Sindhosp

Luisa Fogaça

Inteligência artificial no faturamento: como clínicas e laboratórios podem reduzir glosas

Especialista mostra como usar inteligência artificial na gestão de receitas ambulatoriais de forma prática, segura e acessível e sair de vez do modo reativo

 

A inteligência artificial já está mudando a forma como clínicas e laboratórios gerenciam suas receitas, mas a maioria das instituições ainda não sabe por onde começar. No Workshop da Saúde Online do SindHosp, realizado em 24 de fevereiro de 2026, a consultora em transformação digital Vivian Jonke foi direta: existe um dinheiro que some antes mesmo de chegar ao caixa. Não é desvio, não é má gestão óbvia — é o gargalo silencioso do ciclo de faturamento: a glosa que poderia ter sido evitada, o código preenchido errado, o documento que faltou, o prazo de recurso que passou.

Com base em sua experiência clínica e de consultoria, ela estima que até 13% dos custos assistenciais dessas instituições são passíveis de revisão ou contestação — um número que, quando traduzido em reais, representa muito mais do que uma ineficiência administrativa. Representa a diferença entre sustentabilidade e aperto financeiro crônico.

Mediado pela diretora executiva Larissa Eloi, o evento reuniu gestores, faturistas e profissionais de saúde para discutir um movimento que já não é tendência — é necessidade: usar inteligência artificial não como ferramenta isolada, mas como sistema operacional da gestão de receitas.

 

Inteligência artificial na saúde: copiloto, não substituto

Antes de apresentar qualquer solução, a consultora propôs uma mudança de perspectiva. No contexto do faturamento em saúde, a inteligência artificial não é um robô que decide sozinho. É mais parecida com um analista disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana — capaz de identificar padrões, sinalizar inconsistências e sugerir correções antes que o problema vire glosa, recurso ou prejuízo.

“A decisão final é sempre do colaborador responsável pelo processo. Isso é o que chamamos de human in the loop”, afirmou Jonke.

Essa distinção importa, sobretudo num setor onde o medo de automação ainda carrega o fantasma do desemprego. A mensagem do workshop foi clara: a IA não elimina o profissional de faturamento — ela o libera do trabalho mecânico para que ele pense estrategicamente. O que muda, na prática, é a postura da instituição: de reativa, apagando incêndios depois que a glosa chegou, para preditiva, antecipando o problema antes do envio da conta.

Três formas de a IA entrar no ciclo de receitas

Jonke detalhou três modalidades com aplicação direta no dia a dia de clínicas e laboratórios. A primeira é o machine learning preditivo: modelos treinados com o histórico da própria instituição que calculam a probabilidade de glosa por tipo de procedimento, operadora ou período. Para funcionar, precisam de dados — e é aí que entra um pré-requisito que muitas instituições ainda negligenciam: a cultura de registro. Sem histórico organizado, não há modelo que aprenda.

A segunda modalidade é a IA como leitora e organizadora: sistemas que leem laudos e prontuários desestruturados, reorganizam as informações e verificam se os códigos utilizados estão em conformidade com as tabelas TUSS e CBHPM e com as regras contratuais de cada convênio. É como ter um revisor técnico que nunca se cansa e nunca deixa passar o detalhe.

A terceira é a IA generativa aplicada ao recurso — a mesma tecnologia por trás do ChatGPT, usada para redigir justificativas de contestação de glosas com base no histórico de recursos já aceitos por cada operadora, tornando o processo de contestação mais consistente e menos dependente da memória individual de cada profissional.

“Não existe uma solução única. O mais importante é montar o fluxo de trabalho que se encaixa na realidade de cada serviço”, pontuou a consultora.

Redução de glosas na prática: quatro passos, um problema por vez

Para quem quer sair do lugar sem se perder nas possibilidades que a IA oferece, a consultora propôs um roteiro em quatro etapas — com um princípio central: foque em um problema por vez.

Tudo começa pelo diagnóstico: mapear processos, entender onde a receita se perde e avaliar a qualidade dos dados disponíveis. Em seguida vem o saneamento — organizar o histórico institucional com dados anonimizados, entender as regras contratuais e priorizar os gargalos mais críticos. Com essa base construída, é hora do piloto, que dura de três a quatro meses: escolhe-se um único problema, roda-se o modelo e avalia-se o resultado pelo critério do semáforo que Jonke descreve — verde para escalar, amarelo para refinar, vermelho para voltar e reajustar.

Quando o semáforo abre, chega a expansão para outros setores e processos. E se não abrir, volta-se para a etapa anterior sem drama. A dinâmica, segundo a consultora, é justamente essa: um processo que permite avanços e recuos conforme a maturidade de cada instituição.

“Apaixone-se pelo problema, não pela solução. Quem se fixa em uma solução única perde muitas outras possibilidades”, alertou.

ROI e expectativas reais no ciclo de faturamento

Quanto tempo leva para o investimento se pagar? É a pergunta que nenhum gestor consegue deixar de fazer — e Jonke a respondeu com os números que tem acompanhado em sua atuação como consultora: tempo médio de payback entre 12 e 18 meses, redução de até 35% nas rejeições de contas na primeira passagem e projeção de 16% de queda nos custos com auditoria precoce. Os primeiros sinais de melhoria, segundo ela, aparecem a partir de seis meses.

Entre os cases apresentados durante o workshop estavam a Rede Mater Dei, que reduziu em dois terços o tempo de autorizações via arquitetura multiagente; a Unimed Criciúma, com auditoria automatizada de 500 prontuários por dia e redução de desperdício da ordem de R$ 10 milhões; e o Hospital Divina Providência, de Porto Alegre (RS), com 50% de redução na triagem manual de glosas administrativas.

