Dando continuidade à série WorkCafé, o SindHosp realizará no próximo dia 19 de fevereiro o evento “O Futuro das Terapias Avançadas”. A sessão com apoio da Johnson & Johnson tratará um bate-papo com convidados que vão falar sobre inovações e desafios nas terapias avançadas, esclarecendo dúvidas e contribuindo para a construção de um sistema de saúde mais acessível e eficiente. A ideia é discutir o papel dos diferentes atores do ecossistema de saúde na transformação da vida de pacientes elegíveis para os tratamentos.
Utilizando engenharia genética e modificação celular para oferecer soluções inovadoras e eficazes, as terapias avançadas estão transformando o modo como medicina lida com doenças graves e raras. Destaque para terapias gênicas para doenças raras e terapias celulares (CAR-T) no combate ao câncer.
A Anvisa define Terapias Avança como uma categoria de medicamentos que compreende o produto de terapia celular avançada, o produto de engenharia tecidual e o produto de terapia gênica. Segundo a agência, o processo de aprovação regulatória exige robustos dados científicos para a comprovação de eficácia e segurança. Atualmente, o Brasil conta com oito medicamentos classificados como terapias avançadas com aprovação pela Anvisa.
Paciente elegíveis
Os critérios de elegibilidade do paciente ao tratamento são rigorosos e o momento da jornada do tratamento faz toda a diferença para a eficiência dessas terapias. Assim, o tempo para o acesso é essencial. Cada dia conta e a ambiguidade no entendimento da regulamentação pode separar o paciente da oportunidade de acesso ao tratamento.
O presidente do SindHosp e da FesaúdeSP, Franciso Balestrin, será o moderador do evento, que contará com a participação de Gabriela Almeida, diretora de Acesso e Estratégia da Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil; Manoela Albuquerque, editora de Saúde na MIT Technology Review Brasil; Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma; João Batista da Silva Junior, gerente da Gerência de Sangue, Tecidos, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas (GSTCO) da Anvisa; e Simone Forny, diretora Médica Hematologia na Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil.
PARTICIPE!
WorkCafé “O Futuro das Terapias Avançadas”
Dia 19/02, às 14h. Auditório do SindHosp Para saber mais, clique aqui e inscreva-se!
Os debates em torno da inteligência artificial se intensificaram desde o lançamento do ChatGPT, uma IA do tipo generativa, ou seja, capaz de criar textos, imagens, áudios e vídeos. Embora as polêmicas remontem aos primórdios da computação, ainda nos anos 1940, como se vê no filme “O Jogo da Imitação”, que revela ao grande público uma máquina construída pelo britânico Alan Turing utilizada pelos aliados para decifrar mensagens alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, o tema ganhou relevância com as transformações digitais em curso neste século, sobretudo na área da saúde.
As discussões devem culminar em um marco regulatória da IA para a saúde. Diante do desafio, o SindHosp e a Fehoesp, em parceria com a CNSaúde, levaram o tema para a Hospitalar 2024. A arena Hospitalar Hub recebeu o “VI Brasil Saúde – Fórum Brasileiro de Gestão em Saúde”, que teve como tema macro “A Inteligência Artificial na Saúde”.
Tripé cultural
Os avanços ocorrem em velocidades diferentes considerando a tecnologia, a sociedade e as normas. Ou seja, o tema está escorado em um “tripé cultural” e depende de um equilíbrio entre tempos de cada ponto de apoio para se consolidar de maneira mais consistente. No campo da saúde, a IA é capaz de predizer um “no show” com extrema assertividade, mas há muito o que se discutir ainda, a começar pela dificuldade de se ter um prontuário padrão.
Francisco Balestrin, presidente da Fehoesp e do SindHosp, e Breno Monteiro, presidente da CNSaúde e FENAESS, abriram o evento, juntamente com Daiane Nogueira de Lira, integrante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “O tema IA, em que pese aspectos técnico-científico, tem o arcabouço jurídico. Ferramenta tão poderosa que, se não tomar cuidados, nós, profissionais, teremos ameaça à integridade de dados”, destacou Balestrin. “O tema tem sido tratado há algum tempo pelo setor. Mas é preciso cuidado com o que a tecnologia causará à vida humana e aos nossos negócios”, acrescentou Breno Monteiro, da CNSaúde.
Saúde, IA e Justiça
Segundo o CNJ, existem quase 84 milhões de processos em tramitação no Brasil, distribuídos por 92 tribunais (mais de 80% na Justiça Estadual), passando nas mãos de 18 mil juízes e 275 mil servidores públicos. Para Daiane Nogueira de Lira, essa estrutura tem de estar pronta para a IA. “Quando tiver de analisar questões legais, jurídicas e éticas, o poder judiciário vai estar aberto para esse desafio”, assegurou Daiana Lira. “A CNJ trabalha para realizar a integração da IA na saúde, garantindo acesso, com segurança e dentro de limites éticos. Estamos falando de celeridade, acesso, eficiência e transparência com segurança, ética e responsabilidade”.
Ela destacou a iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), que lançou o NatJusGPT, a primeira ferramenta de inteligência artificial generativa aplicada no Judiciário para a saúde. Trata-se de uma ferramenta que proporciona, de forma bem mais prática, uma pesquisa direcionada em uma base de dados específica.
ChatGPT omini-modal
Em seguida, subiram ao palco Alexandre Ferreira da Rocha, da Microsoft Brasil, e Jean Gorinchteyn, diretor técnico-científico da Fehoesp, para complementar a abertura com conceitos, história e futuro sobre IA. O executivo da Microsoft destacou o ChatGPT-4o, omini-modal, incluindo vídeo e voz, com modelos neurais embutidos. “Para a saúde, a IA terá vasta aplicação, como indicar sinais de envelhecimento previamente, garantindo mais qualidade de vida para uma população cada vez mais longeva. Cerca de 60% dos dados que o setor da saúde produz não são aproveitados e a IA pode mudar isso”, destacou Alexandre da Rocha. “A IA será um copiloto para o médico e o paciente, uma segunda opinião, ajudando a evitar erros, que custam caro”.
