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Ana Paula

Afastamento de funcionário durante contrato de experiência: como proceder?

Afastamento durante contrato de experiência: como proceder?

O que fazer com o empregado que está em contrato de experiência e precisa se afastar por conta de um acidente de trabalho, ou por outros motivos? Teria ele estabilidade? Poderia o contrato de experiência ser extinto?

O departamento Jurídico do SindHosp elaborou um material sobre o tema, após um representado expor a dúvida, e tornou o conteúdo público para esclarecimento de todos. Confira!

Contrato de experiência com vencimento previsto

Quando o colaborador está sob contrato de experiência, com vencimento previsto, e o afastamento por auxílio-doença ultrapassa os usuais 90 dias, a empresa deve se documentar quanto à sua intenção de não tornar o contrato por prazo indeterminado.

A CLT em seu artigo 476, a Lei nº 8213/1991 no artigo 63 e o artigo 80 do Decreto nº 3048/1999 estabelecem que o empregado afastado por auxílio-doença encontra-se em licença não remunerada, e o contrato de trabalho está suspenso.

“Art. 476. Em caso de seguro-doença ou auxílio-enfermidade, o empregado é considerado em licença não remunerada, durante o prazo desse benefício.”

LEI Nº 8.213, de 24 de julho de 1991, Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social:

“Art. 63. O segurado empregado em gozo de auxílio-doença será considerado pela empresa como licenciado.”

Contrato de experiência que se torna por prazo indeterminado automaticamente

Em caso de contrato de experiência, que automaticamente torna-se por prazo indeterminado ao final do prazo estabelecido, se não houver manifestação das partes, é necessário atentar para o § 2º do artigo 472 da CLT; que exige cláusula específica sobre a contagem ou não do tempo de afastamento para terminação do contrato.

Segundo entendimento de nossos tribunais,“o afastamento previdenciário para gozo de auxílio-doença não possui o condão de prorrogar o término do contrato de trabalho por prazo determinado, tampouco suspendê-lo; exceto se tal hipótese integre os termos formais do ajuste (art. 472, §2º, da CLT), porquanto o seu termo final é, previamente, conhecido pelas partes”.

Sendo assim, se o contrato de experiência não contiver cláusula determinando que o afastamento do trabalhador por auxílio-doença será computado na contagem do período de experiência, é necessário informá-lo por notificação escrita sobre a rescisão que ocorrerá na data final do contrato de experiência, mesmo que o trabalhador esteja afastado.

Segue sugestão para redação do contrato de experiência:

PRAZO DO CONTRATO

CLÁUSULA ______– O presente contrato terá como vigência o prazo determinado de __ (____) dias, com início na data de sua assinatura e término no dia __/__/__.

§ 1º-  A não prorrogação, ou a não extinção deste contrato no dia de seu término, implicará na sua conversão automática, como de prazo indeterminado, nos termos do art. 445, parágrafo único da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho.

§ 2º – Ocorrendo afastamento do EMPREGADO por motivo de auxílio-doença, o tempo de afastamento não será computado na contagem do prazo para a respectiva terminação, conforme permite o  artigo 472,  § 2º, da CLT.

E quando não há a cláusula determinando contagem do auxílio-doença no contrato de experiência? 

Caso não exista a referida cláusula no contrato de experiência, a empresa deve atentar para a data da alta do INSS, para providenciar o encerramento do contrato de experiência e evitar que se torne por prazo indeterminado. 

O §2º do artigo 472 da CLT é aplicado por analogia pelos nossos tribunais quando se trata de afastamento por auxílio-doença.

“Art. 472. O afastamento do empregado em virtude das exigências do serviço militar ou de outro encargo público não constituirá motivo para a alteração ou rescisão do contrato de trabalho por parte do empregador.

…

§ 2º. Nos contratos por prazo determinado, o tempo de afastamento, se assim acordarem as partes interessadas, não será computado na contagem do prazo para a respectiva terminação.”

Se o trabalhador esteve afastado pela Previdência Social e retornou dentro do período de vigência do contrato de experiência, nada impede que a empresa o dispense na data final do contrato. 

No entanto, se o período de afastamento por auxílio-doença exceder a data de encerramento do contrato de experiência, a empresa deve enviar ao empregado uma notificação via carta registrada com aviso de recebimento ou um telegrama com comprovante de recebimento, para a residência do mesmo, comunicando que não haverá a prorrogação do contrato de experiência. É importante que a empresa tenha esse documento. 