Os exemplos vêm todos de hospitais — uma limitação que a própria consultora reconheceu. Cases específicos de clínicas e laboratórios ainda são escassos na literatura, mas a expectativa é que o próximo curso já produza os seus.

Vale a ressalva de Larissa Eloi: o tempo de retorno varia conforme a maturidade de cada instituição. “Respeitem o ambiente de trabalho de cada instituição. Nossa comunidade está muito ansiosa por produtividade, mas não podemos sangrar as equipes.”

Gestão de mudança em saúde: as equipes de faturamento no centro da transformação

A tecnologia mais sofisticada falha se as pessoas que precisam usá-la resistem a ela. Esse foi um dos pontos mais humanos do workshop — e Jonke e Larissa Eloi foram convergentes: o primeiro passo para reduzir a resistência à mudança é desmistificar, e o segundo é mostrar benefícios concretos e cotidianos.

“Quando os profissionais entendem que vão conseguir encerrar o dia sem horas extras para dar conta do volume, eles entendem o benefício real”, disse Jonke.

Além do domínio técnico das ferramentas, o que as equipes precisam desenvolver são as chamadas soft skills — criatividade, colaboração, disposição para compartilhar conhecimento dentro do próprio time. A consultora lembrou de um caso emblemático: analistas que mantinham listas de códigos em cadernos pessoais, ao lado do computador, sem compartilhar com os colegas. “Esse é o tipo de comportamento que não pode acontecer mais daqui para frente, senão todo mundo sai perdendo”, disse.

O risco oposto também existe. No último ano, grandes empresas enxugaram equipes com base em ganhos de produtividade projetados pela IA e perderam o controle operacional. “Isso compromete o acordo de nível de serviço (SLA), prejudica a entrega e danifica a marca. O operacional humano não é dispensável — é estrutural.”

O futuro que já chegou — e o que ainda falta amadurecer

O workshop fechou com uma reflexão que resume bem o momento: a inteligência artificial na gestão de receitas em saúde não é mais tendência — é necessidade competitiva. As instituições que ainda não começaram não estão aguardando o momento certo. Estão ficando para trás.

A pressa, porém, tem seus riscos. A maturidade de dados, a capacitação das equipes e o respeito ao ritmo de cada instituição não são obstáculos a contornar — são condições para que a transformação seja real e duradoura. Implementar bem leva mais tempo do que implementar rápido, mas os resultados são mais difíceis de desfazer.

A IA pode ser o copiloto que o faturamento em saúde nunca teve. Desde que o humano, como lembrou Jonke, continue no comando. Para quem quer dar o próximo passo, o SindHosp abre em março o curso Receita Inteligente em Saúde com IA: do pré-faturamento à gestão de glosas, com Vivian Jonke — quatro aulas práticas nos dias 17 e 31 de março e 7 e 14 de abril de 2026. Inscrições abertas, aqui.

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Encontro de Líderes reúne líderes hospitalares para discutir a cirurgia robótica como estratégia de resultado

Gestores debatem viabilidade financeira, estruturação de programas e os avanços da telecirurgia no Brasil

“Hospital robótico não se faz com um robô.” A frase resume o tom do encontro executivo com o tema “Rumo ao Hospital Robótico – estratégias para crescer em complexidade e resultado, realizado pelo SindHosp em parceria com a Microport e Hospcom. CEOs, superintendentes e diretores gerais de hospitais de diferentes regiões do país debateram como transformar a robótica de custo em crescimento, eficiência e diferencial clínico.

A abertura foi conduzida por Francisco Balestrin, presidente do Conselho Administrativo da FESAÚDE e do SindHosp. Larissa Eloi, diretora executiva das entidades, reforçou que a robótica vai além da tecnologia: envolve ampliar o potencial humano, qualificar equipes e manter o paciente no centro da estratégia.

 

MicroPort no Brasil e a telecirurgia

 

Parceira estratégica das entidades, a MicroPort apresentou seu portfólio global — que inclui stents, dispositivos cardiovasculares, ortopedia, neurologia e cirurgia robótica. Fundada em Xangai e presente em mais de 90 países, a empresa opera no Brasil desde 2017, com escritório próprio desde 2022 e equipe integralmente brasileira.

No campo robótico, além da plataforma Toumai (tecidos moles), a empresa desenvolve soluções para ortopedia, intervenção cardiovascular, urologia e outras especialidades.

O destaque foi a telecirurgia. Em setembro de 2025, a empresa obteve da Anvisa a primeira aprovação regulatória para telecirurgia não experimental no país. O procedimento marco ocorreu entre o Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, e o Hospital 9 de Julho, em São Paulo, com latência de 24 milissegundos e sem intercorrências.

 

Viabilidade: robótica não é conta isolada

 

O núcleo do evento foi o talk show “Robótica Cirúrgica Sem Mitos”, com participação de Raphael Augusto Gomes de Oliveira (Hospital 9 de Julho) e do Dr. Luís Romagnolo (IRCAD América Latina e Hospital de Amor).

A mensagem foi direta: analisar a robótica de forma isolada tende a indicar retorno financeiro inferior ao custo de capital. O investimento só se sustenta quando inserido na estratégia global do hospital — considerando qualidade assistencial, engajamento médico, posicionamento e redução de complicações.

O Hospital 9 de Julho opera hoje com três plataformas robóticas e descreve o programa como altamente rentável. A chave está na escolha das equipes, no desenho do programa clínico e na distribuição adequada de casos — e não na simples aquisição do equipamento.

 

O erro mais comum: comprar sem estruturar

 

Com quase 12 anos de experiência e cerca de 4 mil procedimentos, o Dr. Romagnolo destacou que o principal erro é instalar a plataforma sem estruturar o programa. Certificação isolada não garante volume: apenas uma fração dos médicos treinados mantém prática regular.