Para Jean Gorinchteyn, a IA terá grande relevância como assistente de médicos, alunos e professores, sobretudo diante da crescente quantidade de profissionais despreparados no mercado. “Com a IA, será possível prestar atenção em algo que talvez tenha passado despercebido em uma primeira análise, ter uma visão melhor do paciente”, destacou o diretor técnico-científico da Fehoesp.
Revolução em curso
Moderado por João Guerra, vice-presidente do Conselho de Administração SindHosp, o painel “A Revolução da Inteligência Artificial na Saúde” do Fórum Brasileiro de Gestão de Saúde contou com a participação de personalidades de diferentes áreas da saúde.
Edgar Gil Rizzatti, presidente da Unidade de Negócios Médico, Técnico, de Hospitais e Novos Elos do Grupo Fleury, falou sobre o uso da IA na Medicina Diagnóstica. “Segurança, acurácia, rapidez, equidade, eficiência e paciente no centro… IA vai garantir excelência para todas e cada uma, será uma medicina mais preditiva e preventiva”, destacou. “No Fleury, estamos trabalhando com IA para evitar ‘recoletas’ e identificar maior risco de câncer de mama por exames de sangue”.
Leonardo A. Giusti, sócio e líder de C&Ops e IGH da KPMG no Brasil, tratou da IA na Assistência Operacional. Ele defendeu o uso da IA para auxiliar a melhoria da jornada, tornando-a mais eficaz e eficiente, reduzindo dispêndio de dinheiro. “Penso na IA como orquestradora de uma jornada, contribuindo para um ecossistema mais integrado. Acho que há uma resistência inicial, como aconteceu com a telemedicina, mas que deve diminuir com o tempo”, acredita Giusti.
Daniel Ferraz, chefe de Inteligência Artificial da Rede D’Or São Luiz – SulAmérica Seguros Saúde, falou sobre IA na Assistência Médica. Ele disse que a IA permitiu uma redução de faltas em exames e consultas, que era de 30%, com análise dos dados de uma década. “O sistema se mostrou capaz de identificar faltas com 72 horas de antecedência e até 93% de assertividade. Conseguimos preencher 75% dessas faltas, com um enorme impacto administrativo e financeiro”, destacou o executivo. “Mas existem desafios, como padronizar prontuários eletrônicos, são muitos e em diferentes versões”.
Os limites da IA
Ainda durante o Fórum Brasileiro de Gestão de Saúde Fórum, os participantes discutiram os limites da inteligência artificial, com moderação de Breno Monteiro, presidente da CNSaúde e FENAESS. Gustavo Cardoso Guimarães, coordenador-geral dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos e do programa de cirurgia robótica da Beneficência Portuguesa de São Paulo, abordou os aspectos técnicos. Para ele, a IA é boa em ver padrões, o que é interessante para analisar muitos dados ao mesmo tempo. “Mas essa é uma ‘inteligência fraca’. Há uma ‘superinteligência’ que vai muito além, só que não está acessível”, destacou.
Dora Kaufman, professora do Programa de Tecnologias Inteligentes e Design Digital (TIDD) da PUC de São Paulo, tratou dos aspectos éticos. “Os atuais modelos soluções de IA não podem ser indicados como soberanos. O médico deve ser a referência. Caso contrário, a chance de erro é grande, não só por viés, mas por assertividade do resultado. A FDA está construindo o que seria a regulamentação, com procedimentos para o uso de IA, que deve ser uma parceira do médico e dos gestores hospitalares. É tudo muito novo, e a generativa, ainda mais”, observou Dora Kaufman.
Rafael Vinhas, diretor-adjunto de Gestão da Agência Nacional de Saúde Suplementar, apresentou os aspectos regulatórios. “A saúde é o nosso bem mais importante, devemos ser cautelosos. Mas o rigor não pode comprometer o desenvolvimento das tecnologias, ou seja, temos de trabalhar para que a regulação não seja extrema a ponto de podar a tecnologia”.
O professor Giovanni Cerri, chairman do InRad e vice-presidente do Instituto Coalizão Saúde, disse que tudo o que é novo vira um pouco ameaçador. Também lembrou que, das ferramentas IA aprovadas pelo FDA, cerca de 70% são da área de radiologia. “A IA é um fator fundamental para o momento atual, garantindo sustentabilidade da saúde, eficiência e segurança do paciente. Mas os algoritmos precisam ser validados, o que leva tempo, assim como acontece com medicamentos. IA é uma ferramenta que vai ser utilizada para melhorar processos e garantir segurança maior para seus pacientes”.
Encerrando o Fórum Brasileiro de Gestão de Saúde, Marcos Ottoni, diretor Jurídico da CNSaúde, discutiu os Projetos de Lei que buscam regulamentar a IA, em painel moderado por Francisco Balestrin. “Em resumo, os poderes judiciário e legislativo têm muito trabalho, inclusive para evitar que as inseguranças da sociedade inviabilizem a tecnologia”, destacou Ottoni.
O secretário municipal de Saúde de São Paulo participou do videocast Papo da Saúde, apresentado pelo presidente do SindHosp, Francisco Balestrin. Durante quase meia hora de entrevista, o médico Luiz Carlos Zamarco detalhou alguns dos projetos que vem desenvolvendo para a capital paulista e falou dos desafios de conciliar aspectos técnicos e políticos à frente de uma pasta estratégica para uma metrópole tão complexa e heterogênea, com 12 milhões de habitantes, que atrai pacientes de todos os cantos. A íntegra da entrevista pode ser vista aqui. Segundo ele, diante do diagnóstico de uma doença mais complexa, as pessoas decidem viajar para São Paulo na primeira oportunidade. “Além disso, temos de planejar as ações levando em consideração as diferentes regiões da cidade. Para se ter uma ideia, temos médicos que falam tupi-guarani para atender a tribos indígenas presentes na cidade”, exemplificou Zamarco.