O pagamento das verbas rescisórias será efetuado no momento da alta, pois o trabalhador se encontra licenciado no período de gozo do benefício auxílio-doença.                                          

Afastamento do trabalhador pela espécie 91: auxílio-doença acidentário

Vale destacar que no caso de afastamento do trabalhador pela espécie 91 – auxílio-doença acidentário, há requisitos a serem cumpridos para caracterizar o direito à garantia de emprego.

A Lei nº 8213/1991, em seu artigo 118, traz a figura da estabilidade do trabalhador acidentado:

“Art. 118. O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantia, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente.”

No entanto, a lei exige o cumprimento de dois requisitos para que o trabalhador tenha direito à estabilidade:

  • afastamento do trabalho por período superior a 15 dias;
  • recebimento de auxílio-doença acidentário – espécie 91.

A Súmula 378, do Tribunal Superior do Trabalho, foi recentemente alterada para constar o direito do trabalhador que sofre acidente do trabalho de ter estabilidade de 12 meses, mesmo que durante o contrato de experiência.

Nº 378 – ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ACIDENTE DE TRABALHO. ART. 118 DA LEI Nº 8.213/1991:

“I – É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por período de 12 meses após a cessação”.

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Até breve!

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MS lança Política Nacional de Promoção da Saúde

A Política Nacional de Promoção da Saúde, uma atualização da política lançada em 2006, já foi apresentada e está voltada para a diminuição das doenças crônicas. Ela reforça políticas que combatam os fatores de risco para a saúde, como tabagismo, sedentarismo e má alimentação. Ela também prevê o aumento dos investimentos na área de atendimento.
 
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, presente à cerimônia, destacou que entre as prioridades da nova política estão temas como “a formação e educação permanente, alimentação adequada, prática de atividade física, enfrentamento ao tabaco, enfrentamento ao uso abusivo de álcool e outras drogas e a promoção da cultura da paz e dos direitos humanos”, disse.
 
Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, o enfrentamento às doenças crônicas é um dos principais desafios de saúde pública no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, elas respondem por cerca de 35 milhões de mortes ao ano. No Brasil, do total de óbitos registrados em 2011 (cerca de um milhão de mortes), elas foram responsáveis por cerca de 74 mil (72%). 
 
O Brasil superou a meta estabelecida para a redução da mortalidade prematura por doenças crônicas, que era de 2% ao ano. Entre 2010 e 2011, o índice de queda da mortalidade prematura (30 a 70 anos) por doenças crônicas foi de 3,8%. A expectativa é chegar a 2,5% em 2022.
 
Nesse sentido, para incentivar a prática de hábitos saudável na população, está o Programa Academia da Saúde, que prevê a implantação de polos com equipamentos e profissionais qualificados para a orientação de atividades físicas. A redução gradativa de 2% da mortalidade prematura por doenças crônicas é o objetivo principal do Plano de Ações de Enfrentamento às Doenças Crônicas Não Transmissíveis 2011-2022.
 
Atualmente, segundo a pasta, há mais de 3.725 mil polos habilitados para a construção em todo o País (491 já prontos). A Atenção Básica também prestará diferentes tipos de tratamento e acompanhamento ao usuário, incluindo o atendimento psicológico. Atualmente, existem 3.695 Núcleos de Atenção à Saúde da Família, com 3.247 nutricionistas, 5.062 fisioterapeutas e 3.691 psicólogos, além de educadores físicos e sanitaristas.

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Yussif Ali Mere Jr marca presença no lançamento do Hospitais Lounge, da Hospitalar

Na noite da segunda-feira, 27, a Hospitalar apresentou a uma plateia de convidados seu mais novo projeto para a feira de 2015: o Hospitais Lounge. A ideia é levar para a exposição o amplo conceito de prestação de serviços dos hospitais brasileiros, que hoje não são mais apenas prestadores de serviços assistenciais, mas se transformaram também em polos educacionais, de formação, de pesquisa e de prestação de outros serviços que não somente a assistência.

A presidente da Hospitalar, Waleska Santos, ao lado de seu marido, Francisco Santos, recepcionaram os convidados, entre eles o presidente do SINDHOSP e da FEHOESP, Yussif Ali Mere Jr, e o presidente da Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP), Francisco Balestrin. 