A recomendação é iniciar com equipe definida, plano de treinamento, meta de casos concentrados e envolvimento de todo o ecossistema hospitalar — enfermagem, engenharia clínica, CME e logística. Até a estrutura física precisa ser avaliada: o equipamento pode ultrapassar uma tonelada.

O comitê de cirurgia robótica foi apontado como peça essencial para definir critérios, organizar volume e garantir sustentabilidade.

 

Teleproctoria e acesso

 

A discussão avançou para a teleproctoria — modalidade em que um cirurgião experiente orienta remotamente outro profissional durante o procedimento.

Os pilares que viabilizaram a telecirurgia no Brasil foram avanço regulatório, infraestrutura tecnológica com redundância de conexão e protocolo rigoroso de segurança. O objetivo, segundo os debatedores, é ampliar acesso, inclusive em regiões onde não há especialistas disponíveis.

 

O que define um hospital robótico

 

A resposta foi unânime: não basta adquirir um robô.

Um hospital robótico exige infraestrutura adequada, programa clínico estruturado, comitê ativo, equipe treinada e sistema de dados auditável. O uso de indicadores permite rastrear desfechos, identificar falhas e aprimorar resultados.

A conclusão do encontro foi clara: a cirurgia robótica já é decisão de gestão presente. O diferencial não está apenas na tecnologia, mas na capacidade de construir o ecossistema ao redor dela — com estratégia, governança e execução.

O evento reuniu representantes de instituições de saúde de diferentes regiões do Brasil, reforçando que o debate sobre robótica deixou de ser tendência futura para se consolidar como pauta estratégica do setor hospitalar.

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Um diálogo sobre o futuro das terapias avançadas

Dando continuidade à série WorkCafé, o SindHosp realizará no próximo dia 19 de fevereiro o evento “O Futuro das Terapias Avançadas”. A sessão com apoio da Johnson & Johnson tratará um bate-papo com convidados que vão falar sobre inovações e desafios nas terapias avançadas, esclarecendo dúvidas e contribuindo para a construção de um sistema de saúde mais acessível e eficiente. A ideia é discutir o papel dos diferentes atores do ecossistema de saúde na transformação da vida de pacientes elegíveis para os tratamentos.

Utilizando engenharia genética e modificação celular para oferecer soluções inovadoras e eficazes, as terapias avançadas estão transformando o modo como medicina lida com doenças graves e raras. Destaque para terapias gênicas para doenças raras e terapias celulares (CAR-T) no combate ao câncer.

A Anvisa define Terapias Avança como uma categoria de medicamentos que compreende o produto de terapia celular avançada, o produto de engenharia tecidual e o produto de terapia gênica. Segundo a agência, o processo de aprovação regulatória exige robustos dados científicos para a comprovação de eficácia e segurança. Atualmente, o Brasil conta com oito medicamentos classificados como terapias avançadas com aprovação pela Anvisa.

Paciente elegíveis

Os critérios de elegibilidade do paciente ao tratamento são rigorosos e o momento da jornada do tratamento faz toda a diferença para a eficiência dessas terapias. Assim, o tempo para o acesso é essencial. Cada dia conta e a ambiguidade no entendimento da regulamentação pode separar o paciente da oportunidade de acesso ao tratamento.

O presidente do SindHosp e da FesaúdeSP, Franciso Balestrin, será o moderador do evento, que contará com a participação de Gabriela Almeida, diretora de Acesso e Estratégia da Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil; Manoela Albuquerque, editora de Saúde na MIT Technology Review Brasil; Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma; João Batista da Silva Junior, gerente da Gerência de Sangue, Tecidos, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas (GSTCO) da Anvisa; e Simone Forny, diretora Médica Hematologia na Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil.

PARTICIPE!

WorkCafé
“O Futuro das Terapias Avançadas”

Dia 19/02, às 14h.
Auditório do SindHosp
Para saber mais, clique aqui e inscreva-se!

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CATS discute modernização trabalhista e desafios da saúde

A Câmara de Assuntos Trabalhistas e Sindicais (CATS) teve participação especial da advogada Luciana Freire Kurtz, assessora jurídica do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Profissional com mais de 30 anos de experiência na indústria e passagem pela Fiesp, ela trouxe ao debate temas como a modernização trabalhista e os desafios do setor de saúde.

Durante o encontro, que aconteceu nesta primeira semana de outubro, Luciana Freire destacou a complexidade do trabalho no Hospital do Rim, o maior transplantador de rins do mundo, e falou sobre as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente a partir de 2017, com a regulamentação da modernização das relações de trabalho. Ela defendeu as alterações: “As mudanças, embora criticadas, eram necessárias para modernizar o mercado de trabalho e regulamentar práticas essenciais, como a terceirização de mão de obra especializada”.

Outro ponto de destaque foi a discussão sobre legislações recentes, como as que tratam do auxílio-alimentação, teletrabalho e a lei emprega + mulheres. A implementação dessas leis ainda enfrenta desafios, mas a convidada da CATS vê um movimento positivo: “As empresas estão começando a adotar essas mudanças, mas ainda há um longo caminho para uma adoção mais ampla”.

O desafio do assédio

A questão do assédio, tanto moral como sexual, também foi abordada. Com as novas exigências para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), as empresas estão sendo obrigadas a implementar treinamentos e canais de denúncia. Para Luciana Freire, esta é uma evolução importante: “A cultura organizacional está mudando, e a prevenção de assédio está se tornando uma prioridade nas empresas”.