Dengue
O secretário reconheceu que a situação sanitária envolvendo a disparada dos casos de dengue preocupa, mas garante que o risco de contração da doença é menor em São Paulo. “Em 2023, tivemos 119 casos de dengue para cada 100 mil habitantes. No Brasil, essa taxa foi de 816 casos para cada 100 mil habitantes. Diante dessa baixa incidência, não fomos contemplados com a vacina da dengue. Ou seja, estamos sendo penalizados pela eficiência. Mas estamos pleiteando a vacina junto ao Ministério da Saúde, uma vez que temos uma completa estrutura para imunizar a população, com 471 salas e equipe muito bem treinadas. Paralelamente, temos 12 mil agentes percorrendo moradias conscientizando as pessoas de que 80% dos criadouros do mosquito da dengue estão dentro das casas, nos quintais, em locais com água parada”, revelou o médico.
Profissional de carreira
Luiz Zamarco é pediatra neonatologista. Ainda atua como médico, trabalhando em um berçário fora de São Paulo. “Sou médico há 37 anos e estou na gestão há 20. Conheço bem a estrutura da saúde. Fui chefe de plantão, chefe de equipe e chefe de pronto socorro antes de me tornar diretor clínico e diretor técnico. Com o tempo, migrei para a coordenação hospitalar, até me tornar superintendente de autarquia, secretário executivo, secretário ajunto e agora secretário. Conheci todas as fases e todas as dificuldades. Continuo na assistência, o que me ajuda na gestão, na hora de decidir. Tenho uma visão privilegiada do que deu certo e o que precisa mudar. Estar próximo do atendimento me coloca em conexão com as equipes que estão na ponta, seja do ponto de vista do colega de plantão ou do paciente que acabou de entrar na emergência”.
Atenção básica
O secretário diz que houve um investimento importante nas gestões de Covas e Nunes na atenção básica, com a oferta de 471 unidades básicas de saúde (UBS), com previsão de entrega de mais 39 até 2025. “Criamos o programa de estratégia da saúde da família de São Paulo que atende quase 60% da população municipal. São 1.680 equipes de estratégia com seis agendes de saúde, que visitam semanalmente sua população de referência, fazendo o acompanhamento e realizando um encaminhamento precoce às UBS caso encontrem alguma intercorrência, ou seja, uma ação preventiva”, disse Zamarco.
Urgência, emergência e internação
Segundo ele, também há um trabalho importante nas áreas de urgência e emergência, com ampliação de três para 26 Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e expectativa de mais 10 até o meio deste ano de 2024. “Com uma estrutura robusta tanto na atenção básica como no atendimento de urgência e emergência, conseguimos ‘tirar’ os pacientes da frente dos hospitais, que podem se concentrar nos casos de maior complexidade. Ou seja, a UPA faz a triagem e, só em caso de real necessidade de internação ou cuidados especiais, encaminha para os hospitais de acordo com uma linha de cuidado já traçada”. Não por acaso, nos últimos três anos, a saúde foi considerada pela população de São Paulo o melhor serviço público prestado pela cidade, diz o secretário.
Cracolândia
Apesar dos avanços, Zamarco conhece os desafios. A começar pelas cerca de 50 mil pessoas que moram na rua e representam uma preocupação para a área da saúde. “Temos consultórios de rua com médico, assistente social, enfermeiro e agentes de saúde. São 26 equipes somente na região central de São Paulo. Também oferecemos moradias completas, são mais de quatro mil vagas nos nosso hotéis, com café da manhã, almoço e jantar, além de cursos profissionalizantes, mas nem todos querem sair de onde estão. Na Cracolândia, temos prontuário de todos os pacientes em situação de rua e um grupo de seis equipes que atuam lá dentro, em um trabalho constante de convencimento de pessoas muito debilitadas e vulneráveis, que precisam de cuidados preventivos”.
Informamos que o SindHosp firmou Convenção Coletiva de Trabalho com o SINDICATO DOS TÉCNICOS EM NUTRIÇÃO E DIETÉTICA DO ESTADO DE SÃO PAULO, com vigência de 1º de outubro de 2023 a 30 de setembro de 2024.
A íntegra da Convenção Coletiva de Trabalho encontra-se à disposição dos sócios e contribuintes no site do SINDHOSP, www.sindhosp.org.br ícone Jurídico/Convenções Coletivas.
São Paulo, 5 de dezembro de 2023.
FRANCISCO ROBERTO BALESTRIN DE ANDRADE PRESIDENTE Base Territorial: Todo o Estado de São Paulo
Informamos que o SindHosp firmou Convenção Coletiva de Trabalho com o SINDICATO DOS FARMACÊUTICOS NO ESTADO DE SÃO PAULO, com vigência de 1º de outubro de 2023 a 30 de setembro de 2024.
A íntegra da Convenção Coletiva de Trabalho encontra-se à disposição dos sócios e contribuintes no site do SINDHOSP, www.sindhosp.org.br ícone Jurídico/Convenções Coletivas.
São Paulo, 1º de dezembro de 2023. FRANCISCO ROBERTO BALESTRIN DE ANDRADE PRESIDENTE
O SindHosp vem promovendo nas últimas semanas uma série de entrevistas com os principais pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo. O presidente Francisco Balestrin tem recebido representantes de diferentes partidos na sede do Sindicato, em São Paulo, onde se dá a gravação do videocast “Papo da Saúde”. A iniciativa até repercutiu na imprensa. A jornalista Mônica Bergamo mencionou os debates em sua coluna da Folha de São Paulo.
A deputada federal Tabata Amaral (PSB) inaugurou o ciclo de conversas. Depois, foi a vez do também parlamentar Guilherme Boulos (PSOL). Na sequência, Balestrin entrevistou os congressistas Kim Kataguiri (UNIÃO) e Ricardo Salles (PL) e a economista Marina Helena (NOVO). As íntegras dos cinco primeiros bate-papos já estão disponíveis no canal do SindHosp no YouTube.