Confira mais informações sobre o projeto e o evento na próxima edição do Jornal do SINDHOSP.

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SBRH realiza o 26º Congresso em Porto Alegre

Entre os dias 6 e 8 de novembro, a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana promove o 26º Congresso Brasileiro de Reprodução Humana e terá como cidade sede a capital gaúcha, Porto Alegre, no Centro de Eventos da PUC-RS.
 
Entre os temas que serão debatidos está Qual é o melhor momento para biópsia embrionária, que o geneticista Ciro Martinhago fará no próximo dia 7, às 11 horas.
 
Graças à biópsia genética de uma célula retirada de um embrião na fase de blastocisto (8/10 células) é possível salvar a vida de um irmão mais velho, acometido de uma doença hereditária. Para exemplificar esta técnica, Dr. Ciro Martinhago foi um dos responsáveis pelo caso da cura de Maria Vitória, que recebeu a notícia junto com sua família de que ela está curada da doença Talassemia Major, um problema hereditário que afeta a formação das células do sangue. Não serão mais necessárias as transfusões de sangue a cada 20 dias e outras tantas medidas terapêuticas para mantê-la viva. As células-tronco de sua irmãzinha, Maria Clara, obtidas do cordão umbilical e da doação de medula, trouxeram a cura da doença e a imensa alegria para a família.
 
Mais informações no site www.sbrhcongresso.org.br .
 

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Simpósio internacional reúne especialistas

A terceira edição do Simpósio Internacional do Delboni traz a São Paulo renomados conferencistas considerados referências em suas especialidades. O evento será realizado no dia 1º de novembro, a partir das 8 horas, no WTC Convention Center, com o objetivo de levar informação e conhecimento à comunidade científica.

O Simpósio contará com seis salas simultâneas, divididas por assuntos relacionados a Câncer de Próstata, Cabeça e Pescoço, Cardiologia, Imagem da Mulher, Musculoesquelético e Neuroimagem. 
 

A programação completa pode ser acessada aqui. 
 
Inscrições e RSVP pelo telefone (11) 3791-9111 ou simposiointernacional@dasa.com.br .
 

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Operadoras: despesas crescem 15,6% no 1° semestre

As operadoras de planos de saúde no Brasil gastaram R$ 48,8 bilhões com despesas assistenciais no primeiro semestre de 2014, representando aumento de 15,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando as despesas assistenciais foram de R$ 42,3 bilhões. Os números constam na Nota de Acompanhamento do Caderno de Informações da Saúde Suplementar (Naciss), produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) com base nas informações da ANS que acabam de ser atualizadas. 
 
No mesmo período e sentido de alta, a receita de contraprestações das operadoras (mensalidade dos beneficiários) foi de R$ 58,6 bilhões, um aumento de 14,9% em relação a junho de 2013. O superintendente-executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro, alerta que o ritmo de crescimento das despesas tem se mantido historicamente em patamar mais elevado do que o das receitas. 
 
"Se analisarmos os últimos nove anos, desde 2006, o comportamento das despesas assistenciais e das receitas tende a indicar o comportamento anual", disse em comunicado ao mercado. O superintende explica que o comportamento de despesas assistenciais e receitas registrados no primeiro semestre tende a se repetir no segundo, ou seja, quando as despesas crescem mais do que as receitas na comparação entre junho de um ano e o mesmo mês do ano anterior, o balanço anual, historicamente, segue o mesmo ritmo. "A tendência é que as despesas assistenciais cresçam mais do que as receitas em 2014 e, frente a este cenário, as operadoras precisam ficar atentas para reverter esse cenário", alertou. 
 
Carneiro ressalva, contudo, que esses números tratam apenas das despesas assistenciais, ou seja, os gastos das operadoras com serviços de saúde utilizados por seus beneficiários. "É preciso lembrar que as receitas das operadoras ainda precisam cobrir as despesas administrativas e tributos, que como nos demais setores são bastante elevados", completou.
 

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Oswaldo Cruz lança Centro de Obesidade e Diabetes

O hospital de alta complexidade Alemão Oswaldo Cruz (HAOC) inaugurou um Centro de Obesidade e Diabetes, com atendimento integral e interdisciplinar para ambas as doenças, hoje consideradas como epidemias. A unidade, que contou com um investimento em torno de R$ 1,5 milhão, está instalada em um espaço próximo ao complexo do Hospital, na região da Avenida Paulista, em São Paulo.
 