Durante o evento, Francisco Balestrin, presidente do SindHosp e da Federação dos Hospitais e Clínicas de São Paulo, destacou a importância de o setor da saúde para o mercado de trabalho e ressaltou a relevância do setor no cenário econômico: “Nós somos 10% do PIB”, apontando para o papel estratégico da saúde na economia brasileira. A próxima reunião da CATS está prevista para o próximo dia 07 de novembro.

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Informativo | PL Nº 3.394 24

Objeto: Projeto de Lei n.º 3.394/24 é encaminhado ao Congresso Nacional em regime de urgência  
Escopo: Aumento da alíquota geral de CSLL e aumento da alíquota de IRRF sobre o pagamento de JCP  
Autoria: Poder Executivo Federal  
Último andamento: Recebido em regime de urgência pela Câmara dos Deputados em 31/08/2024

O SINDHOSP – Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas no Estado de São Paulo vem informar a apresentação Projeto de Lei n.º 3.394/24 (“PL n.º 3.394/24”) de autoria do Governo Federal, que, se convertido em lei, aumentará a partir de janeiro de 2025 a carga tributária incidente sobre o lucro dos seus associados.

Em resumo, o PL n.º 3.394/24 pretende alterar a Lei n.º 7.689/88 e a Lei n.º 9.249/95 para, respectivamente, aumentar:

  1. temporariamente a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) aplicável às pessoas jurídicas em geral, prevista no art. 3º da Lei n.º 7.689/88 em 1% (um por cento). Assim a alíquota da CSLL passaria a ser de 10% (dez por cento) entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2025; e
  • definitivamente a alíquota do Imposto de Renda Retido na Fonte (“IRRF”) incidente sobre os juros sobre o capital próprio (“JCP”), prevista no art. 9º, §2º da Lei n.º 9.249/95 em 5%, que passaria a ser de 20%, a partir de 1º de janeiro de 2025.

Caso o PL n.º 3.394/24 seja convertido em Lei, o aumento de 1% na alíquota da CSLL afetará todos os associados sujeitos aos regimes do lucro real, presumido ou arbitrado, independentemente das atividades realizadas – isto é, simples consultas, serviços hospitalares, serviços de medicina diagnóstica, dentre outros.

Quanto ao possível aumento da alíquota de IRRF, serão prejudicados os associados sujeitos ao lucro real que paguem JCP aos sócios ou acionistas pessoas físicas ou não-residentes localizados em jurisdições sem tributação favorecida, sujeitos à tributação definitiva na fonte de 15%. Isto porque, considerando que o JCP, calculado conforme a legislação tributária, é uma despesa dedutível para fins de IRPJ/CSLL, o efetivo benefício de redução da carga tributária total atualmente de 19% (34% – 15%) seria reduzido para 14% (34% – 20%).

O PL n.º 3.394/24 não afeta a tributação de JCP pagos aos não-residentes localizados em jurisdições com tributação favorecida (paraísos fiscais), pois nestes casos continua sendo aplicável à alíquota majorada de 25% prevista no art. 8º da Lei n.º 9.779/99.

O PL n.º 3.394/24 foi recebido pelo Congresso Nacional em 31/08/2024 e tramita sob o regime de urgência constitucional, que prevê 45 dias para a sua apreciação pelo plenário da Câmara dos Deputados. Se não for apreciado até 14/10/2024, o PL n.º 3.394 travará a pauta da Câmara dos Deputados, impedindo a apreciação de outros projetos até a sua votação.

Caso seja aprovado pela Câmara dos Deputados, o PL n.º 3.394 será remetido ao Senado Federal para apreciação.

Se aprovado nas duas casas do Congresso Nacional, o PL n.º 3.394/24 será encaminhado para sanção presidencial e, por fim, para publicação no Diário Oficial da União.

Para o aumento de alíquota da CSLL valer a partir de 1º de janeiro de 2025, o projeto de lei aprovado e sancionado deve ser publicado no Diário Oficial da União até 30/09/2024, respeitada a anterioridade de 90 dias. Já para o aumento da alíquota de IRRF sobre JCP, o projeto de lei aprovado deverá ser publicado até 31/12/2024.

Por exemplo, se o projeto de lei for aprovado e publicado em 25/09/2024, o aumento das alíquotas de CSLL e IRRF serão aplicáveis já em janeiro de 2025. Por outro lado, se aprovado e publicado apenas em 05/01/2024, o aumento da alíquota de CSLL será aplicável apenas a partir de abril de 2025 e o do IRRF sobre o JCP, somente a partir de janeiro de 2026.

O PL n.º 3.394/24 não foi bem recebido pelo setor privado, tendo sido publicamente criticado por diversas entidades empresariais, a exemplo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O SINDHOSP acompanha a tramitação da matéria com atenção e manterá os seus associados informados em caso de atualizações.

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FGV Lança Novo Executive MBA em Gestão de Saúde com Descontos Exclusivos para Associados SindHosp

 A Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP) anunciou o lançamento de seu mais novo curso, o Executive MBA em Gestão de Saúde. Este programa é o sucessor do renomado CEAHS (Curso de Especialização em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde), criado em 1975 e pioneiro na área, sendo o primeiro MBA brasileiro de saúde a ser reconhecido pela AMBA (Association of MBAs).Ao longo de quase cinco décadas, o CEAHS formou uma significativa parte dos líderes do setor de saúde no Brasil. Agora, com o lançamento do Executive MBA Saúde, a FGV EAESP une essa rica tradição a uma abordagem inovadora, adaptada aos desafios contemporâneos enfrentados pelos executivos do setor.