Francisco Balestrin ainda vai receber o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) . Com essa iniciativa, o SindHosp promove um debate democrático em torno dos desafios políticos do novo prefeito de São Paulo, com destaque para o tema da saúde.
Políticos no Papo da Saúde
Tabata Amaral
Nascida e criada na periferia da cidade de São Paulo, filha de mãe baiana e pai paraibano, Tabata Amaral veio de uma família muito pobre, com problemas estruturais profundos, que nunca teve condições de arcar com os custos de uma escola privada. Apesar das adversidades, estudou muito, formou-se com bolsa na Universidade de Harvard e se tornou a segunda mulher mais votada do Brasil nas eleições para a Câmara dos Deputados.
Hoje, aos 29 anos de idade, está em seu segundo mandato no Congresso Nacional, quer se tonar prefeita da capital paulista e vem recebendo elogios públicos até do vice-presidente da República, Geraldo Alckimin. Com muitas histórias para contar, Tabata Amaral conversou com Francisco Balestrin e mostrou por que virou um fenômeno político. “Acredito em duas coisas, no estudo e no diálogo”, resumiu Tabata Amaral. “A desigualdade de esquerda e direita vem deixando muitas rachaduras no nosso país. Mas existe outra desigualdade, que me chama mais atenção, e dói mais. De um lado, temos um povo que nasce sem oportunidades, sem acesso a serviços básicos, como a saúde; de outro, pessoas que podem sonhar… que podem ser o que quiserem… que podem conquistar o mundo”.
Na conversa, Tabata Amaral destacou três passagens que moldaram sua vida. Segundo ela, a primeira foi participar da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), que a conduziu para uma escola de elite. O segundo momento foi a perda do pai de criação para o crack. “Ele cometeu suicídio quatro dias depois de minha aprovação em Harvard. Na época, não tínhamos a compreensão plena de que, além de dependente químico, ele era doente, bipolar. Diante desse episódio, acabei mudando meu curso nos Estados Unidos de Astrofísica para Ciência Política”. A terceira passagem se deu entre os anos de 2017 e 2018, quando “se cansou” das promessas de políticos e decidiu entrar na vida pública.
A convidada do Papo da Saúde gosta de dizer que o que a levou para a política foi o confronto, a raiva, o inconformismo em torno da situação da educação. E conhece a força de sua história. “Acho que o que sempre quis é que o filho do pobre tenha as mesmas oportunidades do filho do rico. Quero que minha história não seja uma exceção”.
Guilherme Boulos
Filho de pais infectologistas, Guilherme Boulos nasceu em uma família de classe média de São Paulo e convive com o tema saúde desde a infância. Apesar de sua origem, o hoje deputado federal deu início ao que chama de “militância social” ainda jovem, trabalhando na alfabetização de moradores da favela do Flamengo, na capital paulista. Aos 18 anos de idade, foi viver em ocupações e permaneceu atuando durante pelo menos 20 anos no Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Também estudou e se formou em Filosofia na Universidade de São Paulo, além de obter Especialização em Psicologia Clínica e Mestrado em Psiquiatria, ambos na Faculdade de Medicina da USP.
Após ingressar em um partido político, o PSOL, Boulos já foi candidato à Presidência da República e disputou o segundo turno das últimas eleições municipais de São Paulo. Politicamente próximo do presidente Lula, ele acredita que a luta por moradia é também uma luta por saúde. “A casa é base da dignidade, é a base da saúde. A política é o instrumento para poder melhorar a vida das pessoas, transformar a sociedade e combater as desigualdades tristes e inaceitáveis do nosso país”, acredita Boulos.
Para Guilherme Boulos, a cidade precisa olhar para as mais de 50 mil pessoas sem moradia e recuperar a empatia por quem vive na rua. “Temos uma rotina bruta, uma crosta de indiferença, apesar de São Paulo ser a cidade mais rica da América Latina. Como podemos ser tão ricos e desiguais, com tanta gente jogada na rua, com crianças revirando lixo para comer? Não podemos naturalizar a barbárie, temos de reagir, algo que seria bom para todos, porque aumentaria a segurança e criaria melhores condições de convivência”, disse o parlamentar no bate-papo com Francisco Balestrin, do SindHosp.
Segundo ele, há dados que mostram que a expectativa de vida em São Paulo sobe 20 anos de acordo com o CEP onde a pessoa mora. “Em bairros nobres, a expectativa de vida supera os 80 anos de idade enquanto no extremo leste da cidade não chega aos 60 anos. Precisamos de mais emprego, mais infraestrutura e mais serviços públicos e privados em regiões periféricas para que as pessoas não tenham de atravessar a cidade para trabalhar, perdendo duas horas no transporte público”, sustenta Boulos.
Kim Kataguiri
Neto de imigrantes japoneses e filho de mãe nordestina, Kim Kataguiri cresceu em São Paulo, mas, durante a infância, sempre viajava para Santa Isabel e Belém, no Pará. Ele fala com orgulho dos avós, que vieram para o Brasil fugindo da fome no Japão e criaram os filhos com dificuldade, trabalhando na roça ou dirigindo caminhão. Também lembra com carinho do empenho da mãe, que teve diferentes profissões, desde garçonete e massoterapeuta até vendedora de rua e servidora pública em creche.
O hoje deputado federal reconhece o esforço da família para que pudesse estudar. Kim se tornou programador e queria ser designer de videogame, mas logo migrou para Economia e, depois, Direito, ingressando no Instituto de Direito Público. Apesar da formação acadêmica, ele ficou famosos como influenciador digital e fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), insuflando os protestos de rua que levaram ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff e à eleição de Jair Bolsonaro. “O intuito era difundir ideais liberais, principalmente entre pessoas mais jovens, nas redes sociais, quebrando o monopólio que as esquerdas tinham sobre a juventude, sobre os movimentos de rua… e passamos a organizar manifestações”, contou Kataguiri, que acabou se elegendo parlamentar em 2018.
