talk show “Robótica Cirúrgica Sem Mitos”, com participação de Raphael Augusto Gomes de Oliveira (Hospital 9 de Julho) e do Dr. Luís Romagnolo (IRCAD América Latina e Hospital de Amor).

A mensagem foi direta: analisar a robótica de forma isolada tende a indicar retorno financeiro inferior ao custo de capital. O investimento só se sustenta quando inserido na estratégia global do hospital — considerando qualidade assistencial, engajamento médico, posicionamento e redução de complicações.

O Hospital 9 de Julho opera hoje com três plataformas robóticas e descreve o programa como altamente rentável. A chave está na escolha das equipes, no desenho do programa clínico e na distribuição adequada de casos — e não na simples aquisição do equipamento.

 

O erro mais comum: comprar sem estruturar

 

Com quase 12 anos de experiência e cerca de 4 mil procedimentos, o Dr. Romagnolo destacou que o principal erro é instalar a plataforma sem estruturar o programa. Certificação isolada não garante volume: apenas uma fração dos médicos treinados mantém prática regular.

A recomendação é iniciar com equipe definida, plano de treinamento, meta de casos concentrados e envolvimento de todo o ecossistema hospitalar — enfermagem, engenharia clínica, CME e logística. Até a estrutura física precisa ser avaliada: o equipamento pode ultrapassar uma tonelada.

O comitê de cirurgia robótica foi apontado como peça essencial para definir critérios, organizar volume e garantir sustentabilidade.

 

Teleproctoria e acesso

 

A discussão avançou para a teleproctoria — modalidade em que um cirurgião experiente orienta remotamente outro profissional durante o procedimento.

Os pilares que viabilizaram a telecirurgia no Brasil foram avanço regulatório, infraestrutura tecnológica com redundância de conexão e protocolo rigoroso de segurança. O objetivo, segundo os debatedores, é ampliar acesso, inclusive em regiões onde não há especialistas disponíveis.

 

O que define um hospital robótico

 

A resposta foi unânime: não basta adquirir um robô.

Um hospital robótico exige infraestrutura adequada, programa clínico estruturado, comitê ativo, equipe treinada e sistema de dados auditável. O uso de indicadores permite rastrear desfechos, identificar falhas e aprimorar resultados.

A conclusão do encontro foi clara: a cirurgia robótica já é decisão de gestão presente. O diferencial não está apenas na tecnologia, mas na capacidade de construir o ecossistema ao redor dela — com estratégia, governança e execução.

O evento reuniu representantes de instituições de saúde de diferentes regiões do Brasil, reforçando que o debate sobre robótica deixou de ser tendência futura para se consolidar como pauta estratégica do setor hospitalar.

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Um diálogo sobre o futuro das terapias avançadas

Dando continuidade à série WorkCafé, o SindHosp realizará no próximo dia 19 de fevereiro o evento “O Futuro das Terapias Avançadas”. A sessão com apoio da Johnson & Johnson tratará um bate-papo com convidados que vão falar sobre inovações e desafios nas terapias avançadas, esclarecendo dúvidas e contribuindo para a construção de um sistema de saúde mais acessível e eficiente. A ideia é discutir o papel dos diferentes atores do ecossistema de saúde na transformação da vida de pacientes elegíveis para os tratamentos.

Utilizando engenharia genética e modificação celular para oferecer soluções inovadoras e eficazes, as terapias avançadas estão transformando o modo como medicina lida com doenças graves e raras. Destaque para terapias gênicas para doenças raras e terapias celulares (CAR-T) no combate ao câncer.

A Anvisa define Terapias Avança como uma categoria de medicamentos que compreende o produto de terapia celular avançada, o produto de engenharia tecidual e o produto de terapia gênica. Segundo a agência, o processo de aprovação regulatória exige robustos dados científicos para a comprovação de eficácia e segurança. Atualmente, o Brasil conta com oito medicamentos classificados como terapias avançadas com aprovação pela Anvisa.

Paciente elegíveis

Os critérios de elegibilidade do paciente ao tratamento são rigorosos e o momento da jornada do tratamento faz toda a diferença para a eficiência dessas terapias. Assim, o tempo para o acesso é essencial. Cada dia conta e a ambiguidade no entendimento da regulamentação pode separar o paciente da oportunidade de acesso ao tratamento.

O presidente do SindHosp e da FesaúdeSP, Franciso Balestrin, será o moderador do evento, que contará com a participação de Gabriela Almeida, diretora de Acesso e Estratégia da Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil; Manoela Albuquerque, editora de Saúde na MIT Technology Review Brasil; Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma; João Batista da Silva Junior, gerente da Gerência de Sangue, Tecidos, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas (GSTCO) da Anvisa; e Simone Forny, diretora Médica Hematologia na Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil.

PARTICIPE!