O diferencial do empreendimento, segundo o superintendente executivo do HAOC, Paulo Bastian, está na qualidade da equipe médica, que será coordenada pelo Dr. Ricardo Cohen, eleito pela Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (ASMBS) como um dos 30 médicos de maior destaque na área. 
 
Ao chegar ao Centro, o paciente é submetido a uma avaliação completa, traçando diagnóstico inicial, e depois será encaminhado para o tratamento mais adequado: clínico ou cirúrgico. Cohen destaca a importância de o obeso receber um tratamento multidisciplinar, como o que é oferecido no novo Centro. “O obeso pode ter, por exemplo, varizes e deve ser abordado por um cirurgião vascular; o endocrinologista pode não conseguir controlar o doente clinicamente, com remédios e orientação, então esse doente é atendido pelo cirurgião bariátrico e metabólico. Por isso, na verdade, é fundamental ele ser atendido de uma forma integral.”
 
Outro aspecto a ser destacado refere-se às parcerias científicas com instituições internacionais como Cleveland Clinic, dos Estados Unidos; King’s College, da Inglaterra; e Universidade de Dublin, da Irlanda. 
 

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ABC realiza dois eventos no mesmo dia

Em 23 de outubro, o Coordenador do Escritório Regional do Sindhosp em Santo André (ABC), Reinaldo Tocci, realizou duas reuniões com representantes de grupos de discussão.
 
Pela manhã, o Grupo de Gestão de Qualidade para Clínicas Médicas do ABC e região tratou assuntos referentes  às Etapas de Avaliação Organizacional das Clínicas, exigidas pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), utilizadas para a certificação de qualidade. Apresentada por Dayane Rabello, representante do Centro de Oncologia do ABC, foram abordados assuntos visando o aprimoramento dos trabalhos desenvolvidos pelo grupo, entre eles questionário de avaliação referente ao perfil de cada clínica participante.
 
No período vespertino foi a vez de o Grupo de Gestão de Qualidade para Hospitais do ABC e região se reunir. Na pauta, foram abordados pelos representantes dos hospitais, temas como Projeto de Qualidade Hospitalar, que dispõe sobre a forma de desenvolvimento dos trabalhos e os objetivos a serem alcançados; indicadores de desempenho hospitalar que poderão ser abordados; processos e protocolos internos da gestão de qualidade que envolvem os diversos setores do serviço hospitalar.

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Em especial, Valor Econômico entrevista Yussif Ali Mere Jr

Excelência em gestão hospitalar. Este foi o tema de reportagem do caderno Valor Saúde, edição especial do jornal Valor Econômico, que contou com a opinião do presidente do SINDHOSP e da FEHOESP, Yussif Ali Mere Jr. A matéria aborda a onda de novos gestores que dominam o setor da saúde mesmo sem formação específica na área e os investimentos dos hospitais que buscam atender à demanda de especialidades.

Segundo Yussif, a virada no padrão de gestão veio com a criação da Agência Nacional de Saúde (ANS) e a regulamentação dos planos de saúde suplementar. "Os hospitais privados passaram a atender um volume maior de usuários de planos e conseguiram se financiar para atender as demandas de um público mais exigente".

 

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Einstein, MS e ANS iniciam projeto-piloto para incentivar parto normal

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, os diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) André Longo, Martha Oliveira e José Carlos Abrahão participaram, no último dia 24 de outubro, da assinatura de um acordo de cooperação técnica com o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), em São Paulo, para induzir à redução de cesáreas desnecessárias no país. Um projeto-piloto foi desenvolvido para promover o parto normal e qualificar os serviços da saúde suplementar. A ação da ANS também inclui uma consulta pública sobre novas normas para o setor, cujas contribuições já começaram a ser recebidas e devem ser enviadas até o dia 23 de novembro.
 
“Estou convencido de que, se não compartilharmos as responsabilidades nos setores público e privado, não vamos avançar na mudança desse cenário que coloca em risco a saúde de mulheres e crianças no Brasil. Consideramos que a parceria vai poder mobilizar muitas instituições que estão querendo contribuir para essa mudança de cultura, que é o nosso grande desafio”, ressaltou o ministro, referindo-se ao alto índice de 84% de cesáreas na saúde suplementar no país.
 