Programa Internacional e Inovador

Conforme o professor Adriano Massuda, um dos docentes do curso, o novo MBA é o mais completo e atualizado disponível no mercado atualmente. “A junção da expertise da EAESP e do FGVSaúde permite que o curso prepare os alunos para serem agentes de transformação tanto no SUS quanto na Saúde Suplementar. Pelo seu antecessor passou boa parte da liderança da saúde brasileira. Tenho o
prazer e a honra de ser professor desse curso e juntos vamos vislumbrar novos caminhos para o setor saúde”, afirma Massuda.O programa é direcionado a profissionais que possuem, pelo menos, cinco anos de experiência relevante em gestão e que ocupam cargos de liderança em diversas áreas da saúde, incluindo clínicas, hospitais, planos de saúde, startups, empresas de diagnóstico e indústrias do setor. O domínio da língua inglesa é considerado desejável, pois o curso oferece oportunidades de troca de conhecimentos com profissionais estrangeiros.

Tradição e Excelência Acadêmica

Laura Schiesari, coordenadora do curso, destaca que o Executive MBA em Gestão de Saúde é uma combinação da tradição de quase 50 anos do CEAHS com as inovações mais recentes no ensino de gestão em saúde. “Reunimos uma equipe seleta de profissionais que atuam tanto na gestão quanto no ensino para proporcionar uma jornada de aprendizagem de altíssima qualidade, tudo isso no ambiente de uma escola de negócios reconhecida internacionalmente”, ressalta Schiesari.

Os alunos do curso terão acesso a uma estrutura de aprendizagem e desenvolvimento exclusiva da FGV EAESP, que inclui ferramentas gerenciais aplicadas diretamente nos serviços e sistemas de saúde. A proposta é capacitar os participantes para enfrentar e resolver os problemas complexos do setor com estratégias administrativas eficazes.
Descontos para Associados SindHosp
Como parte de uma parceria exclusiva, os associados ao SindHosp poderão usufruir de descontos especiais na inscrição para o Executive MBA em Gestão de Saúde. Essa é uma oportunidade única para profissionais do setor que desejam elevar suas carreiras e se posicionar como líderes em um mercado cada vez mais competitivo.
Serviço

  • Período de inscrição: 17/06/2024 a 10/09/2024
  • Início das aulas:
  • 12/09/2024: Aula inaugural online
  • 13 e 14/09/2024: Aulas presenciais
  • Link para inscrição: https://eaesp.fgv.br/cursos/curso-especializacao-executive-MBA-saude
  • Acesse a tabela de descontos exclusivos aqui
    Para mais informações e inscrições, visite o site da FGV EAESP ou entre em contato diretamente com o SindHosp. Aproveite essa oportunidade para transformar sua carreira e se tornar um líder no setor de saúde com o respaldo de uma das mais prestigiadas instituições de ensino do Brasil.

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Fórum Brasileiro de Gestão em Saúde discute IA durante a Hospitalar

Os debates em torno da inteligência artificial se intensificaram desde o lançamento do ChatGPT, uma IA do tipo generativa, ou seja, capaz de criar textos, imagens, áudios e vídeos. Embora as polêmicas remontem aos primórdios da computação, ainda nos anos 1940, como se vê no filme “O Jogo da Imitação”, que revela ao grande público uma máquina construída pelo britânico Alan Turing utilizada pelos aliados para decifrar mensagens alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, o tema ganhou relevância com as transformações digitais em curso neste século, sobretudo na área da saúde.

As discussões devem culminar em um marco regulatória da IA para a saúde. Diante do desafio, o SindHosp e a Fehoesp, em parceria com a CNSaúde, levaram o tema para a Hospitalar 2024. A arena Hospitalar Hub recebeu o “VI Brasil Saúde – Fórum Brasileiro de Gestão em Saúde”, que teve como tema macro “A Inteligência Artificial na Saúde”.

Tripé cultural

Os avanços ocorrem em velocidades diferentes considerando a tecnologia, a sociedade e as normas. Ou seja, o tema está escorado em um “tripé cultural” e depende de um equilíbrio entre tempos de cada ponto de apoio para se consolidar de maneira mais consistente. No campo da saúde, a IA é capaz de predizer um “no show” com extrema assertividade, mas há muito o que se discutir ainda, a começar pela dificuldade de se ter um prontuário padrão.

Francisco Balestrin, presidente da Fehoesp e do SindHosp, e Breno Monteiro, presidente da CNSaúde e FENAESS, abriram o evento, juntamente com Daiane Nogueira de Lira, integrante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “O tema IA, em que pese aspectos técnico-científico, tem o arcabouço jurídico. Ferramenta tão poderosa que, se não tomar cuidados, nós, profissionais, teremos ameaça à integridade de dados”, destacou Balestrin. “O tema tem sido tratado há algum tempo pelo setor. Mas é preciso cuidado com o que a tecnologia causará à vida humana e aos nossos negócios”, acrescentou Breno Monteiro, da CNSaúde.

Saúde, IA e Justiça

Segundo o CNJ, existem quase 84 milhões de processos em tramitação no Brasil, distribuídos por 92 tribunais (mais de 80% na Justiça Estadual), passando nas mãos de 18 mil juízes e 275 mil servidores públicos. Para Daiane Nogueira de Lira, essa estrutura tem de estar pronta para a IA. “Quando tiver de analisar questões legais, jurídicas e éticas, o poder judiciário vai estar aberto para esse desafio”, assegurou Daiana Lira. “A CNJ trabalha para realizar a integração da IA na saúde, garantindo acesso, com segurança e dentro de limites éticos. Estamos falando de celeridade, acesso, eficiência e transparência com segurança, ética e responsabilidade”.

Ela destacou a iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), que lançou o NatJusGPT, a primeira ferramenta de inteligência artificial generativa aplicada no Judiciário para a saúde. Trata-se de uma ferramenta que proporciona, de forma bem mais prática, uma pesquisa direcionada em uma base de dados específica. 