Para Kim Kataguiri, não existe uma contradição entre os conceitos liberais e as preocupações sociais. “O Liberalismo nasceu para combater privilégios e se debruça em soluções técnicas de combate à pobreza. O principal papel do poder público é contribuir para a erradicação da miséria. Em São Paulo, temos 52 mil pessoas morando nas ruas e 370 mil pessoas em moradias precárias, muitas vezes em lugares sem regularização fundiária”.
Para o pré-candidato, um dos grandes problemas da cidade é a falta de regularização dos terrenos, dificultando a construção de creches e unidades de saúde e pavimentação de ruas, sobretudo em favelas. Além disso, há regiões com milhares de moradores e raríssimos estabelecimentos comerciais registrados formalmente, favorecendo a corrupção de fiscais. Kim também é um crítico da atuação do Estado. “Os impostos aumentam a desigualdade social. O Estado tira do pobre e dá para o rico. As políticas públicas liberais foram as que mais enriqueceram os pobres, investindo na educação da primeira infância, como fizeram países do sul asiático, que eram mais pobres do que o Brasil há 20 ou 30 anos”.
Marina Helena
A pré-candidata do Novo para as eleições municipais de São Paulo em 2024 nasceu em Brasília e se mudou ainda criança para a periferia de São Luís, a capital do Maranhão, onde viveu uma realidade bem diferente da que conhece hoje, de muita pobreza. Faltava luz e água, e Marina Helena tinha de carregar baldes de cima para baixo, sempre cuidando dos irmãos menores. Com 13 anos de idade, sofreu um abuso e fugiu de casa, voltando ao Distrito Federal para morar com o pai. “Ali as portas se abriram. Tive acesso a uma educação de qualidade, estudei muito, trabalhei muito. Vim para São Paulo, onde trabalhei no mercado financeiro e trouxe minha família”, revela a hoje economista.
Marina Helena teve uma carreira de sucesso, muito além do que poderia imaginar. Foi CEO do think tank Instituto Millenium, fundadora do movimento Brasil Sem Privilégios e gestora em instituições como Itaú, Bradesco e Bozano Investimentos. Na política, foi diretora de Desestatização do Ministério da Economia na gestão de Paulo Guedes e candidata a vice-prefeita na chapa do Novo em 2020, tendo redigido o plano de governo, antes de receber mais de 50 mil votos para deputada federal e se tornar suplente. “Quando recebi o convite para me tornar pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, descobri que estava grávida. Ao discutir o assunto com o partido, eles me perguntaram: ‘E daí?’. Adorei essa pergunta. Quero governar uma cidade onde meus filhos tenham orgulhos de viver”, revela a economista, que tem uma filha de sete anos e vai ter o segundo, um menino, no ano que vem.
Aos 43 anos de idade, Marina Helena demonstra ceticismo em relação às soluções apresentadas ao país nas últimas décadas. “Desde que nasci, o Brasil praticamente não cresceu. Nossa renda média subiu pouco mais de 0,5% ao ano. Enquanto isso, o mundo dobrou sua renda média em 30 anos, ficamos muito para trás. Isso tem a ver com gestão pública”, argumenta a economista. Para ela, há uma disfunção nos gastos públicos. “Gastamos praticamente 40% da riqueza que produzimos, um dos maiores gastos públicos do mundo, e isso não se reflete na vida do cidadão”.
Marina Helena se queixa que o Brasil é um dos piores países do mundo em termos de criminalidade, saúde pública e educação. “Os problemas do país são muito conhecidos. Temos técnicos incríveis capazes de apontá-los e encontrar soluções. Mas os políticos conseguem, com uma vírgula, mudar tudo. Por isso precisamos mudar as pessoas que têm a caneta na mão”, contesta a pré-candidata. “A segurança pública é a base da função do Estado, que surgiu para evitar que os mais fortes subjugassem os mais fracos. E São Paulo gasta menos de 1% do que arrecada com segurança. O governo se mete em tantas empresas e frentes que mal consegue fazer o essencial, com um agravante: metade de tudo o que se arrecada se destina para os 20% mais ricos da população e 5% vai para os 20% mais pobres”.
Ricardo Salles
Filho de uma família com gerações de advogados, Ricardo Salles nasceu e cresceu na capital paulista. Seguindo a carreira de seus antepassados, formou-se em Direito na tradicional Universidade Presbiteriana Mackenzie, fez pós-graduações em Portugal, uma em Coimbra e outra em Lisboa, e estudo Administração na Faculdade Getúlio Vargas. Hoje, aos 48 anos de idade, ele quer se tornar prefeito da cidade de São Paulo e espera contar com o apoio da chamada “nova direita”, que ajudou a criar.
A carreira política de Ricardo Salles começou em 2006, quando fundou um grupo assumidamente de direita, o “Endireita Brasil”, no auge da popularidade do governo Lula. “Na época, dizer-se de direita era praticamente uma heresia. Havia um patrulhamento ideológico poderoso contrário aos ideais de direita. Enfrentamos a situação e criamos uma entidade liberal na economia e conservadora nas questões de costume”, recordou-se o hoje deputado federal do PL a Francisco Balestrin.
Desde então, a trajetória de Ricardo Salles manteve o mote de sua primeira campanha, para deputado estadual, em São Paulo: “Por uma nova direita”. Ele passou por três partidos, começando no PFL (depois DEM), migrando para o Novo e, finalmente, filiando-se à sua atual legenda, o PL. Com votações expressivas para a Assembleia Legislativa paulista (Alesp), tornou-se secretário Particular e depois do Meio Ambiente do então governador Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente. Em seguida, assumiu como ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro e acabou sendo o quinto deputado federal mais votado do país em 2022. Para São Paulo, o pré-candidato Ricardo Salles defende um choque de gestão, inspirado no “Tolerância Zero”, de Nova York. “São Paulo é uma cidade dinâmica, trabalhadora, cosmopolita, mas faltam lei e ordem. Somos dominados por máfias, que controlam quase tudo, desde o transporte e o lixo até a iluminação e o asfalto. Precisamos enfrentar a corrupção, a ineficiência e o tráfico de influências, começando pela máquina pública, com apoio do poder judiciário, e depois trazer para a cidade o que de melhor vem sendo feito mundo afora”, sustentou o político, que defende a conversão da guarda municipal em polícia e a internação compulsória de dependentes de drogas em condição de rua com investimento massivo em um grande centro de saúde. “Vivemos uma epidemia de crack, e medidas efetivas têm seu ônus”.