Com o acordo de cooperação técnica coordenado pela ANS, com duração de três anos, será utilizada a metodologia desenvolvida pelo instituto americano, que se baseia em três aspectos principais:  melhorar a saúde de indivíduos e populações, melhorar a experiência e eficiência no cuidado com a saúde. A estratégia consiste no desenvolvimento de novos modelos assistenciais a partir do conhecimento científico existente, mas customizados à realidade dos serviços de saúde. 
 
Profissionais e gestores de saúde trabalharão em conjunto com equipes do IHI, do Hospital Israelita Albert Einstein e da ANS. Três áreas são prioritárias: além da Atenção ao Parto e Nascimento, a Atenção Primária e a Rede de Atenção à Saúde do Idoso.
 
“Há muitos fatores que influenciam o alto percentual de cesarianas no país. Com este projeto, temos a possibilidade de ampliar trabalho que a ANS já vem fazendo com as operadoras de planos de saúde, envolvendo diretamente quem presta o serviço, o que é muito importante”, afirmou a diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS, Martha Oliveira.
 
O projeto de Atenção ao Parto e Nascimento tem início imediato e a implementação pelo Hospital Albert Einstein será em fevereiro de 2015, com previsão de entrega dos resultados no final de 2017. A partir daí, o modelo deverá ficar disponível para ser adotado por qualquer estabelecimento de saúde que se interessar pela iniciativa. Também serão formuladas campanhas de informação e conscientização para profissionais da área de saúde e para beneficiários de planos de saúde. 
 
“Precisamos verdadeiramente de exemplos práticos que contribuam para o melhor desenvolvimento do nosso setor”, observou o diretor-presidente da ANS, André Longo.
 
Atenção ao Parto e Nascimento é primeiro tema a ser abordado
O primeiro projeto será sobre Atenção ao Parto e Nascimento. É prevista a adoção de um modelo que prioriza a organização dos serviços, com foco em ações que reduzam as cesarianas desnecessárias e incentivem o parto normal. 
 
Entre as ações que poderão ser testadas, destacam-se, por exemplo, a assistência ao parto por equipes compostas por médicos e enfermeiros obstetras, a utilização de recursos para alívio da dor, o estímulo à presença de acompanhante e ao uso de protocolos baseados em evidência científica.
 
Em experiência já realizada no Brasil, a aplicação da metodologia do IHI obteve resultados positivos: o percentual de partos normais mais do que dobrou, aumentando de cerca de 20% a 55%; as admissões em UTI neonatal caíram de 155 para 46 em cada 1.000 nascidos vivos; houve aumento da remuneração dos profissionais associados à redução do custo anual total.
 
Redes de atenção à Saúde do Idoso e Atenção Primária
O envelhecimento populacional e o aumento das doenças crônicas não transmissíveis exigem inovações do sistema de saúde suplementar. Nesse contexto, a estruturação e a reorganização da rede de prestação dos serviços têm por objetivo melhorar a gestão do cuidado, planejar o tratamento com base nas necessidades e nos riscos apresentados pelo paciente. 
 
O objetivo é que seja oferecido cuidado integral e contínuo, facilitando o acompanhamento adequado da evolução do tratamento, o acesso do paciente ao atendimento em tempo, lugar, custo e qualidade adequados. Entre as medidas que deverão ser adotadas, estão: definição de um médico responsável pela gestão do cuidado; integração entre consultório, laboratórios e hospital; e suporte de equipe multidisciplinar.
 
Na área de Atenção Primária, base para o funcionamento das redes de atenção à saúde, a reorganização de modelo utilizando a metodologia do IHI também apresentou bons resultados em recente experiência no setor de saúde suplementar. O percentual de mulheres que realizaram Papanicolau aumentou de 20% para 53% das elegíveis; o percentual de mulheres que realizaram mamografia cresceu de 15% para 85% das elegíveis; o cuidado primário considerado perfeito para pacientes diabéticos passou de 0% a 50% da população beneficiária elegível, enquanto os custos tiveram redução de 50%.
 
“Achei este desafio extremamente pertinente por se tratar de assunto tão delicado. O setor privado não sabe mais que o público. Nosso compromisso é com o Estado brasileiro e com aquilo que possa representar o bem comum”, acrescentou o presidente do Hospital Albert Einstein, Claudio Lottenberg.
 
 
Foto: Ramede Felix

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