ChatGPT omini-modal

Em seguida, subiram ao palco Alexandre Ferreira da Rocha, da Microsoft Brasil, e Jean Gorinchteyn, diretor técnico-científico da Fehoesp, para complementar a abertura com conceitos, história e futuro sobre IA.  O executivo da Microsoft destacou o ChatGPT-4o, omini-modal, incluindo vídeo e voz, com modelos neurais embutidos. “Para a saúde, a IA terá vasta aplicação, como indicar sinais de envelhecimento previamente, garantindo mais qualidade de vida para uma população cada vez mais longeva. Cerca de 60% dos dados que o setor da saúde produz não são aproveitados e a IA pode mudar isso”, destacou Alexandre da Rocha. “A IA será um copiloto para o médico e o paciente, uma segunda opinião, ajudando a evitar erros, que custam caro”.

Para Jean Gorinchteyn, a IA terá grande relevância como assistente de médicos, alunos e professores, sobretudo diante da crescente quantidade de profissionais despreparados no mercado. “Com a IA, será possível prestar atenção em algo que talvez tenha passado despercebido em uma primeira análise, ter uma visão melhor do paciente”, destacou o diretor técnico-científico da Fehoesp.

Revolução em curso

Moderado por João Guerra, vice-presidente do Conselho de Administração SindHosp, o painel “A Revolução da Inteligência Artificial na Saúde” do Fórum Brasileiro de Gestão de Saúde contou com a participação de personalidades de diferentes áreas da saúde.  

Edgar Gil Rizzatti, presidente da Unidade de Negócios Médico, Técnico, de Hospitais e Novos Elos do Grupo Fleury, falou sobre o uso da IA na Medicina Diagnóstica. “Segurança, acurácia, rapidez, equidade, eficiência e paciente no centro… IA vai garantir excelência para todas e cada uma, será uma medicina mais preditiva e preventiva”, destacou. “No Fleury, estamos trabalhando com IA para evitar ‘recoletas’ e identificar maior risco de câncer de mama por exames de sangue”.

Leonardo A. Giusti, sócio e líder de C&Ops e IGH da KPMG no Brasil, tratou da IA na Assistência Operacional. Ele defendeu o uso da IA para auxiliar a melhoria da jornada, tornando-a mais eficaz e eficiente, reduzindo dispêndio de dinheiro. “Penso na IA como orquestradora de uma jornada, contribuindo para um ecossistema mais integrado. Acho que há uma resistência inicial, como aconteceu com a telemedicina, mas que deve diminuir com o tempo”, acredita Giusti.

Daniel Ferraz, chefe de Inteligência Artificial da Rede D’Or São Luiz – SulAmérica Seguros Saúde, falou sobre IA na Assistência Médica. Ele disse que a IA permitiu uma redução de faltas em exames e consultas, que era de 30%, com análise dos dados de uma década. “O sistema se mostrou capaz de identificar faltas com 72 horas de antecedência e até 93% de assertividade. Conseguimos preencher 75% dessas faltas, com um enorme impacto administrativo e financeiro”, destacou o executivo. “Mas existem desafios, como padronizar prontuários eletrônicos, são muitos e em diferentes versões”.

Os limites da IA

Ainda durante o Fórum Brasileiro de Gestão de Saúde Fórum, os participantes discutiram os limites da inteligência artificial, com moderação de Breno Monteiro, presidente da CNSaúde e FENAESS. Gustavo Cardoso Guimarães, coordenador-geral dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos e do programa de cirurgia robótica da Beneficência Portuguesa de São Paulo, abordou os aspectos técnicos. Para ele, a IA é boa em ver padrões, o que é interessante para analisar muitos dados ao mesmo tempo. “Mas essa é uma ‘inteligência fraca’. Há uma ‘superinteligência’ que vai muito além, só que não está acessível”, destacou.

Dora Kaufman, professora do Programa de Tecnologias Inteligentes e Design Digital (TIDD) da PUC de São Paulo, tratou dos aspectos éticos.  “Os atuais modelos soluções de IA não podem ser indicados como soberanos. O médico deve ser a referência. Caso contrário, a chance de erro é grande, não só por viés, mas por assertividade do resultado. A FDA está construindo o que seria a regulamentação, com procedimentos para o uso de IA, que deve ser uma parceira do médico e dos gestores hospitalares. É tudo muito novo, e a generativa, ainda mais”, observou Dora Kaufman.

Rafael Vinhas, diretor-adjunto de Gestão da Agência Nacional de Saúde Suplementar, apresentou os aspectos regulatórios. “A saúde é o nosso bem mais importante, devemos ser cautelosos. Mas o rigor não pode comprometer o desenvolvimento das tecnologias, ou seja, temos de trabalhar para que a regulação não seja extrema a ponto de podar a tecnologia”.

O professor Giovanni Cerri, chairman do InRad e vice-presidente do Instituto Coalizão Saúde, disse que tudo o que é novo vira um pouco ameaçador.  Também lembrou que, das ferramentas IA aprovadas pelo FDA, cerca de 70% são da área de radiologia. “A IA é um fator fundamental para o momento atual, garantindo sustentabilidade da saúde, eficiência e segurança do paciente. Mas os algoritmos precisam ser validados, o que leva tempo, assim como acontece com medicamentos. IA é uma ferramenta que vai ser utilizada para melhorar processos e garantir segurança maior para seus pacientes”.