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A nova pesquisa SindHosp aponta aumento no atendimento aos pacientes suspeitos com Covid-19, já que na pesquisa de novembro eram 84% dos hospitais que apontavam esse crescimento. Hoje são 95%, o que significa um aumento de 11% nos atendimentos.
87 hospitais privados do estado de São Paulo responderam ao levantamento, no período de 1 a 10 de dezembro.
As instituições respondentes representam cerca de 25% da amostra de hospitais associados do sindicato, sendo 25% da capital e 75% do interior.
Slide com detalhes da amostra da pesquisa e gráficos atestam aumento de atendimento aos pacientes com suspeita de Covid-19 em comparação a novembro
Também a pesquisa revela que o atendimento predominante nos hospitais paulistas continua sendo de pacientes com Covid-19.
Hoje os atendimentos de pacientes com Covid representam 55% da assistência prestada pelos hospitais enquanto em novembro representavam 49%.
Nos últimos 15 dias, 32% dos hospitais informam que os atendimentos Covid evoluíram para internação, enquanto 68% dos hospitais relatam que não houve necessidade de internação.
Na pesquisa anterior de novembro, 24,5% dos hospitais relataram necessidade de internação, enquanto 75,5% dos hospitais não internaram.
Internações em UTI cresceram menos em dezembro
Nesta pesquisa, 65% dos hospitais revelam aumento de até 5% de internações em UTI e 19% dos hospitais registram aumento de 6% a 10% de internações em UTI.
Enquanto na pesquisa de novembro, 73% dos hospitais tiveram aumento de até 5% de internações em UTI e 18% registraram aumento de 6% a 10% de internações em UTI Covid.
Internações clínicas também cresceram menos neste mês.
Nesta pesquisa, 71,4% dos hospitais revelam aumento de até 5% nas internações clínicas e 10,71% dos hospitais informam crescimento entre 6% a 10% nas internações clínicas.
Slide exibe comparação entre respostas da nova pesquisa SindHosp aplicada neste mês de dezembro com relação aos dados obtidos no levantamento de novembro
Segundo o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, o resultado da pesquisa indica que a maioria dos casos suspeitos não evolui para internação.
Essa análise demonstra que os casos têm no geral menor gravidade, sem a necessidade de internação hospitalar.
No entanto, Balestrin orienta que as medidas de prevenção ao coronavírus sejam mantidas, especialmente neste período de festas, pois há tendência de aumento da doença.
“Ratificamos a necessidade de que a população use máscara em locais com aglomerações, mantenha o protocolo de segurança à saúde com a lavagem de mãos e cumpra o calendário de vacinação”, destaca o médico.
A pesquisa perguntou ainda se houve aumento de internações de crianças com síndromes respiratórias nos últimos 15 dias.
35% dos hospitais relataram aumento desse tipo de atendimento, enquanto na pesquisa anterior, de novembro, eram 84% dos hospitais que revelaram aumento.
O SindHosp agradece aos hospitais respondentes pela colaboração nas pesquisas e acredita que essa é uma atitude cidadã.
Acompanhe mais análises sobre o setor da Saúde, confira as recentes convenções coletivas firmadas pelo SindHosp e leia artigos especiais na aba ‘Notícias‘.
Em parceria com a Healthcare Alliance, o SindHosp realizou, em 29 de novembro, o evento gratuito ‘Como está a Maturidade Digital do seu Hospital?’
O diálogo foi fomentado pelo próprio presidente do Sindicato, Francisco Balestrin, e mais 5 gestores das principais instituições de saúde de São Paulo, a saber: Carlos Alberto Marsal, diretor-executivo e financeiro do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; Mark Carvalho, CFO da MV; Claudio Giuliano, CEO da Folks; e Milton Alves, diretor de Tecnologia da Informação na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Fábio Sinisgalli, diretor-executivo da Healthcare Alliance, que moderou um dos painéis.
Dividido em dois momentos, o encontro pode ser acompanhado por público presencial e virtual, ao vivo no YouTube:
No painel de abertura, Claudio Giulliano, CEO da FOLKS, apresentou os resultados de um novo levantamento que mensurou o estágio digital dos hospitais em todo Brasil e em SP, através do método chamado Índice de Maturidade Digital. Já na segunda fase, as 5 lideranças convidadas articularam sobre a cadeia de recebíveis e os desafios financeiros para alavancar a transformação digital nas instituições. Siga com a leitura e saiba mais!
Maturidade Digital dos Hospitais
No início de sua fala, Cláudio explica como realizou a avaliação de maturidade digital dos hospitais brasileiros e paulistas, com um método criado pela FOLKS, chamado Índice de Maturidade Digital, o qual vem sendo aplicado em hospitais do país desde 2019, especialmente os da iniciativa privada. “O objetivo é acelerar os passos e auxiliar as empresas de saúde nesse processo de transformação digital”.
O executivo esclarece que ser maduro digitalmente “não significa comprar tecnologia, colocar um sistema para rodar ou um APP para funcionar, há vários aspectos que devem ser considerados, é a chamada preparação para a jornada digital. De um lado, adotamos e implementamos a tecnologia, do outro nós nos preparamos enquanto instituição para ser digital.”
Segundo ele, as questões que resultam no índice maturidade de um hospital avaliado englobam aspectos como equipe preparada, governança, avaliação de impacto e taxa de adesão. Como a instituição está se preparando em termos de conhecimento? Qual é o nível de adoção tecnológica?
Após esses anos de pesquisa no mercado brasileiro, os dados revelam que, na base avaliada de 175 hospitais, a média da maturidade digital chega a 44%. Já em São Paulo, a avaliação de 69 hospitais resultou em 45%, se aproximando da realidade nacional.