WorkCafé
“O Futuro das Terapias Avançadas”

Dia 19/02, às 14h.
Auditório do SindHosp
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CATS discute modernização trabalhista e desafios da saúde

A Câmara de Assuntos Trabalhistas e Sindicais (CATS) teve participação especial da advogada Luciana Freire Kurtz, assessora jurídica do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Profissional com mais de 30 anos de experiência na indústria e passagem pela Fiesp, ela trouxe ao debate temas como a modernização trabalhista e os desafios do setor de saúde.

Durante o encontro, que aconteceu nesta primeira semana de outubro, Luciana Freire destacou a complexidade do trabalho no Hospital do Rim, o maior transplantador de rins do mundo, e falou sobre as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente a partir de 2017, com a regulamentação da modernização das relações de trabalho. Ela defendeu as alterações: “As mudanças, embora criticadas, eram necessárias para modernizar o mercado de trabalho e regulamentar práticas essenciais, como a terceirização de mão de obra especializada”.

Outro ponto de destaque foi a discussão sobre legislações recentes, como as que tratam do auxílio-alimentação, teletrabalho e a lei emprega + mulheres. A implementação dessas leis ainda enfrenta desafios, mas a convidada da CATS vê um movimento positivo: “As empresas estão começando a adotar essas mudanças, mas ainda há um longo caminho para uma adoção mais ampla”.

O desafio do assédio

A questão do assédio, tanto moral como sexual, também foi abordada. Com as novas exigências para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), as empresas estão sendo obrigadas a implementar treinamentos e canais de denúncia. Para Luciana Freire, esta é uma evolução importante: “A cultura organizacional está mudando, e a prevenção de assédio está se tornando uma prioridade nas empresas”.

Durante o evento, Francisco Balestrin, presidente do SindHosp e da Federação dos Hospitais e Clínicas de São Paulo, destacou a importância de o setor da saúde para o mercado de trabalho e ressaltou a relevância do setor no cenário econômico: “Nós somos 10% do PIB”, apontando para o papel estratégico da saúde na economia brasileira. A próxima reunião da CATS está prevista para o próximo dia 07 de novembro.

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Informativo | PL Nº 3.394 24

Objeto: Projeto de Lei n.º 3.394/24 é encaminhado ao Congresso Nacional em regime de urgência  
Escopo: Aumento da alíquota geral de CSLL e aumento da alíquota de IRRF sobre o pagamento de JCP  
Autoria: Poder Executivo Federal  
Último andamento: Recebido em regime de urgência pela Câmara dos Deputados em 31/08/2024

O SINDHOSP – Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas no Estado de São Paulo vem informar a apresentação Projeto de Lei n.º 3.394/24 (“PL n.º 3.394/24”) de autoria do Governo Federal, que, se convertido em lei, aumentará a partir de janeiro de 2025 a carga tributária incidente sobre o lucro dos seus associados.

Em resumo, o PL n.º 3.394/24 pretende alterar a Lei n.º 7.689/88 e a Lei n.º 9.249/95 para, respectivamente, aumentar:

  1. temporariamente a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) aplicável às pessoas jurídicas em geral, prevista no art. 3º da Lei n.º 7.689/88 em 1% (um por cento). Assim a alíquota da CSLL passaria a ser de 10% (dez por cento) entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2025; e
  • definitivamente a alíquota do Imposto de Renda Retido na Fonte (“IRRF”) incidente sobre os juros sobre o capital próprio (“JCP”), prevista no art. 9º, §2º da Lei n.º 9.249/95 em 5%, que passaria a ser de 20%, a partir de 1º de janeiro de 2025.

Caso o PL n.º 3.394/24 seja convertido em Lei, o aumento de 1% na alíquota da CSLL afetará todos os associados sujeitos aos regimes do lucro real, presumido ou arbitrado, independentemente das atividades realizadas – isto é, simples consultas, serviços hospitalares, serviços de medicina diagnóstica, dentre outros.

Quanto ao possível aumento da alíquota de IRRF, serão prejudicados os associados sujeitos ao lucro real que paguem JCP aos sócios ou acionistas pessoas físicas ou não-residentes localizados em jurisdições sem tributação favorecida, sujeitos à tributação definitiva na fonte de 15%. Isto porque, considerando que o JCP, calculado conforme a legislação tributária, é uma despesa dedutível para fins de IRPJ/CSLL, o efetivo benefício de redução da carga tributária total atualmente de 19% (34% – 15%) seria reduzido para 14% (34% – 20%).

O PL n.º 3.394/24 não afeta a tributação de JCP pagos aos não-residentes localizados em jurisdições com tributação favorecida (paraísos fiscais), pois nestes casos continua sendo aplicável à alíquota majorada de 25% prevista no art. 8º da Lei n.º 9.779/99.

O PL n.º 3.394/24 foi recebido pelo Congresso Nacional em 31/08/2024 e tramita sob o regime de urgência constitucional, que prevê 45 dias para a sua apreciação pelo plenário da Câmara dos Deputados. Se não for apreciado até 14/10/2024, o PL n.º 3.394 travará a pauta da Câmara dos Deputados, impedindo a apreciação de outros projetos até a sua votação.