Encerrando o Fórum Brasileiro de Gestão de Saúde, Marcos Ottoni, diretor Jurídico da CNSaúde, discutiu os Projetos de Lei que buscam regulamentar a IA, em painel moderado por Francisco Balestrin. “Em resumo, os poderes judiciário e legislativo têm muito trabalho, inclusive para evitar que as inseguranças da sociedade inviabilizem a tecnologia”, destacou Ottoni.

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Pesquisa SindHosp | 71% dos hospitais paulistas registram aumento de internações por covid e dengue

Pesquisa inédita do SindHosp- Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, com 92 hospitais privados pesquisados no estado de São Paulo, aponta crescimento de internações por covid e dengue, após o carnaval.

O levantamento realizado pelo SindHosp, no período de 29 de fevereiro a 10 de março, com 92 hospitais privados paulistas, sendo 64% da capital e 36% do interior, indica que houve também aumento em 82% dos hospitais de casos de suspeita de covid e dengue nos pronto atendimentos e serviços de urgência nos últimos 15 dias. A nova pesquisa foi feita exatamente 30 dias após a anterior, realizada no período de 29 de janeiro a 07 de fevereiro, e que apontava apenas aumento da dengue. Casos de covid eram raros.

Segundo o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp e da FEHOESP- Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, a pesquisa apresenta uma curva ascendente para casos suspeitos ou confirmados de covid e dengue nos últimos 15 dias. “Provavelmente, o resultado pode ter influência do período de carnaval, que permitiu grandes aglomerações e as altas temperaturas do verão que facilitam a propagação do mosquito da dengue em água parada. Importante comparar as duas pesquisas e verificar que há 30 dias, apenas a dengue aparecia nos hospitais. Os índices de covid estavam discretos”, avalia.

Nos pronto atendimentos ou serviços de urgência, 82% dos hospitais apontam aumento de pacientes com suspeita de dengue e covid enquanto na pesquisa anterior, há 30 dias, eram 48% dos hospitais que informavam aumento de dengue e covid. Não houve quase alteração no registro do aumento de casos de suspeita de dengue: na atual pesquisa, 30% dos hospitais indicam aumento de 31% a 50% nos casos de dengue enquanto na pesquisa anterior eram 27% dos hospitais que informavam aumento de casos suspeitos de dengue no patamar de 31% a 50%.

O quadro se altera quando se pergunta sobre casos suspeitos de covid nos serviços de urgência. 32% dos hospitais registram aumento desses casos no patamar de 6% a 10% enquanto 25% informam aumento de 11% a 20%. Na pesquisa feita há 30 dias, 34% dos hospitais relatavam aumento de 6% a 10% de casos suspeitos de covid e 2% dos serviços de saúde relatavam crescimento de 11% a 20%. Também houve aumento de internações por covid e dengue em 71 % dos hospitais paulistas. Na pesquisa anterior, 80% dos hospitais registravam aumento de internações apenas por dengue.

Perguntados sobre internações em leitos clínicos, 60% dos hospitais registram aumento de até 5% nas internações por covid e 26% relatam aumento de 6% a 10%. Já a pesquisa anterior, registrava que 100% dos hospitais tinham até 5% de aumento nesse tipo de internação.
Já o tempo médio de internação nos casos de dengue é de até 4 dias para 70% dos hospitais e foi de 4 dias na pesquisa anterior para 43%
dos hospitais. Para covid, 82% dos hospitais relatam tempo médio de internação de 4 dias e 18% informam tempo médio de 5 a 10 dias. Na pesquisa feita há 30 dias, 16% dos hospitais relatavam 4 dias como o tempo médio de internação enquanto 84% indicavam de 5 a 10 dias.

A faixa etária predominante para pacientes com covid é de 30 a 50 anos para 67% dos hospitais, sendo mantido esse patamar na pesquisa anterior, que relatava que 68% dos hospitais indicam faixa etária de 30 a 50 anos predominante para covid. Já para dengue 72% dos hospitais confirmam a faixa etária predominante de 30 a 50 anos na pesquisa atual, o que se manteve na pesquisa anterior.

Confira a pesquisa completa abaixo:

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Primeira reunião do GT Financeiro do ano traça metas de discussão para 2024

O Grupo Técnico Financeiro do SindHosp realizou sua primeira reunião do ano. Coordenado por Carolina Dantas de Oliveira, diretora de Controladoria e Finanças no Hospital Infantil Sabará, e Beatriz Linhares, coordenadora dos Grupos Técnicos do SindHosp, o encontro fez uma retrospectiva dos trabalhos em 2023 e definiu os planos para 2024.

Para este ano, a intenção é tornar as reuniões do GT Financeiro mensais. Em 2023, foram cinco encontros, uma média de um a cada bimestre. “Trata-se de um grupo jovem, que está pronto para crescer. Queremos ampliar cada vez mais a participação de gestores dos diferentes estabelecimentos de saúde de São Paulo e realizar um trabalho em que todos compartilham suas questões e, juntos, aprendemos uns com os outros, trabalhando em prol da sustentabilidade financeira das organizações”, destacou Carolina Dantas.

Principais desafios  

Em uma reunião interativa, o primeiro encontro do GT Financeiro do SindHosp em 2024 fez um levantamento de questões que impactaram no desempenho das empresas durante o ano de 2023, e o que faltou para cada uma delas ter um desempenho superior. Apareceram respostas associadas a engajamento das instituições, dificuldade em repasse das operadoras, clareza nos fluxos de caixa, negociações com operadoras de planos de saúde e comportamento atípico das glosas aplicadas.

Também se questionou sobre os desafios para 2024. As principais respostas mencionaram fluxo de caixa, gestão tributária e negociações com operadoras, sobretudo em relação à incerteza quanto aos pagamentos. “A ideia é converter essas questões em temas de nossas reuniões. A partir de feedbacks dos participantes desenhamos o que importa ser discutido no grupo técnico financeiro, sendo sensível às particularidades de cada uma das instituições”, ponderou a coordenadora do GT Financeiro.