Apesar dos números revelarem que estamos evoluindo com a tecnologia na saúde, Claudio acredita que essa média tende a cair, pois muitos dos hospitais participantes estão em São Paulo, região com alta adesão ao digital, em discrepância com a maioria das demais regiões do país.
O levantamento da FOLKS aponta ainda que muitas empresas têm comprado tecnologia, mas poucas têm se preocupado com estratégia digital e governança, o que prejudica os resultados da chamada transformação digital.
Os desafios financeiros para alavancar a transformação digital nas instituições de saúde
Um dos principais desafios para aumentar a maturidade digital nas instituições está no financiamento, e esse foi o tema do segundo painel.
Marsal, diretor-executivo e financeiro do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, abriu o debate falando sobre como é importante ter processos bem definidos, durante uma transformação digital. “É preciso cuidar do gerenciamento, ter metas, sistema de pagamento organizado e acompanhar como todo o ecossistema empresarial reage. Essa preparação é que possibilita a sistematização dos processos e é essencial!”
O diretor conta que pesquisas publicadas recentemente pela Anahp apontam aumento das glosas na saúde em 30%, e dos prazos médios de recebimento em 10%. “Hoje, já não é incomum o ciclo de pagamento ultrapassar 100 dias”.
Sendo assim, para Marsal, manter a saúde financeira das empresas de saúde é uma tarefa cada dia mais desafiadora. “Temos um setor que pouco conversa e um agente pagador que, em sua maioria, não está interessado em abrir suas fragilidades para solucionar o problema”, disse em referência as operadoras de planos de saúde. Afirmando ainda que essa é a maior crise financeira vivenciada em toda sua trajetória na saúde e que o cenário exige alta eficiência e produtividade das empresas.
“Nesse sentido, a transformação digital entra como um processo fundamental para a sobrevivência da saúde nos próximos anos”.
Assim, para Marsal, temos uma “lição de casa”, a de adotar medidas para reduzir os prazos médios de faturamento, e então otimizar os prazo médios de recebimento, fazendo isso com alinhamento efetivo de todos os que participam da cadeia. “É uma verdadeira reconstrução do sistema, desconstruir e construir tudo de novo, com desprendimento e preparação técnica”.
O diretor financeiro da MV, Mark Carvalho, seguiu com o diálogo enfatizando que a tecnologia deve ser escalável. “Se não for multiplicada, a tecnologia se torna um recurso ainda mais caro, então ela deve ser amplamente compartilhada”. Para ele, a transformação é mais que digital: cultural, e o digital é apenas uma parte do todo. “Se o sistema não se organiza e não se transforma ele não sobrevive, e essa organização é uma construção a longo prazo”.
Claudio Giuliano, CEO da FOLKS, assim como Marsal, defendeu o pensamento estratégico e a definição de processos, recomendando a avaliação do melhor caminho a seguir e como a tecnologia se acopla em cada situação. “Não basta melhorar, temos que repensar e transformar não apenas as instituições de saúde, mas todo o sistema. Isso envolve muito mais os gestores do que o departamento de TI, o TI irá executar a estratégia digital criada”.
Em seguida, falou sobre o papel das entidades de classe nesse trâmite de adoção ao digital, afirmando que, para que a maturidade digital dos hospitais aumente, é importante que as associações impulsionem o debate. “Esse evento proporcionado pelo SindHosp já é uma forma de fazer isso”. O diretor enfatiza, porém, que o grande impulsionador de que precisamos é o governo.
“Precisamos de bons projetos governamentais que invistam para implementar cada vez mais o digital na saúde. O governo tem que fazer muito mais do que vem fazendo, se falta financiamento precisa ter! Além de incentivo às empresas digitais e desenvolvimento de projetos estruturais, com foco não só no setor público, mas no todo, pois somos um sistema único de saúde.”
Odiretor-executivo da Healthcare Alliance, Fábio Sinisgalli, completou o debate falando sobre a mudança de comportamento dos clientes da saúde, “os clientes estão cada vez mais exigentes, conhecendo todas as possibilidades de tratamentos, tecnologias e medicações e cada vez mais buscam por atendimento ágil. Acredito que eles, os usuários/clientes, é que são protagonistas de todo esse processo, e também grandes impulsionadores”.
Em encerramento, Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, disse vislumbrar um caminho longo pela frente, no que concerne à transformação digital. “Para termos êxito nesse trajeto, é preciso que tudo seja realizado de mãos dadas com o governo, entidades, pacientes e empresas que precisam ser transformadas, a começar pelo mindset”.
Quer saber qual é o Índice de Maturidade Digital do seu hospital? Acesse osite da FOLKS e responda ao questionário gratuitamente. São 4 fases simples e didáticas de avaliação e o resultado é emitido na hora.
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Pesquisa inédita e completa do SindHosp, que reuniu 90 hospitais privados do estado de São Paulo, representando cerca de 25% da amostra de hospitais associados do sindicato revelou aumento dos atendimentos de pacientes com suspeita Covid-19, mas a maioria não evoluiu para internação.
Nos últimos 15 dias, 39% dos hospitais tiveram aumento de 21% a 30% nos atendimentos de pacientes com suspeita de Covid-19 e em 31% dos serviços de saúde esse aumento ficou entre 11% e 20%.
No entanto, a maior parte dos hospitais (73%) relata que as internações de pacientes Covid cresceram pouco e o aumento é de até 5% tanto em leitos de UTI como 5% também em leitos clínicos.
Segundo o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, os resultados indicam que a maioria dos casos suspeitos não evolui para internação, demonstrando menor gravidade.
“Avaliamos que os casos evoluem sem gravidade, não necessitando de internação hospitalar. Mas ratificamos a necessidade de que a população use máscara em locais com aglomerações, mantenha o protocolo de segurança à saúde com a lavagem de mãos e cumpra o calendário de vacinação”, destaca o médico.