Caso seja aprovado pela Câmara dos Deputados, o PL n.º 3.394 será remetido ao Senado Federal para apreciação.

Se aprovado nas duas casas do Congresso Nacional, o PL n.º 3.394/24 será encaminhado para sanção presidencial e, por fim, para publicação no Diário Oficial da União.

Para o aumento de alíquota da CSLL valer a partir de 1º de janeiro de 2025, o projeto de lei aprovado e sancionado deve ser publicado no Diário Oficial da União até 30/09/2024, respeitada a anterioridade de 90 dias. Já para o aumento da alíquota de IRRF sobre JCP, o projeto de lei aprovado deverá ser publicado até 31/12/2024.

Por exemplo, se o projeto de lei for aprovado e publicado em 25/09/2024, o aumento das alíquotas de CSLL e IRRF serão aplicáveis já em janeiro de 2025. Por outro lado, se aprovado e publicado apenas em 05/01/2024, o aumento da alíquota de CSLL será aplicável apenas a partir de abril de 2025 e o do IRRF sobre o JCP, somente a partir de janeiro de 2026.

O PL n.º 3.394/24 não foi bem recebido pelo setor privado, tendo sido publicamente criticado por diversas entidades empresariais, a exemplo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O SINDHOSP acompanha a tramitação da matéria com atenção e manterá os seus associados informados em caso de atualizações.

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FGV Lança Novo Executive MBA em Gestão de Saúde com Descontos Exclusivos para Associados SindHosp

 A Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP) anunciou o lançamento de seu mais novo curso, o Executive MBA em Gestão de Saúde. Este programa é o sucessor do renomado CEAHS (Curso de Especialização em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde), criado em 1975 e pioneiro na área, sendo o primeiro MBA brasileiro de saúde a ser reconhecido pela AMBA (Association of MBAs).Ao longo de quase cinco décadas, o CEAHS formou uma significativa parte dos líderes do setor de saúde no Brasil. Agora, com o lançamento do Executive MBA Saúde, a FGV EAESP une essa rica tradição a uma abordagem inovadora, adaptada aos desafios contemporâneos enfrentados pelos executivos do setor.

Programa Internacional e Inovador

Conforme o professor Adriano Massuda, um dos docentes do curso, o novo MBA é o mais completo e atualizado disponível no mercado atualmente. “A junção da expertise da EAESP e do FGVSaúde permite que o curso prepare os alunos para serem agentes de transformação tanto no SUS quanto na Saúde Suplementar. Pelo seu antecessor passou boa parte da liderança da saúde brasileira. Tenho o
prazer e a honra de ser professor desse curso e juntos vamos vislumbrar novos caminhos para o setor saúde”, afirma Massuda.O programa é direcionado a profissionais que possuem, pelo menos, cinco anos de experiência relevante em gestão e que ocupam cargos de liderança em diversas áreas da saúde, incluindo clínicas, hospitais, planos de saúde, startups, empresas de diagnóstico e indústrias do setor. O domínio da língua inglesa é considerado desejável, pois o curso oferece oportunidades de troca de conhecimentos com profissionais estrangeiros.

Tradição e Excelência Acadêmica

Laura Schiesari, coordenadora do curso, destaca que o Executive MBA em Gestão de Saúde é uma combinação da tradição de quase 50 anos do CEAHS com as inovações mais recentes no ensino de gestão em saúde. “Reunimos uma equipe seleta de profissionais que atuam tanto na gestão quanto no ensino para proporcionar uma jornada de aprendizagem de altíssima qualidade, tudo isso no ambiente de uma escola de negócios reconhecida internacionalmente”, ressalta Schiesari.

Os alunos do curso terão acesso a uma estrutura de aprendizagem e desenvolvimento exclusiva da FGV EAESP, que inclui ferramentas gerenciais aplicadas diretamente nos serviços e sistemas de saúde. A proposta é capacitar os participantes para enfrentar e resolver os problemas complexos do setor com estratégias administrativas eficazes.
Descontos para Associados SindHosp
Como parte de uma parceria exclusiva, os associados ao SindHosp poderão usufruir de descontos especiais na inscrição para o Executive MBA em Gestão de Saúde. Essa é uma oportunidade única para profissionais do setor que desejam elevar suas carreiras e se posicionar como líderes em um mercado cada vez mais competitivo.
Serviço

  • Período de inscrição: 17/06/2024 a 10/09/2024
  • Início das aulas:
  • 12/09/2024: Aula inaugural online
  • 13 e 14/09/2024: Aulas presenciais
  • Link para inscrição: https://eaesp.fgv.br/cursos/curso-especializacao-executive-MBA-saude
  • Acesse a tabela de descontos exclusivos aqui
    Para mais informações e inscrições, visite o site da FGV EAESP ou entre em contato diretamente com o SindHosp. Aproveite essa oportunidade para transformar sua carreira e se tornar um líder no setor de saúde com o respaldo de uma das mais prestigiadas instituições de ensino do Brasil.

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