Caixa X contabilidade   

Segundo Carolina Dantas, uma questão parece prioritária em 2024: “Precisamos ter a consciência de que o resultado contábil não sustenta a instituição se o caixa não estiver refletido nesse resultado contábil. Isso fez com que tivéssemos uma mudança forte nos parâmetros de monitoramento de performance, dando mais ênfase ao resultado financeiro do que ao econômico. É uma questão de sobrevivência das instituições. Neste sentido, defendo uma máxima da área financeira de que ‘o caixa é o rei’, ou seja, o caixa tem de refletir o resultado econômico”.

Para a coordenadora do GT Financeiro, a gestão do fluxo de caixa requer uma série de ferramentas e procedimentos diários que podem proteger a instituição diante de um ciclo financeiro não tão desejável. Daí a proposta para o planejamento financeiro de 2024 baseada principalmente em dois alvos da gestão do risco financeiro na indústria saúde:

  • DINÂMICA DE MERCADO – o que pode se configurar em ameaça ou oportunidade. Sempre fazer um apanhado dessa dinâmica de mercado nas reuniões, incluindo movimento com operadoras e fortalecimento de redes, mas principalmente a verticalização e suas consequências.
  • CICLOS DE RECEITA – para além dos prazos médios de pagamentos, recebimentos e faturamentos, entender como o giro de estoque pode influenciar na melhora ou piora desse ciclo de receita. Será o principal foco das reuniões, tratando de questões como problemas com prazo de faturamento por conta da dinâmica das operadoras, autorização de faturamento para contas e liberação de autorização de procedimentos.

Uma vez esgotadas questões mais profundas de Dinâmica de Mercado e Ciclos de Receita, temas mais globais como Compliance & ESG, Ataque Cibernético & LGPD e Cadeia de Suprimentos poderão ser abordados. “O SindHosp tem uma representatividade fortíssima, mas, para que possa atuar pela sustentabilidade financeira das instituições, nós, como grupo técnico, temos de trabalhar. Discutir problemáticas de hospitais, serviço de diagnósticos, clínicas que, sozinhos, não conseguem ter voz, mas via SindHosp tem condições de decolar e ampliar participação”, destacou Carolina Dantas.  

Faça parte do GT

Participe do Grupo de Trabalho Financeiro do SindHosp. Trabalhe conosco pela sustentabilidade financeira das instituições de saúde de São Paulo. Basta entrar em contato em conosco!

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SindHosp lança Boletim Infográficos Saúde – BIS com mapeamento da estrutura hospitalar do Brasil

O SindHosp acaba de lançar o “Boletim Infográficos Saúde (BIS) –Hospitais” com um minucioso mapeamento da estrutura hospitalar do sistema brasileiro de saúde. Produzido pelo Núcleo de Inteligência e Conteúdo (NIC), o trabalho foi tema do primeiro Workshop da Saúde de 2024, um que aconteceu na sede do Sindicato, em São Paulo, com participação presencial de convidados e interação on-line com audiência virtual pelo canal oficial do SindHosp no YouTube e pela plataforma da Hospitalar Hub. Assista à íntegra do evento aqui.

São duas versões do Boletim Infográfico Saúde (BIS) – Hospitais. “Uma versão on-line, mais completa e interativa, que é exclusiva para associados, contribuintes e parceiros. E uma versão off-line, estática e resumida, acessível para todos”, explica Larissa Eloi, diretora executiva do SindHosp. “Na versão on-line, o diferencial é a utilidade desta ferramenta para o planejamento e a gestão de programas, serviços e sistemas de saúde”. Ambas as versões estão disponíveis aqui, no site do SindHosp.

Curadoria
O levantamento traz informações unificadas obtidas a partir de fontes públicas. Com dados fornecidos por instituições de redes tanto públicas (SUS) como privadas (Saúde Suplementar), estas com e sem fins lucrativos, o trabalho dimensiona e compara a evolução da capacidade de atendimento dos hospitais do país no período de 2019 a 2023.

O “Boletim Infográficos Saúde (BIS) – Hospitais” utilizou 14 bases de dados públicas e mais de 400 milhões de registros. “Trata-se de um trabalho de curadoria realizado com rigor técnico e transparência. Um material rico para gestores hospitalares”, esclarece Aline Yukimitsu, consultora técnica BIS/SindHosp. “Vamos fazer atualizações mensais das informações”.

Comitê Técnico
O “Boletim Infográficos Saúde (BIS) versão Hospitais” teve a curadoria do Comitê Técnico Inteligência e Conteúdo (CTIC) do SindHosp, que conta com um grupo estratégico de líderes da saúde de São Paulo. Trata-se da primeira versão de uma série de boletins, que ainda terá trabalhos voltados para clínicas e laboratórios.

O presidente do SindHosp, Francisco Balestrin, destaca que o Boletim Infográficos Saúde é um trabalho de longo prazo, que exigiu das equipes muita resiliência. “Trouxemos pessoas que se doaram para o projeto, doaram sua força de trabalho, sua experiência… Pessoas que, assim como em uma procissão, usam as próprias velas para acender outras velas e, assim, aumentar a luz que ilumina todos”, diz Balestrin.

Associe-se
O acesso completo aos infográficos está liberado a associado e/ou contribuintes SindHosp, além de parceiros. Se a sua empresa ainda não é nossa parceira, clique aqui e vá até a página de cadastro do SindHosp. Há ali um botão para que o interessado possa se associar e obter o acesso, conseguindo filtrar as informações em seis dashboards.

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