A pesquisa do SindHosp foi realizada no período de 11 a 21 de novembro.
90 hospitais privados do estado de São Paulo participaram do levantamento, sendo 77% do interior e 23% da capital.
“Existe realmente maior circulação do vírus nesse momento, o que demanda atenção para cuidados sanitários, no entanto, o volume de internações ainda é baixo”, avalia Balestrin.
Também a Covid, de acordo com a pesquisa, é o atendimento que tem prevalecido nos hospitais.
49% dos atendimentos referem-se ao coronavírus, sendo 13% da assistência relacionados a crianças com Influenza e 10% de Influenza em adultos.
A pesquisa perguntou ainda se houve aumento de internações de crianças com síndromes respiratórias nos últimos 15 dias.
3% dos hospitais relataram aumento de até 5% enquanto 29% informaram evolução de 6% a 10% nesse tipo de atendimento.
Siga acompanhando as próximas pesquisas sobre o coronavírus e outras análises referente ao setor da Saúde nesse site, na aba ‘Notícias‘.
Com o fim das eleições, as entidades representativas e expoentes da saúde direcionam suas ópticas para o planejamento do novo Congresso e acompanhamento dos primeiros passos da transição. O que o governo Lula já está traçando para a saúde do Brasil?
O tradicional CONAHP é o principal congresso de saúde do país, realizado anualmente pela Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP). Nesta edição, o evento aconteceu de 7 a 11 de novembro e ganhou um formato inédito, três dias exclusivamente virtuais e mais dois dias exclusivamente presenciais, uma semana inteira para propagar conteúdos sobre “as mudanças que a saúde necessita”.
Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, integrou o painel presencial de encerramento, na sexta-feira (11), representando o Sindicato nas articulações sobre o setor: no governo Lula e no novo Congresso. Balestrin presidiu a ANAHP por 15 anos e mantém grande apreço pela entidade, sendo antecessor do atual presidente, Eduardo Amaro.
Painel: Saúde no Governo Lula e no novo Congresso
Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde e membro da coordenação do Programa de saúde do Governo Lula, compartilhou com os presentes o que vem sendo discutido para o setor e quais são as expectativas para o novo Congresso.
Em sua fala, destacou a baixa cobertura vacinal, as extensas filas para atendimento, a falta de medicamentos básicos e o financiamento da saúde como focos do novo governo, além do grande interesse em reconstruir as relações interfederativas. “Não adianta plano, recursos, boa vontade, se não houver interlocução com Estados, Municípios e entidades”.
Sobre a preocupação em recuperar a cobertura vacinal no país, o foco é o Programa Nacional de Imunização (PNI).
O Programa vem perdendo força nos últimos anos e regrediu ainda mais durante a pandemia de Covid-19, cenário com potencial para reduzir significativamente a expectativa de vida da população. “As pessoas não estão tomando, sequer, a terceira dose da vacina contra a Covid! A cobertura vacinal é um desafio que não pode ficar para depois. Todas as vacinas precisam retornar aos patamares de segurança. Cobertura vacinal de BCG abaixo de 65%, por exemplo, é uma coisa que não podemos aceitar, um arranjo precisa ser feito entre o setor público e o privado”.
O financiamento da saúde, por sua vez, será pauta presente já nos 100 primeiros dias de governo. Chioro conta que a primeira tarefa solicitada por Alckmin foi analisar o orçamento, afirmando que temos um sistema subfinanciado e que a pandemia destacou ainda mais a importância dos investimentos na área.
Segundo Chioro, o grupo de trabalho de transição se ocupa no desenvolvimento de uma proposta eficaz. “A orientação de Lula e Alckmin é a retomada do diálogo, com vistas à reconstrução coletiva. Queremos ouvir gestores, entidades e órgãos de controle, recuperando assim a possibilidade de produzir políticas, segurança jurídica e estabilidade, definindo para onde vamos por um diagnóstico de necessidades”.
O ex-ministro não nega haver grandes desafios à frente, e cita a necessidade de construir políticas públicas capazes de amparar uma população cada vez mais idosa.
Outro foco do novo governo é preparar o Brasil para o enfrentamento de possíveis emergências sanitárias mundiais. “É preciso aprender com as experiências”, disse em referência à pandemia de Covid-19.
Participação do SindHosp
Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, destacou a importância de promover a igualdade de gênero, ao observar a presença de apenas uma mulher participando do painel, a saber, Vera Valente, diretora-executiva da FenaSaúde. “Que haja cada vez mais mulheres ocupando lugares na saúde, pois é desse novo olhar que precisamos para o setor, o olhar da diversidade e da mudança”.
Quanto ao debate, elogiou a transparência com a qual Arthur Chioro se posiciona, e em seguida perguntou: “Nós, do setor de prestação de serviços de saúde, precisamos de pacientes, clientes que possibilitem a nossa prestação de serviço, o que se dá principalmente pelo acesso a esses serviços. Como o acesso será trabalhado no governo Lula de modo a garantir qualidade e uma relação de custo-benefício adequada?”
Em resposta, Chioro disse que não vê alternativa para responder às necessidades de saúde da população em um país tão heterogêneo, senão buscando sinergia entre os setores público e privado. “Desenvolvendo estratégias de gestão singulares a partir de uma política nacional para diferentes realidades. A própria admissão e investimentos para construir essa relação deverá ser na ordem da diversidade”.
Presenças
Mediados por Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, foram debatedores do painel: Beto Preto, deputado federal (PSD/PR); Daniel Soranz, deputado federal (PSD/RJ); Luiz Antonio Teixeira Júnior, deputado federal (PP/ RJ); Pedro Westphalen, deputado federal (PP/RS) e Antônio Brito, deputado federal (PSD/BA).
Participaram também Fernando Silveira, presidente-executivo da Abimed; Henrique Neves, vice-presidente do Conselho de Administração da Anahp e diretor-geral do Hospital Israelita Albert Einstein; Marco Aurélio Ferreira, diretor de Relações Institucionais da Anahp; Vera Valente, diretora-executiva da FenaSaúde.
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